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Brincadeira levada a sério

redacao 21/03/2013
redacao 21/03/2013

Estudo da GfK destaca ainda preferência por brinquedos atrelados a personagens famosos

O mercado brasileiro de brinquedos seguiu na contramão do mundo em 2012: cresceu 15,6% em faturamento contra uma  tendência clara de queda em países como França, Espanha ou Portugal. A informação consta do panorama traçado pela GfK – quarta maior empresa de pesquisa de mercado do mundo – sobre “Tecnologia e Entretenimento no Brasil – O que Busca o Consumidor Brasileiro?”. O resultado dessa auditoria realizada no varejo em 2012 foi anunciado na segunda etapa da 9ª Conferência Anual GfK Consumer Choice.

“Mesmo com a retração europeia devido à crise econômica e diminuição da população infantil na Europa, ainda é gritante a importância que se dá a brinquedos lá fora. Quando dividimos o faturamento do setor pelo número de crianças, vemos que no Brasil o gasto anual é de R$ 106 com brinquedos, cerca de um sexto do que gasta o alemão, o britânico, o francês ou o italiano. Isso mostra a incrível oportunidade que há por aqui”, alerta Oliver Römerscheidt, Gerente de Unidade de Negócio da GfK.

Mercado gigantesco

A análise da GfK indica que a maior concentração de brasileiros, hoje, está na faixa dos 20 aos 65 anos, adultos que compram brinquedos para os que têm entre 0 e 14 anos. Esse público infantil corresponde a 24% dos habitantes do país, ou 46 milhões de pessoas, a mesma população infantil da Alemanha, França e Inglaterra somadas.

Com relação ao faturamento do mercado de entretenimento infanto-juvenil no Brasil, a auditoria apontou que houve um salto na cifra de R$ 5,2 bi em 2011 para R$ 6,5 bi em 2012. Só o segmento de brinquedos tradicionais respondeu, no ano passado, por R$ 4,82 bi, seguido por consoles de videogame (R$ 0,94 bi) e jogos de videogame (R$ 0,64 bi).

“Por mais que outubro, com o Dia das Crianças, e dezembro, com o Natal, sejam muito fortes para as vendas de vídeo games, esses também são períodos de grande força para o mercado tradicional de brinquedos. E é interessante constatar que cada vez menos o Brasil depende dessas duas datas. Enquanto aqui 25% das vendas de brinquedos se concentraram na época do Natal, em países como a Espanha esse índice bate a casa dos 51%”, comenta Oliver.

Região Nordeste

O estudo mostra que metade da população infantil brasileira vive no Nordeste (24%), Norte e Centro-Oeste (25%). Apenas 12% se concentram na Grande SP e na Grande RJ. A GfK mediu a venda regional de brinquedos e constatou a discrepância: mesmo com maior número de habitantes de 0 a 14 anos, o Nordeste responde por apenas 12% das vendas, enquanto as regiões metropolitanas de São Paulo e Rio de Janeiro somam 35,5% do faturamento.

“Há um desequilíbrio muito grande, mas também a chance de expansão para esses mercados. O faturamento na região Nordeste com brinquedos cresceu quase 30% entre 2011 e 2012, enquanto no Norte e Centro-Oeste subiu 28%”, diz.

Em todo o país, os brinquedos mais consumidos são bonecos tradicionais (21,7%), itens de esporte e lazer como piscinas e bolas (15,4%), brinquedos infantil e pré-escolar (14,2) e veículos/carrinhos de brinquedo (13,2%).

Personagens famosos

Chama a atenção no trabalho da GfK o aumento do peso das licenças para brinquedos. As crianças “antenadas” (elas têm acesso a muitos canais de TV por assinatura, usam tablets e internet) querem ter os personagens que já conhecem do mundo digital. Em 2011, os brinquedos licenciados representavam 22,9% do mercado de brinquedos, saltando para 24,5% no ano passado.

“A força das licenças deve se manter, mas outra tendência bem forte é a dos smart toys, que têm a tecnologia como principal meio de entretenimento. E é isso que a geração digital deseja: a convergência entre o real – o brinquedo tradicional – com o mundo digital”, conclui o Gerente da GfK.

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