Cartões de loja crescem 90% no Brasil entre 2011 e 2015

redacao 27/09/2012
redacao 27/09/2012

O Brasil, a maior economia da América Latina, é um exemplo de como a estabilidade econômica é um propulsor básico do aumento do crédito ao consumidor. Essa é uma das conclusões do estudo “Consumer Credit in Latin America: Trends and Opportunities in Credit and Store Cards”, dos professores Paulo Rocha e Oliveira, Mario Capizzani e Felipe Javier Ramirez Huerta. O estudo foi publicado pelo IESE Business School.

A análise ressalta ainda a importância que ações do governo brasileiro tiveram para o aumento do crédito imobiliário e para o comércio de automóveis e afirma que ainda existe muito espaço na América Latina para o crescimento dos cartões de loja como um instrumento para a oferta de crédito ao consumidor de baixa renda. O Brasil, onde esse tipo de cartão deve experimentar um crescimento de 90% no período entre 2011 e 2015, é mais uma vez apontado como exemplo.

“Os consumidores emergentes da América Latina dependem, com frequência, da disponibilidade de um sistema de crédito ao consumidor para terem acesso a produtos e serviços essenciais”, afirmou Paulo Rocha e Oliveira. Os cartões de crédito e de loja, abrindo a possibilidade do pagamento desses produtos e serviços em prestações mensais, são parte muito importante dessa oferta, acrescentou.

O documento também destaca que os cartões de loja parecem ser uma evolução dos antigos carnês de loja, uma iniciativa na qual o Brasil foi pioneiro. Esse sistema tornou possível aos varejistas oferecerem crédito a largas parcelas da população de baixa renda, sem acesso aos serviços bancários tradicionais. As próprias lojas, nesses casos, providenciavam o crédito para o consumidor. “Esse sistema serviu como ponto de partida para a modernização representada pelos atuais cartões de loja”, explica Oliveira.

As melhores condições para o consumidor, por outro lado, estão atraindo o interesse das instituições bancárias para esse mercado. Isso se reflete em uma migração dos varejistas na direção dos cartões “cobranded”, nos quais eles se associam a instituições bancárias para a oferta do crédito ao consumidor. O documento assinala uma tendência para que, em muitos casos, os cartões de loja sejam substituídos por cartões cobranded, emitidos em conjunto pelo varejista e por um banco.

Um exemplo está ocorrendo no México, onde o Banco Walmart lançou um cartão de crédito que oferece descontos de 3% nas compras feitas em lojas afiliadas à rede Walmart. O caso do México é especial, pois o país foi um dos mais afetados pela crise econômica internacional na região. Espera-se que os volumes de crédito voltem aos patamares de antes dessa crise no fim de 2012.

Mas o estudo acredita ser provável que muitos cartões de loja na América Latina se transformem em cartões de crédito, mantendo os benefícios anteriores, mas ganhando uma aceitação mais ampla.

Muitos varejistas também têm diversificado suas ofertas com outros produtos financeiros, como seguros e empréstimos pessoais. No Chile, por exemplo, há uma crescente tendência para permitir o uso de cartões de uma loja em outros estabelecimentos varejistas, além de oferecer aos clientes extras como a oportunidade de aumentar seus créditos no telefone celular.

O grande crescimento previsto para os cartões de loja no Brasil – 90% entre 2011 e 2015 – é, porém, um sinal de que seu uso ainda tem condições de crescer, paralelamente com a diversificação para os cartões de crédito e cobranded.

“Em resumo, os cartões de loja provavelmente se manterão como uma alternativa mais realista e atraente para o consumidor emergente da América Latina, diante de uma tendência para modelos com base mais ampla nos serviços bancários para o crédito ao consumidor em geral” destaca o professor.

A estabilidade econômica é, de maneira crucial, um propulsor essencial do aumento do crédito ao consumidor, diz o especialista. Ele aponta o Brasil, a maior economia da região, como um exemplo disso. No país, o aumento do emprego formal, melhores índices de renda e um déficit habitacional de 6,5 milhões de unidades contribuíram para uma expansão mais ampla do que a esperada no setor da construção civil.

Como resultado, o comércio de unidades habitacionais e o crédito imobiliário tiveram crescimento significativo. Simultaneamente, a estabilidade dos juros e oportunidades de financiamento em longo prazo levaram a um grande aumento no comércio de automóveis, apesar da retirada de incentivos fiscais por parte do governo brasileiro.

As mudanças não se restringiram ao Brasil. A Argentina, por exemplo, experimentou um grande crescimento nas oportunidades de financiamentos em longo prazo e a taxas de juros mais baixas. Isso permitiu que pessoas anteriormente sem acesso ao crédito ganhassem essa oportunidade.

As novas condições econômicas, aliadas a operações agressivas de marketing, levaram a um aumento de 38% no uso de cartões em 2010. De maneira semelhante, de acordo com o estudo, o relaxamento nas exigências para o acesso ao crédito levou a um melhor aproveitamento do potencial representado pelos consumidores de baixa renda no Peru, no Chile e no México.

Mas há um forte movimento de expansão também em outros lugares. A loja de departamentos peruana Estilos começou recentemente a oferecer parcelamentos de pagamento em duas vezes sem juros, além de descontos em outras lojas, restaurantes, livrarias e até em clínicas de tratamento dentário. Na Colômbia, a rede Colpatria começou a oferecer pontos valendo prêmios nas compras de bens de consumo.

Em toda a América Latina, os consumidores emergentes ganham maior acesso ao crédito e aos seus benefícios. A tendência para que os cartões cobranded ganhem maior importância pode significar novas oportunidades para pequenos e médios varejistas. Mas também significa novos desafios, como a oferta de serviços financeiros e a combinação dos cartões com promoções, para aumentar a fidelidade do consumidor.

Sobre o IESE

O IESE Business School está entre as dez melhores escolas de negócios do mundo e é pioneira em educação executiva na Europa desde sua fundação em 1958, na Espanha. Em 1964, lançou o Full Time MBA em dois anos, o primeiro com essas características na Europa, e conseguiu atrair estudantes do mundo todo. O IESE é uma escola global de classe mundial, com foco na pesquisa e excelência do ensino. Destaca-se por seu foco na direção geral, na utilização de métodos de caso, sua expansão internacional e ênfase ao colocar a pessoa no centro das tomadas de decisões. O IESE possui campus em Madri e Barcelona, além de um centro em Nova Iorque e escritórios em Munique e São Paulo. No Brasil, sua sede se localiza junto ao ISE Business School, em São Paulo, onde ministra o Executive MBA Brasil, programa exclusivo voltado aos executivos do país, além do Program for Management Development (PMD), Advanced Management Program (AMP) e o Global CEO Program (GCP), em parceria com a Wharton School e China Europe International Business School (CEIBS). Mais informações podem ser obtidas por meio do site www.iese.edu.

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