Modelos de programas sociais em saúde ampliam o acesso a tratamentos e diagnósticos no Brasil, aponta especialista

Subsídio, apoio logístico e navegação em saúde reduzem desigualdades e fortalecem adesão a terapias de alta complexidade

Em um país onde desigualdades sociais e geográficas ainda impactam diretamente o acesso à saúde, programas sociais estruturados vêm se consolidando como uma das principais estratégias do setor farmacêutico para garantir início e continuidade de tratamentos.

Segundo dados da Funcional, pioneira e líder em programas de acesso e adesão no Brasil, com base em programas de suporte ao paciente de 2024 a 2025, a remoção de barreiras logísticas está associada à redução significativa do não comparecimento e a uma continuidade de tratamento até 20x maior ao longo de 12 meses. Nos primeiros seis meses, a adesão de pacientes acompanhados é cerca de 4x maior do que a de pacientes não acompanhados.

Para Oscar Basto (foto em destaque), Diretor de Negócios Pharma da Funcional, a relevância dessas ações são sustentadas por três pilares: saúde pública, ESG e sustentabilidade de negócio. “Programas sociais diminuem o abismo entre a prescrição e o início do tratamento, garantindo que pacientes de baixa renda ou em situação de vulnerabilidade tenham condições reais de seguir a terapia. Além disso, permitem à indústria contribuir para impactos sociais mensuráveis e gerar dados valiosos sobre a jornada do paciente”, afirma.

Os diferentes formatos envolvem desde subsídios financeiros até suporte logístico e ajuda na jornada diagnóstica. Entre os mais adotados estão iniciativas que oferecem descontos ou subsídios quase totais de custos de medicamentos, transporte e hospedagem para pacientes que precisam se deslocar para tratamento; o subsídio total ou parcial de exames essenciais para confirmar um diagnóstico complexo, como testes genéticos e exames de imagem; e, através dos Programas de Benefício em Medicamentos, a parametrização dos descontos de forma estratégica pela indústria, fazendo com que medicamentos cheguem ao paciente por valores mais compatíveis com sua realidade.

“Quando olhamos para o Brasil profundo, percebemos que as barreiras vão muito além do custo. Um paciente no interior do Amazonas pode depender de apoio de transporte para receber uma infusão, enquanto alguém na periferia de São Paulo precisa de subsídio para iniciar a primeira compra do medicamento. Personalizar o suporte é determinante para garantir acesso real”, explica Basto.

A Funcional atua com modelos que integram tecnologias de navegação, clusterização de perfis e serviços terceirizados conectados à plataforma, permitindo ativar transporte com parceiros de mobilidade, organizar hospedagem em grandes centros e até realizar entrega de medicamentos complexos com aplicação domiciliar por meio de parceiros especializados e profissionais habilitados, conforme protocolos clínicos e regulatórios.

Outro ponto crítico é o início da terapia. Programas que podem incluir, dentro dos limites regulatórios, estratégias de apoio inicial, como fornecimento assistido ou descontos estruturados na primeira aquisição, popularmente conhecido como “amostra grátis”, têm impacto direto na adesão inicial. “Se o paciente encontra um preço impeditivo logo após a prescrição, a chance de ele nunca iniciar o tratamento é altíssima. O apoio inicial quebra essa barreira e dá tempo para organizar o restante da jornada, seja por meio de Programas de Benefício em Medicamentos ou outras vias legítimas de acesso previstas no sistema de saúde, tais como: administrativa e judicial”, reforça.

No campo do diagnóstico, a estratégia também tem se mostrado determinante. O subsídio total de exames reduz a chamada “odisseia diagnóstica” e acelera a entrada do paciente no tratamento adequado. “No sistema público, um exame de alta complexidade pode levar meses, conseguimos reduzir isso para dias ou semanas. Salva tempo, melhora o prognóstico e garante que pacientes elegíveis não fiquem invisíveis ao sistema”, destaca Basto.

Ao longo dos últimos anos, a Funcional estruturou programas em parceria com diversas indústrias farmacêuticas, envolvendo desde subsídios completos de exames até amparo logístico, navegação e terapias complementares. Segundo o executivo, o futuro da ampliação de acesso passa pela integração entre apoio social e digitalização.

“Omnicanalidade é fundamental. O paciente precisa solicitar transporte, vouchers ou exames de forma simples, via WhatsApp, aplicativo ou 0800. A conectividade entre médico, laboratório, farmácia e logística é o que torna o programa eficiente, auditável e escalável”, conclui.

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