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A desculpa em perceber as macro-mudanças que ocorrem ao nosso redor

redacao 11/07/2011
redacao 11/07/2011

Você já ouviu falar na história do \"sapo cozido\"? Ela diz que se você jogar um sapo na água fervente, ele reagirá imediatamente e saltará para fora da panela. Agora, se colocar ele na água fria e aquecer a panela aos poucos, ele ficará lá, quietinho, curtindo o aquecimento da água até que morrerá, literalmente, cozido.

Muitos de nós estamos nadando na água morna, sem perceber que ela está esquentando a ponto de nos cozinhar também. Com o pretexto de estarmos muito ocupados resolvendo o nosso dia-a-dia, não temos tempo para perceber as macro-mudanças que ocorrem ao nosso redor e corremos o risco de acabar como o pobre e iludido sapo da história.

São mudanças sociais, econômicas e comportamentais que estão acontecendo no país e que, apesar de há alguns anos atrás, terem sido tratadas como modismos passageiros ou tendências para um futuro longínquo, são reais e já viraram estatística.

São questões como sustentabilidade, o envelhecimento da população, o crescimento da classe C, o aumento do mercado de solteiros, as redes sociais como canal de negócios, dentre tantas outras. Será que estamos dando a devida atenção a isso tudo?

Há uns dois meses, foi amplamente divulgada na mídia a questão da inversão da pirâmide da idade. Isto quer dizer que, em 2050, o Brasil terá duas vezes mais idosos do que crianças, segundo pesquisa do Banco Mundial (BIRD). Para entender melhor o impacto disso, há 50 anos os idosos correspondiam a 4,9% da população.

Hoje, representam 10,2% e em 2050 o percentual vai triplicar para 29,7% da população. Seremos um \"mercado maduro\". Muitas empresas, que já vêm sentindo a \"água esquentar\", desenvolveram produtos e serviços específicos e saíram na frente. Como exemplo, podemos citar desde cursos de línguas e informática, pacotes de viagens e serviços de enfermagem home care, até agências de casamento para a terceira idade.

E o mercado single? Os solteiros representam 36,6% da população brasileira e movimentam R$ 418 bilhões por ano (pesquisa Data Popular). A maioria está na faixa dos 30 anos, em plena atividade produtiva e com maior poder de compra. Dá para entender porque, já há alguns anos, grandes empresas do ramo alimentício desenvolveram embalagens com menos biscoito, menos leite, menos arroz.

Em algumas secções de determinados supermercados, já é possível encontrar verduras, ovos e frios em embalagens fracionadas. Além do que, isto também contribui para reduzir o desperdício de alimentos.

Cada vez mais usaremos e vestiremos produtos reciclados, levaremos nossas compras de supermercado em caixas de papelão, as casas serão sustentáveis e não teremos mais contas de luz, água ou telefone e nossos filhos, simplesmente, se negarão a consumir produtos e serviços de empresas que não tenham compromisso com o meio ambiente.

Essa mudança comportamental afeta todos os ramos de negócios, desde a indústria até a prestação de serviços e ela está aí, ou melhor, aqui, batendo a nossa porta.

Existem agências especializadas em estudar as macro-tendências de comportamento que pautam o consumo ao redor do mundo. Muito mais do que pesquisar tendências, como cores e tecidos, tão usual no mercado da moda, elas buscam captar o que as pessoas pensam, como elas vivem, seus desejos e valores. Grandes empresas como Nokia, Fiat, Unilever e Pepsico, dentre outras, se valem deste tipo de pesquisa para planejar suas estratégias futuras.

Talvez não precisemos ir tão longe, basta ficarmos mais atentos às informações que pipocam diariamente nas mídias e incluí-las na pauta de nossas reuniões periódicas. Tão importante quanto planejar a próxima semana, o próximo mês ou ano, é planejar o futuro do negócio, o nosso futuro.

Quanto antes notarmos que a \"água está esquentando\", tão mais cedo poderemos nos preparar para \"saltar da panela\" e abrir os olhos para as novas tendências e mercados.

Adriana Moser é consultora da Nível 10 Consultoria Empresarial.

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