Pequenas empresas geram maior receita do comércio em 2006

redacao 10/12/2009
redacao 10/12/2009

A Pesquisa Anual de Comércio (PAC), feita pelo IBGE, revelou que a receita operacional líquida das empresas comerciais na faixa de até 19 pessoas ocupadas aumentou sua participação de 28,6% para 29,9% entre 2005 e 2006, ultrapassando as empresas com 500 ou mais pessoas ocupadas, que diminuíram sua participação de 29,9% para 29,2%, no mesmo período.

Em 2006, as empresas comerciais varejistas que ocupavam até 19 pessoas concentraram a maior parcela da receita operacional líquida (45,9%), dos salários, retiradas e outras remunerações (55,9%), pessoal ocupado (68,7%) e número de empresas (98,3%) do comércio. Focalizando as empresas com 250 pessoas ocupadas ou mais, a PAC revelou que o salário médio por trabalhador diminuiu de 4,7 salários mínimos mensais para 3,0 salários mínimos mensais, entre 2000 e 2006.

Do ponto de vista regional, a atividade comercial ainda se concentra na região Sudeste, no entanto, entre 2000 e 2006, destacou-se o aumento de participação na receita bruta de revenda da região Norte (de 2,7% para 4,0%) e Nordeste (11,9% para 13,1%), bem como o crescimento de pessoal ocupado (de 5,8% para 6,7%) e salários, retiradas e outras remunerações (de 5,6% para 6,5%) do Centro-Oeste.

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Em 2006, a PAC estimou, no Brasil, aproximadamente 1,6 milhão de estabelecimentos pertencentes a 1,5 milhão de empresas comerciais que, em conjunto, geraram cerca de R$ 1,1 trilhão de receita operacional líquida, ocuparam 7,6 milhões de pessoas, que receberam em salários, retiradas e outras remunerações R$ 61,6 bilhões.

Entre os anos de 2005 e 2006, o atacado permaneceu com a maior parcela da receita operacional líquida, enquanto o varejo foi o segmento com maior participação no número de empresas, número de estabelecimentos, pessoal ocupado e salários, retiradas e outras remunerações, em ambos os anos. A PAC tem como objetivo descrever as características estruturais básicas do comércio no País e suas transformações no tempo em três grandes divisões: comércio varejista, comércio por atacado e comércio de veículos automotores, peças e motocicletas, que representaram, respectivamente, no número total de empresas do setor 83,6%, 7,2% e 9,2%.

Varejo empregava 5,8 milhões de pessoas em 2006

Em 2006, o comércio varejista tinha 1,3 milhão de empresas (83,6%), com aproximadamente 5,8 milhões de pessoas ocupadas (75,8%), despendendo R$ 39,8 bilhões em salários, retiradas e outras remunerações (64,6%), com receita operacional líquida totalizando R$ 443,9 bilhões (41,8%). O comércio varejista também se mostrou importante em relação à margem de comercialização. Em 2006, o resultado foi R$ 109,5 bilhões, 53,3% da margem total. A média de pessoal ocupado por empresa foi de cinco pessoas, enquanto a média salarial ficou em 1,6 salários mínimos.

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Comércio de combustíveis e lubrificantes (R$ 104,8 bilhões) liderou a receita líquida de revenda do varejo. Com apenas 9.808 empresas, a atividade de hipermercados e supermercados obteve R$ 100 bilhões de receita, pagou R$ 6,3 bilhões em salários, retiradas e outras remunerações, e ocupou 722,5 mil pessoas.

Atacado gerou R$ 462 bilhões em receita operacional líquida

O comércio por atacado gerou, em 2006, R$ 462,0 bilhões (43,5%) em receita operacional líquida e reuniu 109 mil empresas (7,2%). A pesquisa revelou que 1,1 milhão de pessoas estavam ocupadas nas empresas atacadistas, 14,8% do total. Os salários, retiradas e outras remunerações pagos no comércio atacadista, R$ 15,1 bilhões, responderam por 24,5% da atividade comercial. A margem de comercialização deste comércio atingiu R$ 73,4 bilhões, 35,7% do total. A média de pessoal ocupado era de 10 pessoas e a média salarial 3,0 salários mínimos.

O comércio de combustíveis e lubrificantes, com apenas 1.870 empresas, liderou a receita líquida de revenda do atacado, com R$ 152,7 bilhões, empregando somente 43,3 mil pessoas. A comercialização de produtos alimentícios, bebidas e fumo, com empresas de distribuição (para restaurantes, hotéis e supermercados) e exportação destacou-se no número de empresas (32 mil), pessoal ocupado (296 mil) e salários, retiradas e outras remunerações (R$ 2,8 bilhões).

