Com publicação final prevista para abril de 2026, companhias terão 3 anos para se adequar às mudanças
O ano de 2025 foi um dos mais quentes registrados na história, segundo dados do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo. Pelo terceiro ano consecutivo, as temperaturas médias ultrapassam em 1,5°C os níveis da era pré-indústrial. Esse é o limite apontado por estudiosos como o ponto de ruptura para consequências severas e, muitas vezes, irreversíveis.
Como ilustra o World Weather Attribution (WWA), em 2025, foram identificados 157 eventos climáticos extremos de impacto humanitário – destacam-se as ondas de calor e inundações. É nesse contexto de crescente complexidade e pressão para que o setor privado mitigue danos ambientais, que o comitê técnico da Organização Internacional de Normalização (ISO) prepara o lançamento final da atualização da ISO 14001, previsto para abril de 2026. A partir da publicação, empresas terão três anos para adequarem as certificações aos novos padrões.
Para Marcelo Becher (foto em destaque), Líder de Marketing e Produto da SoftExpert, multinacional especializada em soluções de software para conformidade, governança e gestão empresarial, a transição deve gerar um efeito cascata, especialmente em setores de alto impacto, como Energia, Manufatura e Transporte. “Métodos de controle baseados em estimativas não serão suficientes, será necessário monitorar o desempenho ambiental com precisão absoluta. A tendência, então, é que se cobre que as organizações tragam informações verificáveis para comprovar suas afirmações”, explica.
O movimento acompanha a tendência do mercado. De acordo com a Pesquisa Global de Sustentabilidade da PwC, em 2025, mais da metade dos executivos entrevistados afirma que a pressão interna e externa para o fornecimento de dados sobre sustentabilidade aumentou. Para Becher, a mensagem é direta: o cuidado com o meio ambiente deixou de ser apenas uma estratégia de marketing para se tornar um imperativo de conformidade financeira e jurídica.
ISO 14001 na dianteira da Era da Implementação
Historicamente, a ISO 14001 tem sido a ferramenta central para empresas que buscam estar em conformidade com leis de sustentabilidade, permitindo identificar, monitorar, controlar e reduzir impactos ambientais negativos. No entanto, o especialista ressalta que o maior desafio para a implementação da nova fase da norma está dentro da cultura interna das companhias.
“As lideranças atuais devem responder uma pergunta crítica: a organização realmente está pronta para reportar as informações ambientais com confiança absoluta? E será necessário participação ativa da alta gestão para criar ambientes de trabalho mais participativos, essenciais para a transição. Isso porque, logo, a transparência vai virar uma moeda não negociável para qualquer negócio global”, explica Becher
Entre as modificações previstas para o texto final de abril, destacam-se discussões sobre maior integração das mudanças climáticas e da disponibilidade de recursos ao contexto organizacional, além de um foco renovado no engajamento da liderança frente a problemas complexos. O objetivo é alinhar a gestão ambiental aos desafios contemporâneos e às modernas práticas de governança.
“Com a transição, é vital que as companhias elaborem planos detalhados, com cronogramas realistas, alocação de recursos e definição clara de responsabilidades para as atividades de migração. Os três pontos fundamentais são a administração eficiente, uma estratégia sólida e ferramentas preparadas para tais mudanças. Nesse processo, a tecnologia também é aliada e pode auxiliar no gerenciamento de evidências digitais de forma imutável, auditável e integrada”, conclui o especialista.


