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Grifes tentam inovar a roupa que o homem veste no calor

redacao 14/10/2011
redacao 14/10/2011

A temporada de primavera-verão 2012 apresentada pelas semanas de moda internacionais não deixa dúvidas: o homem é a nova mulher. Mas não, isso não significa que o figurino deles está mais feminino – isso está longe de acontecer. A indústria de moda está atenta ao potencial crescente de consumo masculino e tem mostrado novas possibilidades em termos de design, cores e tecidos, além de um leque cada vez maior de acessórios como lenços, bolsas, chapéus.

O objetivo final parece ser o de impulsionar as vendas a cada mudança de estação – como já é feito para as mulheres há muito tempo. As coleções de primavera 2012 mostradas em Nova York e na Europa nas últimas semanas foram um bálsamo de criatividade sobre o guarda-roupa masculino básico, indo muito além do visual de praia (bermudão florido, com camiseta e chinelo).

É sempre um desafio lidar com a moda de verão fora do balneário. Grande parte das marcas masculinas brasileiras, por exemplo, tem dificuldade de adaptar calças de alfaiataria, costumes e até mesmo camisas sociais a temperaturas mais altas. No máximo, selecionam alguns tecidos mais leves, sem se arriscar a mexer muito no velho conjunto calça, paletó, camisa e gravata.

Já os estilistas de grandes “maisons” internacionais sabem que não podem ficar parados esperando pela visita do consumidor apenas quando este precisa repor algum item do guarda-roupa. E, para isso, vêm se esforçado para trabalhar com cores vivas, estampas, tecidos e novos comprimentos. Sorte dos consumidores europeus, que podem andar na moda com conforto, mesmo sob o sol escaldante.

Entre as tendências que surgiram nas passarelas de Milão, Paris, Nova York e Londres estão os conjuntos entre bermuda de alfaiataria e paletó. A combinação, que redesenha o costume tradicional, feito de calça e paletó, foi mostrada por grifes como Antonio Azzuolo, Gant Rugger, Tommy Hilfiger, Hermès, Kenzo, Givenchy, Yves Saint-Laurent e Louis Vuitton.

Algumas coleções chegam mesmo a propor shorts curtos no lugar das calças – uma ousadia e tanto. Mesmo que represente uma subversão neste que é o traje dos executivos, por excelência, o costume com bermuda pode trazer um pouco de frescor ao figurino masculino.

A moda pode demorar a pegar, mas já é um começo. Afinal, como acusar o homem de ser tradicional e avesso a mudanças na moda – desculpa clássica de algumas grifes brasileiras – se não forem propostas novidades de verdade?

Para quem nem pensa em se arriscar com bermudas e shorts, a Hermès, a Dior e a Louis Vuitton propõem calças mais curtas, que revelam um pedaço pequeno das pernas, e ainda assim garantem mais conforto. Esse modelo de calça apareceu quase sempre combinado a sandálias de couro – outro acessório que, vez ou outra, aparece nas vitrines de marcas nacionais mas nunca foi adotado de verdade entre os consumidores brasileiros, sobretudo os mais velhos.

A Hermès seguiu a linha do desfile feminino e mostrou um homem com pinta de viajante chique. A base da coleção é cáqui, branca, preta e grafite, com pitadas de laranja. Como acessórios, bolsas de mão (tendência forte) e sandálias coloridas de couro.

E que tal dar um descanso para as gravatas? As coleções da Hermès e da grife Kenzo substituíram o acessório por echarpes e foulards, bem menos sisudos do que as gravatas, mais de acordo com o verão. Não é o caso para se pensar em abolir de vez a gravata. Mas apenas para dar um “refresco” ao visual, numa estação comumente mais alegre, seja no Hemisfério Norte ou no Sul.

E porque as temperaturas permitem, algumas grifes apresentaram uma versão mais leve das malhas de tricô – item tradicional do guarda-roupa masculino mas que poucas vezes sofre mudanças significativas. As malhas de verão – que estão nas coleções de Canali, Dirk Bikkembergs, Dolce & Gabbana (que usou a tendência até na alfaiataria), Z Zegna, Versace, Jil Sander e Calvin Klein – possuem tramas mais abertas, o que garante certa transparência (às vezes, nada discreta). Bem dosado, o modismo pode compor um visual moderno, sem ser caricato.

Na primavera da Dior, o homem assume o terno claro de vez – coisa que, aliás, as marcas brasileiras ensaiam há tempos, mas nunca fizeram de verdade. A coleção é feita de cinza claro e branco. Para domar o calor, vale até trocar o paletó por um belo colete de alfaiataria. Tudo isso combinado a belos chapéus – outro acessório que serviria como uma luva ao verão brasileiro.

Na estamparia, a corrente mais forte é a dos quadriculados. O xadrez apareceu nos desfiles de Bottega Veneta, Costume National, Etro e Gucci. Esta última fez calças, paletós e até smokings e costumes inteiros com o padrão de quadrados. Já Kenzo e Givenchy não quiseram ser discretos e propuseram estampas florais de tamanho considerável. O estilista da Kenzo, Antonio Marras, se deixou levar pelas cores sem nenhum pudor. Riccardo Tisci, designer da Givenchy, foi elogiado nesta estação por deixar de lado o mundo dark, que já marcou suas criações, para investir na luz e no colorido. Quando não estava inteiro estampado de folhagens, o homem Givenchy estava de branco ou verde-floresta. Coisa para poucos? Talvez. Mas já terá valido a intenção de Tisci, Marras e outros designers que querem deixar o guarda-roupa masculino mais eclético.
 

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