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Especialista em varejo fala sobre as mudanças na hora de pagar as compras

redacao 05/08/2013
redacao 05/08/2013

por Kátia Bello*

Quem é um pouquinho mais velho vai lembrar que, quando era criança, caso a mãe começasse a fazer o almoço e faltasse algum ingrediente, era fácil resolver: ela nos mandava ir correndo à “venda” e comprar o que faltou. Para quem é mais novo vale a pena lembrar: “venda” era um pequeno comércio que seria o equivalente hoje a um bar associado a um minimercado.

O atendimento da “venda” normalmente era feito pelo dono e sua família, de maneira muito descomplicada e informal. Muitas vezes a família morava em cima do estabelecimento e, além de serem os comerciantes locais, eles eram também vizinhos de seus clientes.

Tal proximidade de localização e relacionamento conferia certas vantagens aos clientes, dentre elas a facilidade de pagamento. Chegávamos ao balcão, pedíamos o que queríamos e o comerciante anotava na caderneta da nossa família. No final do mês o patriarca passava lá e pagava tudo o que havia sido consumido.

Naquela época não ficávamos em fila de supermercado. Mesmo depois que estes atingiram um maior número de lojas, as “vendas” ainda sobreviveram por um tempo, pois havia o hábito de se fazer a compra do mês no supermercado, que era mais longe, porém havia mais opções e, por vezes, melhor preço. Já para as compras de reposição continuava sendo mais conveniente utilizar a “venda”.

O sistema de pagamento por caderneta (pequeno caderninho com anotações dos produtos consumidos pelos clientes e valores devidos), por mais que algumas pessoas que moram nas metrópoles possam estranhar, ainda é utilizado no Brasil. Quando viajamos pelas lojas fora dos grandes eixos, onde ainda há essa proximidade de relacionamento comerciante-cliente e se pode administrar de perto a pequena escala de risco da “inadimplência”, este modo ainda é visto.

Apesar de a caderneta, para muitos comércios, não ser viável há muito tempo, a busca por conferir facilidade, rapidez e crédito, esticando o poder de compra do cliente, continua.

Quem tem smartphone, por exemplo, pode pagar várias contas/boletos direto no seu celular, e ainda com a facilidade de um aplicativo fazer a leitura do código de barras para agilizar o processo. Assim, de onde você estiver, pode efetuar os pagamentos.

Já no ponto de venda, a evolução da tecnologia também caminha para a comodidade. Tivemos o prazer de elaborar o projeto de implantação em loja do primeiro selfcheckout para supermercado no Brasil, que já está instalado e funcionando muito bem. A aceitação do sistema foi tamanha que já está prevista sua expansão. Ele agiliza muito o processo de pagamento, ou seja, o cliente entra em uma fila única e tem acesso a totens individuais nos quais ele próprio pesa o produto, confere o preço, registra o item, efetua o pagamento e recebe o comprovante de suas compras, sem a necessidade de uma operadora de caixa para estas funções.

A descrição pode parecer um pouco futurista para alguns, mas ela é realidade e foi aceita pelo público porque agregou conveniência e agilidade na fase final da compra, na qual ninguém quer perder tempo: a etapa de pagamento. Bom para o consumidor e bom para o lojista, que pode remanejar funcionários desta para outras áreas, como atendimento ao cliente.

Outra onda virá em breve, quando os produtos tiverem o RFID (identificação por radiofrequência), ao invés de código de barras. Quando isso acontecer, o cliente passará com o carrinho de uma só vez e todos os produtos serão registrados automaticamente, o que agilizará ainda mais o processo de pagamento. Muitas novidades à vista!

Kátia Bello é arquiteta, especialista em comunicação estratégica de varejo e sócia-diretora da Opus Design. katia@opusdesign.com.br

 

 

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