Henry Quaresma destaca como o país asiático evoluiu de reprodutor para líder em tecnologia e aponta setores promissores para investimentos de empresários brasileiros
Especialista com mais de 30 anos de experiência em negócios com a China, Henry Uliano Quaresma atua como intermediador entre empresários chineses e brasileiros, facilitando conexões comerciais estratégicas entre os dois países, revelou como empreendedores brasileiros podem aproveitar o avanço tecnológico chinês para desenvolver novos negócios. Durante sua participação no podcast da Plataforma Empreendedor, Quaresma apresentou um panorama das transformações recentes no país asiático e destacou setores promissores para investimentos.
O especialista detalhou como a China evoluiu de reprodutora de tecnologias estrangeiras para líder global em inovação, apontando mudanças na infraestrutura, educação e cultura de negócios que abrem portas para empresários brasileiros interessados em expandir suas operações internacionalmente. Esta matéria importa pela posição e importância que a China ocupa no mundo dos negócios e pela relação de negócios que ela tem com o Brasil, sendo hoje a principal fonte de produtos importados pelo país, com volumes recordes e preços altamente competitivos.
“Copiadora”a “Inovadora”
A transformação chinesa ganhou impulso decisivo por volta de 2020, quando incentivos governamentais durante a pandemia aceleraram o desenvolvimento tecnológico no país.
Este avanço é evidenciado por empresas como Xiaomi e Huawei, que expandiram seus negócios para além da telefonia.
Hoje essas empresas de telefonia fabricam carros elétricos de luxo com tecnologia 100% chinesa”, afirmou Quaresma, ilustrando como o país deixou para trás o rótulo de “copiadora” para se tornar “inovadora”; em diversos setores estratégicos.
Infraestrutura e Tecnologia
Um dos fenômenos observados por Quaresma são as chamadas “fábricas escuras”, instalações industriais totalmente automatizadas que funcionam sem iluminação ou presença humana constante. Estas unidades representam um novo paradigma na produção industrial, onde robôs assumem praticamente todas as etapas do processo produtivo.
A robotização se estende para além do ambiente fabril, alcançando o cotidiano chinês. Em hotéis, robôs realizam entregas de refeições e serviços de limpeza, enquanto centros logísticos do grupo Alibaba operam com alto grau de automação.
Para visitantes estrangeiros, a China implementou melhorias que facilitam a estadia no país. A aceitação de cartões de crédito internacionais em aplicativos de pagamento locais e a isenção de visto para permanências de curta duração são exemplos de como o país tem se tornado mais acessível para turistas e empresários internacionais.
Oportunidades
O agronegócio brasileiro continua encontrando forte demanda no mercado chinês, mas novos setores emergem como oportunidades promissoras. O café brasileiro ganhou status cultural entre jovens chineses, enquanto produtos de biotecnologia e cosméticos representam fronteiras com potencial ainda inexplorado por muitas empresas nacionais.
Uma novidade relevante para empreendedores brasileiros é a abertura da plataforma 1688.com, pertencente ao grupo Alibaba, para operações com o Brasil. Esta iniciativa permite que empresas brasileiras realizem compras por atacado diretamente de indústrias chinesas, possibilitando reduções de custos que podem chegar a 40% em comparação com intermediários tradicionais.
A oportunidade real está em comprar direto de fabricantes, otimizar logística e agregar curadoria/marca, não apenas revender commodity. O cenário é favorável porque as importações chinesas seguem em alta e batendo recordes no Brasil, com demanda crescente por produtos de baixo custo e giro rápido.
Quaresma disse que empresários interessados em explorar o mercado chinês devem visitar a Canton Fair, considerada a maior feira industrial do país, e a cidade de Yiwu, especializada em pequenas commodities e produtos de consumo.
Trabalho e Educação
O sistema educacional chinês prepara as novas gerações para a economia do conhecimento desde cedo. Crianças a partir dos seis anos de idade já estudam robótica e inteligência artificial, em um modelo educacional que valoriza a competição e o mérito como pilares fundamentais.
A cultura de trabalho na China segue o chamado regime 996, especialmente em empresas de tecnologia, onde os profissionais trabalham das 9h às 21h, seis dias por semana. Este ritmo intenso é culturalmente aceito como um caminho para ascensão social e desenvolvimento profissional.
“O regime 996 foi declarado ilegal em 2021, mas ainda é praticada na área de startups e empresas de tecnologia. Há tendências de rejeição pelos jovens e também uma certa tolerância por algumas pessoas/empresas”.
Conselhos Estratégicos
Para brasileiros que desejam estabelecer negócios na China, Quaresma enfatiza a importância de parcerias locais, conceito conhecido como “Guanxi”. Estas alianças estratégicas ajudam a navegar pelos desafios culturais e burocráticos, reduzindo riscos e aumentando as chances de sucesso.
O especialista declarou que empresas brasileiras de todos os portes devem incorporar a China em seus planejamentos estratégicos. Considerando o impacto econômico global do país asiático, ignorar este mercado pode significar perder oportunidades competitivas significativas, independentemente do tamanho ou setor de atuação do negócio.
A Plataforma Empreendedor, através deste episódio, oferece um panorama sobre as transformações recentes na China e como empresários brasileiros podem se posicionar para aproveitar as oportunidades emergentes neste cenário de inovação acelerada e desenvolvimento tecnológico.
A entrevista completa você pode assistir em nosso canal de podcast no YouTube: A China hoje: oportunidades e desafios | Com Henry Uliano Quaresma



