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Caminho para crescer

redacao 13/09/2012
redacao 13/09/2012

Durante muitos anos, lidar com ações na bolsa de valores era algo restrito a grandes investidores, empresários e corporações. Porém, nos últimos tempos este cenário vem mudando. As transformações na economia brasileira com a estabilidade da inflação desanimam o poupador de colocar o dinheiro na poupança por causa dos juros baixos. Assim, as ações se tornam mais atrativas pelas possibilidades de ganhos maiores. E as informações sobre como operar em bolsa de valores estão mais democráticas, possibilitando o acesso de pessoas físicas e de micro e pequenos empresários ao mercado de capitais. Mas, na prática, para operar com sucesso neste mercado é preciso muito conhecimento ou consultoria especializada para acompanhar as tendências.

Segundo Luís Abdal, diretor da Expo Money, evento que percorre o Brasil debatendo temas como finanças pessoais, investimentos, empreendedorismo e carreira, o mercado de ações brasileiro ainda é pequeno. Ele lembra que para a pessoa física, por exemplo, este mercado se abriu há apenas 10 anos. E os pequenos empresários também continuam distantes desta opção. Ele acredita que diversos fatores podem explicar essa atitude dos empreendedores – e um deles é a exigência da empresa ter uma gestão empresarial transparente. “A maioria das micro e pequenas empresas brasileiras é familiar, então abrir a empresa para novos sócios desconhecidos com a entrada na bolsa e a necessidade de divulgar balanços e resultados aos acionistas provocam o afastamento desses empreendedores”, observa Abdal.

Para as pequenas empresas abrirem seu capital é necessário seguir vários passos. O primeiro deles é solicitar à CVM (Comissão de Valores Mobiliários) uma autorização para começar a operar no mercado de capitais. A empresa deve atender a vários pré-requisitos e, principalmente, se adequar às regras de governança corporativa. “Para abrir capital, a empresa deve ter uma gestão transparente e estar disposta a divulgar seus balanços ao público”, alerta João Pedro Brugger, analista da Leme Investimentos. Por outro lado, Abdal lembra que toda empresa que decidir entrar no mercado de capitais terá que se profissionalizar. E essa escolha será positiva para os negócios, mostrando evolução e crescimento do empreendimento. Além disso, ele destaca que a bolsa é a melhor forma de captação de recursos. “O caminho natural de uma empresa que quer crescer é, sem dúvida, sua entrada no mercado de capitais”, afirma.

Abdal reconhece também que atualmente falta um projeto bem definido que acolha a pequena empresa no mercado de ações. E aconselha àquelas que têm interesse a procurarem o Bovespa Mais, formatado para atender às expectativas das MPEs. O Bovespa Mais foi criado em 2005 pela BM&FBovespa com o propósito de oferecer acesso ao mercado de capitais às companhias de pequeno e médio portes que necessitam captar recursos para financiar seus projetos ou para companhias maiores que desejam o acesso gradual no mercado. O diferencial do Bovespa Mais é permitir que as companhias, ao se listarem no segmento, tenham o período de até sete anos para ter 25% do seu capital social em circulação no mercado, seja realizando uma oferta pública das ações existentes ou através da emissão de novas ações no mercado. Em relação à governança corporativa, a companhia também tem uma flexibilização relativa para compor o Conselho de Administração, sendo exigido, no mínimo, três conselheiros, diferente do Novo Mercado, em que são exigidos pelo menos cinco conselheiros com no mínimo 20% dos membros independentes. As pequenas empresas que estiverem inseridas no programa Bovespa Mais também podem realizar uma oferta de ações concentrada em poucos investidores, normalmente institucionais, com expectativa de retorno de longo prazo. Atualmente, três empresas estão listadas no segmento: Nutriplant, Desenvix Energias Renováveis e Senior Solution.

Vitrine

Outra possibilidade que a pequena empresa tem no Bovespa Mais é somente se listar, sem ofertar ações. Essa modalidade permite que a empresa aumente o grau de exposição junto ao mercado, divulgando informações, apresentando resultados e familiarizando o investidor com seu modelo de negócio. E quando optar por realizar a oferta de ações, teria condições de conseguir uma precificação mais adequada. O custo para a empresa ao participar do mercado de ações é, em média, 7,1% sobre o total captado. E de acordo com estudos, realizados pela própria BM&FBovespa, esse valor é considerado baixo quando comparado com outros mercados de acesso internacionais, como no AIM, da Bolsa de Londres, e no TSX Venture, da Bolsa de Toronto, que chegam a 7,7% e 14% sobre o total captado, respectivamente.

