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Existe algo a mais por trás do que estamos olhando

A vida de muitos profissionais muda a partir da porta da entrada de uma empresa, onde impressões peculiares são formadas sobre […]

Por Marcelo Ponzoni 14/04/2014
Por Marcelo Ponzoni 14/04/2014

A vida de muitos profissionais muda a partir da porta da entrada de uma empresa, onde impressões peculiares são formadas sobre a realidade vivenciada desde o primeiro instante, e os destinos são delineados com base nas interpretações e inter-relações pessoais.

Entre juniors e seniors, na repescagem final muito poucos, realmente, entendem e/ou aceitam a mecânica da empresa onde trabalham, acabam por se adaptar sem buscar um real entendimento.

Eu procuro mostrar ao universo que nem tudo é aquilo que aparenta e, na maioria das vezes, é assim, não só nas empresas.

Assim, estar aberto ao inusitado é muito mais do que escutar ou olhar, é praticamente um estado da alma, uma predisposição para ver além do físico, além das palavras.

São raras as pessoas que captam estas frequências e compreendem as relações do ponto de vista humano. Quando isso acontece, sem dúvida, abrem-se portas que nunca foram abertas na cabeça e, principalmente, no sentimento. É notório que isso acontece com raras pessoas que, em pouquíssimo tempo, compreendem os reais valores da gestão e todo universo que se delineia nas entrelinhas.

Como tenho a percepção destas questões à flor da pele, a velocidade com que capto estes eventos é rápida e, na maioria das vezes, certeira. É fácil perceber o “entupimento” sensorial de alguns que, com anos de convivência, aceitam, gostam do ambiente de trabalho, não o compreendem bem, mas se dedicam, e algumas vezes vão embora sem ao menos saber o plurissignificado daquele universo.

Por isso, não adianta querer ajudar e explicar algo para quem não quer ser ajudado. Esse é o princípio do AA (Alcoólicos Anônimos): se você quer beber, o problema é seu, mas se você quer parar de beber, o problema é nosso.

O “entupimento” das pessoas é grande (uns mais, outros menos). Não desisto fácil, tento com muito esforço abrir a mente, “desentupir” os sentidos, pois percebo potenciais pessoas que, caso eu seja bem-sucedido nessa tarefa, terão o mundo de oportunidades a seus pés. Mas esta é uma luta grande, com poucos êxitos, e sei que existe uma mi noria que me faz acreditar nessa missão.

Decidi em minha vida ser um líder, mas não um líder comum: decidi lutar para ser o melhor que eu possa conseguir, não melhor do que qualquer um, mas melhor do que eu mesmo. O mundo é muito grande e por mais que possamos abraçá-lo, é fato que não conseguiremos. Sendo assim, acreditei em construir o meu mundo, onde tento ser alguém com valor para aqueles que entendem e querem viver nele.

Neste mundo, no qual eu entreguei a minha vida de corpo e alma, escolho pessoas, dou a elas o que acho pertinente e na hora que entendo ser pertinente, abro espaços, concedo chances, amor, carinho, atenção, cuidado e proteção. Não cobro, nem vou cobrar, pois o retorno deve ser natural, real, altruísta, sincero, prazeroso, de uma entrega tão verdadeira quanto a minha. Explico por parábolas, exemplos, atitudes, filmes, histórias, mas, muitas vezes, como é comum, poucos captam as mensagens. De repente, fico pensando sobre como criar um abridor de sentidos mais eficaz e assim conseguir um resultado mais animador.

Entendo realmente que aos que passam da porta de entrada e conseguem visualizar tudo isso, na prática, a sensação é de muita estranheza, principalmente para profissionais que já vivenciaram situações antagônicas. A percepção é sempre mais rápida para quem passou por estas experiências.

Aos jovens de primeiro emprego, o caminho é bem mais longo, sem referenciais: nunca trabalharam numa empresa boa ou ruim, com foco e cobrança por resultados a qualquer preço, que pouco ligam para as pessoas e para o que elas estão sentindo ou pensando.

Jamais me coloco como um empresário focado no crescimento a qualquer custo, ou por qualquer método: sou, na verdade, um idealista, sonhador para alguns, mas que pouco a pouco vem transformando o que parecia impossível para todos num projeto viável, honesto, seguro, sólido, promissor, passando ano após ano por estágios mais difíceis, enfrentando concorrentes mais preparados e com um espírito guerreiro, com consciência de suas habilidades, capacidades e principalmente as incapacidades.

Às vezes, minha empolgação incomoda aos que somente querem por querer, mas nada fazem, aqueles que pouco ou nada se envolvem ou são descrentes, todavia, gostam dos louros e de se acomodar em cima das conquistas alheias. Estes fardos são pesados, visto a olho nu, somente mantenho a discrição por pura estratégia e necessidade (muito me dói, mas faz parte do jogo).

Não dou um só passo ou profiro uma só palavra que não tenha ligação com o planejamento macro, com a missão geral. Nasci e cresci na rua no sentido figurado, sou liso, gatuno e precavido, por mais que possa não parecer, e somente aqueles que partilham de experiências semelhantes podem compreender tudo isso com muito mais profundidade.

E para aqueles que começam a jornada, assim como aqueles que ainda não acordaram diante do entendimento de seus papéis, tenho uma ótima notícia: sempre haverá tempo e possibilidade de melhorarmos como pessoas e profissionais, de desentupirmos nossos sentidos e começarmos a vivenciar novas e promissoras experiências.

Autor

  • Marcelo Ponzoni

    Publicitário e diretor-executivo da agência Rae,MP, que atua há 26 anos no mercado. Autor do livro "Eu só queria uma mesa", da Editora Saraiva. (11) 5070-1294 - marcelo@raemp.com.br - www.raemp.com.br

1 Comentário

  • Paulo Moreira26 de abril de 2014

    Gostei muito bom, mundo precisa de pessoas como você.

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