Galinha dos ovos de ouro

redacao 20/09/2012
redacao 20/09/2012

Preste atenção na foto acima, uma cena típica de pequenas propriedades agrícolas do interior. As galinhas ciscam soltas no quintal em vez de se espremerem em aviários confinados e estão livres do consumo de antibióticos e promotores artificiais de crescimento. Coisa do passado? Nem tanto. Há 18 anos no mercado – e com um crescimento do faturamento e da produção que ultrapassa a casa dos 20% nos últimos três anos – a empresa paulista Korin Agropecuária quer provar que é possível produzir em escala e de forma totalmente sustentável. E mais: sem prejuízo às necessidades atuais e futuras da população mundial por alimentos.

A marca produz cerca de 8 mil toneladas de carne de frango e 6,5 milhões de ovos por ano. Motivada por um crescimento de 170% do segmento de frangos nos últimos dois anos, a Korin lançou em maio deste ano a carne suína orgânica. O mix ainda é composto por mel, extrato de própolis, água mineral, sopa instantânea, vegetais orgânicos cozidos e congelados, café e um extenso portfólio de frutas, verduras e legumes in natura isentos de agrotóxicos – além de uma linha de insumos para agricultura que leva a marca Bokashi. Toda a produção segue os princípios da agricultura natural do japonês Mokiti Okada, conceito que inspirou a fundação da Korin, em 1994.

Para a Korin, o modelo convencional de produção de alimentos é insustentável porque impacta negativamente no meio ambiente e na sociedade. A marca defende, por exemplo, que o uso de agrotóxicos na agricultura favorece o desenvolvimento de doenças e a poluição do solo e dos mananciais. Consequentemente, resulta em elevadas somas de recursos financeiros – geralmente públicos – para resolver os problemas gerados. “Está claro que os malefícios deste modelo são muito maiores do que os benefícios que ele traz com relação ao aumento da produção”, afirma o médico veterinário Luiz Carlos Demattê Filho, gerente industrial da Korin.

Cada vez mais consumidores têm pesado esses contras na hora de escolher entre um alimento orgânico mais caro e outro convencional mais barato, segundo o executivo. “No início de nossas atividades éramos vistos com desconfiança. Depois, passamos a ser uma empresa de vanguarda e, nos últimos sete anos, ganhamos muita visibilidade e apoio dos nossos clientes. A demanda por alimentos orgânicos vem crescendo e se estabelecendo. Muitos consumidores já entenderam que, ao pagar mais caro na gôndola, estão minimizando o custo ambiental e social de práticas insustentáveis. A conclusão é: o custo do alimento convencional não é mais barato”, avalia Demattê.

Com o mercado mais aberto aos orgânicos, a marca decidiu em 2012 expandir sua presença no varejo por meio de franquias. A meta é alcançar 100 franqueados nas principais regiões do País, em cinco anos. A curto prazo, a Korin planeja abrir 15 franquias até o final do ano. Com essa estratégia, a expectativa é de alta de ao menos 15% nas receitas anuais. A marca mantém desde 1996 uma loja própria, no formato de showroom, no Bairro Vila Mariana, em São Paulo. “A Korin se tornou sinônimo de produto saudável. Nosso objetivo com a franquia é levar estes produtos a locais onde a demanda não é suprida com a oferta atual”, afirma o gerente comercial Edson Shiguemoto .

O sistema de produção da Korin foi destaque no fórum de discussão sobre cidades e segurança alimentar na Rio+20, a Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável, realizada em junho passado, no Rio de Janeiro. A Korin foi apresentada como exemplo de que é possível produzir em escala e de maneira sustentável, inclusive do ponto de vista econômico. A produção de frango orgânico da marca aumentou cinco vezes desde que o produto foi lançado, há quatro anos. “O problema é que carecemos de apoio para pesquisa na área de produção orgânica. Essas pesquisas são fundamentais para aumentar a produtividade desse modelo”, destaca Demattê.

Na Rio+20, a Korin também foi destaque pelo relacionamento que mantém com sua cadeia produtiva, formada por pequenos produtores rurais. Para Demattê, o modelo convencional promove a exclusão porque empobrece os trabalhadores do campo que acabam migrando para as cidades. “Na Korin, o agricultor é recompensado de forma justa. A empresa produz alimentos promovendo o bem-estar de produtores rurais; dinamiza o campo por meio da compra e aquisição de agroprodutos, como milho, soja, frango, ovos, vegetais orgânicos, entre outros; desenvolve e aplica tecnologias limpas; e, sobretudo, oferece alimentos puros de alta qualidade nutricional, contribuindo assim para a saúde de produtores e consumidores. É um modelo ideal.”

Korin Agropecuária

Fundação: 1994
Crescimento em 2011: 23% (faturamento bruto)
Mix de produtos:
– carne orgânica de frango e suíno
– ovos
– frutas, verduras e legumes in natura
– água mineral
– mel e derivados
– café
– congelados e sopa instantânea
– insumos agrícolas, como fertilizante orgânico
Modo de produção:
– galinhas e suínos criados soltos e com alimentação totalmente vegetal e livre de antibióticos;
– frutas, verduras e legumes produzidos sem uso de adubos químicos e agrotóxicos;
– cadeia produtiva sustentável, seguindo os princípios do comércio justo.

Agricultura Natural

A Korin produz alimentos nos moldes da Agricultura Natural de Mokiti Okada, filósofo e espiritualista japonês que, em 1930, liderou o movimento da agricultura orgânica no Oriente. Seus preceitos fundamentais são: resgatar a pureza do solo e dos alimentos, preservar a diversidade e o equilíbrio biológico e contribuir para a elevação da qualidade da vida humana.

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