Na visão de Carlos Alberto Widonsck, professor do curso de Especialização em Gestão de Operações e Serviços Bancários (MBA) na Fundação Vanzolini, a iniciação no mercado de capitais é uma forma interessante de captar recursos para as empresas. “É uma maneira de capitalizar a empresa a um custo menor e, com isso, aumentar a sua participação no mercado”, diz. Segundo ele, através do IPO (do inglês Initial Public Offering – oferta pública inicial) a empresa consegue levantar recursos para investimento e ficar competitiva ante seus concorrentes. Widonsck recorda casos de médias e pequenas empresas que fizeram IPOs e foram bem-sucedidas. Porém, ele observa que as empresas que tinham a intenção de fazer o IPO diminuíram bastante o interesse em função da economia mundial estar passando por um momento delicado. “Os Estados Unidos, que desde a crise de 2008 vêm tentando se recuperar dos danos causados à sua economia, ainda não conseguiram chegar a um crescimento satisfatório, estando hoje bem abaixo do que o mercado esperava”, comenta. Outro fator determinante, citado por ele, é a crise que os países europeus estão enfrentando e que vem piorando dia após dia.    
Widonsck destaca ainda que um levantamento dos últimos IPOs realizados aponta que, na maioria deles, os preços das ações apresentaram queda em relação ao preço de lançamento. “Isso faz com que os investidores fiquem receosos em investir em novos IPOs e, principalmente, em ações que estão estreando na bolsa”, afirma. Diante desse cenário, o professor conclui que o momento é delicado e merece uma análise bem crítica, não só da empresa que está fazendo o IPO, mas da conjuntura atual do mercado financeiro mundial como um todo.  

No caso do Facebook, Widonsck explica que se criou uma grande expectativa no mercado de que as ações valorizariam logo no seu lançamento e isso fez com que os investidores comprassem esses papéis, esperando grandes lucros quando as ações estreassem na bolsa. Entretanto, ocorreram problemas com as análises feitas antes do lançamento para precificar as ações e tiveram que ser revisadas – e essa informação não foi passada para o mercado. Também houve uma espécie de pane no sistema eletrônico de negociação da Nasdaq no dia do lançamento das ações, trazendo enormes prejuízos aos investidores que não conseguiram operacionalizar suas ofertas através de seus terminais. “Acredito que esses fatores foram determinantes pelo insucesso das ações do Facebook no mercado acionário.” Na visão de Brugger, da Leme Investimentos, apesar dos analistas de mercado lançarem análises otimistas com a IPO do Facebook, o valor das ações foi alto. “Todo o negócio chamou muita atenção também pelo fato de ser uma empresa de tecnologia muito conhecida mundialmente. E, praticamente, pela primeira vez a bolsa negociou ações de uma empresa virtual.”

Educação financeira

Martin Iglesias, do Itaú Unibanco, ensina estratégias para pessoas físicas investirem no mercado de ações. Ele enfatiza que toda pessoa deveria dividir os recursos que recebe em três frentes, focando o curto, médio e longo prazo. Para o curto prazo é ideal ter na poupança o valor referente a três vezes o salário recebido para atender possíveis emergências do dia a dia. No médio prazo, os investimentos já poderiam ser feitos em ações visando à construção do patrimônio. E os recursos aplicados no longo prazo seriam destinados para a aposentadoria. Diante disso, é fácil concluir que investir em ações significa o resgate do tão sonhado montante no longo prazo.

Para comprovar isso, o professor Jurandir Macedo estudou três opções de investimento no mercado de capitais: primeiramente envolvendo investimentos de uma única vez na compra de ações e venda dessas ações dez anos depois; a outra opção seria investir durante dez anos e efetuar retiradas com a venda das ações ao longo de cinco anos; e a última tentativa realizada por Jurandir, se consolidando como a mais rentável, seria a compra de ações durante dez anos e a retirada com a venda durante várias vezes em um período de cinco anos. Esse movimento trouxe o melhor retorno com 14% de rentabilidade e o menor risco na casa dos 7%. O melhor disso é que, para trabalhar dessa forma sugerida pelo professor Jurandir, basta contratar no banco a compra programada de ações e todo dia de recebimento de salário, por exemplo, é realizada a compra. De acordo com Iglesias, esse comportamento, denominado compra de ação passiva, é ideal para quem não sabe sobre o mercado de ações e nem pode acompanhar. “A compra de ação ativa é para aquele investidor que já tem conhecimento e acompanha o mercado para escolher a ação que acredita ser mais rentável.”

Números do mercado de ações

– Das 467 empresas listadas, 373 empresas negociam, com valor de mercado de R$ 2,48 trilhões.

– Entre 2004 e 2012, as ofertas de ações no Brasil movimentaram R$ 376,8 bilhões, num total de 237 operações, entre aberturas de capital e distribuições secundárias de empresas já listadas.

– Em abril de 2012, as 182 empresas integrantes dos Níveis Diferenciados de Governança Corporativa da BM&FBovespa representavam 65,64% do valor de mercado, 80,97% do volume financeiro e 84,81% dos negócios realizados no mercado à vista.

– Os segmentos especiais de listagem atualmente contam com 185 companhias assim distribuídas: 127 no Novo Mercado, 35 no Nível 1, 20 no Nível 2 e 3 no Bovespa Mais.

– Até o momento, ocorreram em 2012 três IPOs (ofertas públicas iniciais) e dois follow-ons (ofertas subsequentes) que resultaram numa captação estimada em R$ 6,05 bilhões, de acordo com os valores que constam nos respectivos anúncios de início de negociação e de encerramento das companhias.

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