Embedded finance no Brasil: como APIs e Open Finance estão moldando uma nova era de pagamentos invisíveis

Por Victor Papi, General Manager da Transfeera*

Uma das tendências mais promissoras e disruptivas no setor financeiro é o conceito de embedded finance, ou, em português, finanças incorporadas. Esse fenômeno vem sendo impulsionado principalmente por duas tecnologias: APIs (Interfaces de Programação de Aplicações) e o modelo de open finance. Juntas, essas soluções estão criando uma nova era de pagamentos invisíveis, que simplificam a interação entre empresas e consumidores, criando uma experiência mais fluida e personalizada, ao mesmo tempo que abrem portas para inovações financeiras.

Pagamentos invisíveis são transações que ocorrem em segundo plano, sem a necessidade de interação direta do consumidor. Em vez de inserir dados bancários ou confirmar manualmente uma compra, o pagamento é processado automaticamente dentro da própria jornada. É o que acontece, por exemplo, em aplicativos de transporte ou marketplaces: a transação é feita de forma integrada, sem interrupções ou redirecionamentos. Além de simplificar a experiência do usuário, esse modelo reduz barreiras de consumo e acelera a adesão a novos serviços financeiros.

No centro dessa transformação estão as APIs, que funcionam como pontes entre diferentes sistemas e plataformas. Elas permitem que empresas integrem serviços financeiros, como pagamento, crédito, seguros ou investimentos, diretamente em seus produtos, sem precisar desenvolver toda a infraestrutura do zero. Essas integrações seguem padrões de segurança e conformidade, o que garante a proteção de dados sensíveis e reduz riscos de fraude.

Paralelamente, o Open Finance tem se consolidado como o alicerce do embedded finance. O modelo permite o compartilhamento seguro de dados financeiros entre instituições, viabilizando ofertas mais personalizadas e competitivas. No Brasil, a iniciativa conta com 103 milhões de autorizações ativas de compartilhamento de dados, envolvendo 68 milhões de contas, segundo o Banco Central. A regulação robusta posiciona o país entre os mais avançados do mundo na integração entre tecnologia e finanças.

Para as empresas, o impacto é claro: jornadas de compra mais fluidas, maior fidelização e novas fontes de receita. Negócios que integram serviços financeiros em suas plataformas podem oferecer crédito, seguros e investimentos diretamente ao cliente, criando ecossistemas completos e de alta conveniência.

Mas o avanço do embedded finance também traz desafios. Segurança da informação e conformidade regulatória, especialmente com a LGPD, exigem atenção constante, além de infraestrutura tecnológica capaz de lidar com alto volume de dados e transações. Apesar disso, as perspectivas são promissoras. De acordo com a Juniper Research, a receita global de embedded finance deve atingir US$ 228 bilhões até 2028, um crescimento de 148% em relação a 2024. O número reforça o potencial desse mercado, que ainda está longe da maturidade.

À medida que APIs e Open Finance se consolidam, o pagamento invisível deixa de ser apenas conveniência e se torna estratégia de negócio. O futuro das finanças é integrado, contínuo e quase imperceptível e o Brasil desponta como um dos principais protagonistas dessa revolução.

*Victor Papi é  General Manager da Transfeera, empresa da PayRetailers e Instituição de Pagamento (IP) especializada em soluções de pagamentos para empresas. Papi é formado em Engenharia de Produção pela FEI e Pós graduado em Gestão de Negócios pelo Insper. Com 10 anos de experiência no mercado financeiro, liderou a frente de automação e melhoria de processos do Itaú, idealizou as frentes de novos produtos da Porto Seguro, construiu a força de vendas da Cielo com contratação de pessoas jurídicas, e esteve à frente da área de Operações do Bankly. Foi também Diretor de Receita, Produto e Operações na Transfeera antes de assumir o cargo principal da empresa.

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