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Salários das grandes empresas comerciais diminuíram entre 2000 e 2006

O salário médio por trabalhador das grandes empresas (com 250 ou mais pessoas – ONU) diminuiu, entre 2000 e 2006, de 4,7 salários mínimos mensais para 3,0 salários mínimos mensais, de acordo com a Pesquisa Anual do Comércio. Em 2006, havia no Brasil 1.066 grandes empresas no setor comercial, respondendo por 0,1% do total, proporção que foi a mesma em 2000. Estas empresas geraram, em 2006, R$ 382,6 bilhões em receita operacional líquida, correspondendo a 35,9% do total, enquanto, em 2000, correspondia a 34,4%. As grandes empresas aumentaram em 1,9 pontos percentuais a participação no pessoal ocupado entre 2000 e 2006, alcançando 1,2 milhão de empregados (16,1% do total). A participação das grandes empresas nos salários, retiradas e remunerações permaneceu estável no período, 26,5%, em 2000, e 26,3%, em 2006. Em 2006, foram pagos em salários, retiradas e outras remunerações R$ 16,2 bilhões pelas grandes empresas comerciais.

O comércio varejista foi a atividade com maior número de grandes empresas nos dois anos, embora tenha perdido participação. Em 2000, 66,9% das grandes empresas comerciais eram varejistas, caindo para 59,0%, em 2006. Hipermercados e supermercados foi a atividade com maior participação no número de grandes empresas varejistas, 41,7%, em 2000, e 44,4%, em 2006. Comércio de veículos, peças e motocicletas obteve o maior aumento percentual no número de grandes empresas, passando de 7,4%, em 2000, para 11,5%, em 2006.

As grandes empresas do comércio atacadista foram as que geraram maior receita líquida de revenda no período, aumentando a participação de 51,5%, em 2000, para 55,1%, em 2006. Dentre as atividades atacadistas, as grandes empresas do comércio de combustíveis e lubrificantes destacaram-se com a maior participação na receita líquida de revenda, em ambos os anos, embora esta tenha caído de 60,1%, em 2000, para 56,2%, em 2006. As grandes empresas do comércio varejista perderam participação no total da receita, passando de 45,0%, em 2000, para 37,6%, em 2006.

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Comércio varejista também é principal empregador entre as empresas com mais de 250 ocupados

A estrutura das grandes empresas no total de pessoal ocupado e salários, retiradas e outras remunerações manteve-se estável. Comércio varejista apesar de ter perdido participação no pessoal ocupado, passando de 79,6%, em 2000, para 75,4%, em 2006, foi o principal empregador. Comércio por atacado registrou um aumento de 2,4 pontos percentuais respondendo, em 2006, por 20,2%. Em relação ao pagamento de salários, retiradas e outras remunerações, o comércio varejista foi a principal atividade, embora sua participação tenha caído de 67,4%, em 2000, para 64,2%, em 2006.

As grandes empresas de hipermercados e supermercados foram o destaque entre as atividades varejista em termos de pessoal ocupado e de pagamento de salários, retiradas e outras remunerações nos dois anos analisados. Em 2000, 53,0% do pessoal das grandes empresas varejistas estavam ocupados nesta atividade, caindo para 49,6%, em 2006. Esta atividade respondia, ainda, por 47,5% dos salários, retiradas e outras remunerações das grandes varejistas, em 2000, e por 42,3%, em 2006.

A média de pessoal ocupado por empresa das grandes empresas aumentou no período, passando de 1.084, em 2000, para 1.145, em 2006. As grandes empresas varejistas destacaram-se com a maior média de pessoal ocupado, 1.290, em 2000, e 1.464, em 2006. No comércio varejista não-especializado sem predominância de produtos alimentícios, que inclui as lojas de departamento e bazares, encontravam-se as maiores empresas do varejo, em termos de pessoal ocupado, com uma média de 2.042, em 2000, e 2.162, em 2006.

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O comércio por atacado apresentou as maiores médias salariais, embora esta tenha diminuído de 7,6 salários mínimos, em 2000, para 4,5, em 2006. As grandes empresas atacadistas de combustíveis e lubrificantes destacaram-se no pagamento de salários no atacado, em 2000, cada trabalhador recebia em média 13,9 salários mínimos mensais, caindo para 12,4 salários mínimos, em 2006.

A taxa de margem de comercialização das grandes empresas comerciais diminuiu de 21,2%, em 2000, para 20,1%, em 2006. O comércio varejista destacou-se com as maiores taxas de margem nos dois anos, 30,7%, em 2000, e 32,5%, em 2006.

Em termos de receita média, as grandes empresas atacadistas foram as de maior porte, ficando acima da receita média do total das empresas comerciais. A receita média das grandes empresas do atacado, em 2000, foi R$ 429,8 milhões, contra uma média de R$ 215,1 milhões para o total e, em 2006, a receita média no atacado foi R$ 669,8 milhões, contra uma média de R$ 358,1 milhões para o total. O comércio de combustíveis e lubrificantes foi a atividade atacadista de maior receita média, R$ 2 873 milhões, em 2000, e R$ 6 845 milhões, em 2006.

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