A corrida pelos US$ 150 bilhões: 4 decisões que vão moldar o futuro das foodtechs

Para Paulo Ibri (foto em destaque), CEO da foodtech Typcal, empresas que resolverem eficiência produtiva e capacidade fabril vão liderar o setor nos próximos anos

A biotecnologia na alimentação deixou de ser promessa e virou prioridade estratégica global. O desafio agora é escalar a inovação com competitividade. Segundo a McKinsey & Company, no relatório Ingredients for the Future, o principal gargalo está na infraestrutura produtiva: a capacidade de fermentação ainda é limitada e exige alto investimento e especialização. O potencial, porém, é bilionário, proteínas por fermentação podem representar 4% da produção global até 2050, movimentando de US$ 100 a 150 bilhões ao ano.

Para Paulo Ibri, CEO da Typcal, primeira foodtech da América Latina a trabalhar com fermentação de micélios, o setor vive seu momento mais decisivo. “O desafio não é mais provar que a tecnologia funciona em laboratório, mas demonstrar eficiência, previsibilidade de custos e competitividade em escala industrial”, afirma o CEO. Na avaliação do executivo, a consolidação das foodtechs dependerá menos da inovação conceitual e mais da capacidade de estruturar operações industriais robustas e financeiramente sustentáveis.

A seguir, ele aponta quatro fatores determinantes para essa nova fase.

1. Infraestrutura como prioridade estratégica
A ausência de estruturas industriais voltadas para bioprocessos em larga escala ainda limita o crescimento do setor. Muitos bioreatores disponíveis foram concebidos para a indústria farmacêutica, com estrutura de custos incompatível com as margens e volumes característicos da indústria de alimentos.

“Não basta ampliar capacidade. É preciso redesenhar a infraestrutura para torná-la economicamente viável para alimentos de grande escala. A lógica da indústria alimentícia exige volume, eficiência e padronização”, destaca Ibri.

2. O desafio de transformar ciência em produção comercial
A transição do laboratório para a produção industrial continua sendo um dos pontos mais sensíveis da jornada das foodtechs. Sem acesso a plantas piloto e infraestrutura intermediária, torna-se difícil validar custos reais, comprovar produtividade e oferecer previsibilidade financeira ao mercado.

“Muitas startups conseguem provar conceito em bancada, mas enfrentam dificuldades na hora de operar em escala industrial. Esse é o momento mais crítico da jornada, porque é onde a tecnologia precisa demonstrar viabilidade econômica”, explica.

3. Capital mais criterioso e foco em eficiência
Após um período de forte fluxo de investimentos no setor, o capital tornou-se mais seletivo. Hoje, investidores priorizam empresas que apresentem clareza sobre unidade econômica, eficiência produtiva e capacidade real de escalar.

“O investidor quer saber qual é o custo por tonelada, qual é a margem projetada e como aquela operação se sustenta no longo prazo. Tecnologia sozinha não sustenta crescimento; eficiência sustenta”, afirma o executivo.

4. Cadeia de suprimentos como diferencial competitivo
A expansão da fermentação também depende de uma cadeia estruturada de insumos estratégicos, como meios de cultura, substratos e matérias-primas específicas. A disponibilidade e previsibilidade desses insumos impactam diretamente o custo final e a competitividade frente às proteínas convencionais.

“Infraestrutura não é apenas planta industrial. É garantir acesso contínuo e previsível a insumos críticos. Sem isso, a escala perde consistência e o crescimento fica vulnerável”, pontua o Ibri, e complementa: “A próxima fronteira da foodtech é estrutural. Quem resolver infraestrutura, eficiência produtiva e escala vai liderar a transformação do sistema alimentar global. Quem não resolver isso, simplesmente não vai competir”.

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