O contador de centavos

Joel Fernandes 16/08/2012
Joel Fernandes 16/08/2012

A presidenta Dilma se encontra com Joseph Blatter para discutir um assunto muito importante de futebol: bebidas alcoólicas serão vendidas nos jogos da Copa do Mundo em 2014 no Brasil? E quem terá o direito de explorar as vendas? Este é um assunto de futebol ou é “extracampo”?

Este episódio mostra a atual gigantesca dimensão do espetáculo de futebol envolvendo a presidente de um país, uma infraestrutura colossal e milhões, possivelmente bilhões de reais em investimentos e lucros. O jogo de futebol ganhou um grau de complexidade jamais visto. No entanto, no seu nascedouro ele é uma simples “pelada”. E na sua simplicidade é que conseguimos enxergar os seus fundamentos como negócio. Para um jogo de várzea atrair uma boa torcida tem que ter um craque que leve o time às vitórias e se torne um campeão. E tem que ter um presidente de clube que trate de assuntos “extracampo”, que planeje e organize os eventos, economize tostões e faça reinvestimentos para a organização alcançar a próxima divisão. No mundo empresarial é a mesma coisa.

O CRAQUE DA EMPRESA – Ronaldo Fischer era um inteligente e talentoso profissional da publicidade. Abriu sua própria agência. Era um verdadeiro craque de sua empresa. Ganhava muitos prêmios de propaganda, tinha contratos com clientes importantes, trabalhava feliz feito um louco. No entanto, não via a cor do dinheiro. Até que um dia encontrou Augusto Justos, um verdadeiro contador de centavos, e firmaram sociedade. Definiram assim suas funções: Fischer produzia e vendia e Justos fazia o serviço “extracampo” – fluxo de caixa, folha de pagamentos, DRE, demissões e contratações de novos talentos, reinvestimentos e especialmente controlava cada centavo e acumulava reservas financeiras.

Assim aconteceu o ponto de virada e a empresa entrou para a lista das dez maiores e mais importantes agências de publicidade do país.

O CONTADOR DE CENTAVOS – Paulo era um engenheiro eletricista irrequieto que trabalhava numa grande empresa estatal. Seu sonho era poder assistir a filmes até tarde da noite sem ter que acordar cedo na manhã seguinte e ter que dar explicações para o chefe incompetente por que chegara atrasado. Decidiu, pois, abrir um negócio por conta própria. Primeiro montou uma empresa de construção civil construindo e vendendo casas. Não deu certo. Tentou uma empresa de mármores e granitos. Não deu certo. Paulo era um típico presidente de empresa, contador de centavos: sabia como montar e manter uma operação lucrativa, mas não entendia das áreas em que se metia. Até que um dia Paulo encontrou o Paulinho, um criativo e perfeccionista fabricante de móveis. Um craque. Firmaram sociedade e deu certo. Paulo se concentrou nas vendas e na administração do negócio. Paulinho criava e produzia os móveis. Tornaram-se uma das maiores empresas de móveis do país, chegando a ter 300 funcionários.

O CRAQUE E O CONTADOR DE CENTAVOS – Uma empresa não prospera tendo somente um craque (ou empreendedor artista) como sócio, mas tampouco se torna rica tendo um contador de centavos como presidente que só pensa em lucro.

Toda empresa, quer seja a Apple ou um carrinho que vende pipocas, tem três macrofunções: alguém tem que produzir, alguém tem que vender e alguém tem que administrar. A composição de sócios para abrir e comandar uma empresa não pode ser arbitrária. Os sócios têm que ter afinidades pessoais, complementaridades funcionais (produção, administração e vendas) e complementaridades emocionais (paixão e razão). A exemplo do futebol, no qual a presidenta Dilma está numa “pelada” contando centavos, ou seja, fazendo o papel “extracampo” de cuidar dos investimentos e dos lucros do País, que é parte fundamental do negócio chamado futebol, nossa empresa também precisa ter em sua estrutura societária craques para levar o time a ser campeão da série “A” e de um presidente contador de centavos que torne nossa empresa financeiramente robusta.

Você: é o craque ou o presidente? Se não é nenhum dos dois, provavelmente você é um empreendedor com espírito trabalhador e possivelmente se tornará um pobre empresário infeliz. Se você pensa que é os dois simultaneamente, não se iluda – sua empresa provavelmente jamais será campeã da série “A” e muito menos da copa do mundo dos negócios. Se você pensa que é o craque e seu sócio o contador de centavos ou vice-versa é grande a possibilidade de se tornarem empresários ricos e felizes.

www.metododopresidente.com.br

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