Transparência Absoluta: O legado da COP 31 para as empresas

Por Caio Gomes, Analista de Marketing da SoftExpert*

A 31ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP 31) marca um momento crucial no calendário regulatório global e será responsável por dar o tom para os requisitos futuros de conformidade corporativa. Isso porque a temática central da COP 31 está convergindo em direção ao que pode ser chamado de Era da Implementação: um período que direciona o foco de promessas de longo prazo para ações monitoráveis e auditáveis.

A conferência de 2026 será marcada por um acordo diplomático inédito, no qual as responsabilidades de governança ficam divididas entre duas nações diferentes. A Turquia, responsável por sediar fisicamente o evento e a Cúpula de Líderes Mundiais na Antália, e a Austrália com autoridade exclusiva sobre o processo formal de negociação. Trata-se de uma decisão estratégica que busca destacar as ameaças existenciais que enfrentam estados insulares, garantindo que seus desafios mantenham-se centrais na agenda global.

A agenda da COP 31 e a Era da Implementação
A COP 31 promete definir como será a Era da Implementação, quando os governos precisarão deixar de definir metas meramente diplomáticas e começar a demonstrar resultados reais e tangíveis. Esta mudança é uma resposta direta ao Global Stocktake, plano da ONU que revelou lacunas significativas entre os compromissos atuais e as metas urgentes estabelecidas pelo Acordo de Paris.

O objetivo primário da conferência será promover uma avaliação rigorosa da próxima geração de Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs 3.0). Ao mesmo tempo, para o setor privado, esse comprometimento nacional intensificado inevitavelmente vai se traduzir em quadros regulatórios mais rígidos e maiores restrições operacionais. O que hoje são metas voluntárias de sustentabilidade vão se tornar requisitos obrigatórios de compliance no futuro, ao passo em que os países se movimentam para cumprir suas obrigações internacionais.

O sucesso desta fase de implementação, entretanto, depende inteiramente da capacidade de monitoramento do progresso com absoluta integridade de dados em todos os setores. Essa exigência de precisão abre caminho para novos mecanismos rigorosos de relatórios, como os Biennial Transparency Reports (BTRs), que serão centrais para as discussões técnicas da cúpula. Estabelecido sob o Acordo de Paris, o Quadro de Transparência Reforçado (ETF, na sigla em inglês) introduz um rigoroso novo padrão de relatórios conhecido como Biennial Transparency Reports (BTRs), ou Relatórios de Transparência Bienais.

Esses envios obrigatórios substituem os mecanismos anteriores de criação de relatórios, com o objetivo de incentivar os países a oferecerem dados granulares e comparáveis sobre seus inventários de gases poluentes e o progresso rumo às suas NDCs.

Essa mudança cria um efeito cascata imediato para as empresas. Isso é especialmente o caso de indústrias de alto impacto, como Energia, Manufatura e Transporte. A tendência é que os governos enfrentem cada vez mais escrutínio frente ao resto do mundo, levando à aprovação de leis mais rigorosas para regular as empresas que operam dentro de suas fronteiras.

Qual será o resultado das demandas da COP 31?
Nesse sentido, as organizações agora devem se preparar para esse cenário, abandonado métodos de controle baseados em simples estimativas. A partir de agora, as empresas precisam implementar sistemas de acompanhamento digitais robustos, capazes de monitorar o desempenho ambiental com precisão absoluta. A tendência é que se cobre que as organizações tragam dados verificáveis para comprovar suas afirmações sobre o tema. Só assim sua empresa ou órgão poderá satisfazer reguladores ou investidores mais exigentes, que buscam evidências concretas do seu impacto ambiental.

No fim das contas, a COP 31 deve representar o marco de quando a transparência vai virar uma moeda não negociável para qualquer negócio global. Os líderes agora devem lidar com uma pergunta crítica: minha organização realmente está pronta para reportar os dados de sustentabilidade com confiança absoluta?

*Especialista em sistemas de gestão e conformidade normativa, Caio Gomes é Analista de Marketing de Produto na SoftExpert.  Com mais de 10 anos de experiência em gestão de processos, auditorias e sistemas de gestão, possui trajetória sólida na implantação e manutenção de sistemas baseados nas normas ISO 9001 e ISO 27001, além de ter conduzido auditorias internas e externas.

Liderou projetos de melhoria contínua e equipes multidisciplinares, com foco em eficiência operacional, conformidade e inovação. Na SoftExpert, aplica sua bagagem técnica no Marketing de Produto, atuando como um elo crucial entre as exigências de normas e regulamentações e o posicionamento estratégico da empresa no mercado, traduzindo requisitos complexos em vantagens competitivas claras para os clientes.

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