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Pesquisa constata 15 milhões de empresas em estágio inicial no Brasil

redacao 10/12/2009
redacao 10/12/2009

A taxa de empresas em estágio inicial cresceu de 11,6% em 2006 para 12,72% em 2007, o que equivale a 15 milhões de empreendimentos em estágio inicial em todo o País. O resultado faz parte da pesquisa do GEM (Global Entrepreneurship Monitor), que mede as taxas de empreendedorismo no mundo.

Graças aos números positivos, no ano passado o Brasil se aproximou mais dos principais países empreendedores, passando do 10º lugar para 9º no ranking global. O último valor da TEA (taxa de empresas iniciais) brasileira é semelhante à média dos últimos seis anos da participação do Brasil na pesquisa, que é de 12,8%.

Ao se comparar esse valor à média da TEA dos países que participaram de todas as coletas entre 2001 e 2007, pode-se observar que a taxa média brasileira permanece sistematicamente acima da média mundial, que é de 9,07%, que corresponde a cerca de 222 milhões de empreendedores iniciais em todo o mundo.

Países

Os 15 milhões de empreendedores iniciais equivalem a 12,72% da população adulta de 118 milhões de brasileiros com 18 a 64 anos de idade. Nesta edição, a pesquisa GEM permaneceu trabalhando com duas categorias de ranking.

Uma delas é a taxa de empreendedores em estágio inicial, medida a partir da pesquisa com a população adulta que está ativamente envolvida na criação de novos negócios ou à frente de empresas com no máximo três anos e meio de existência. A outra categoria se refere ao universo de empresas estabelecidas há, pelo menos, três anos e meio.

Na categoria de empreendedores iniciais, os países mais empreendedores são Tailândia (26,87%), Peru (25,89%), Colômbia (22,72%), Venezuela (20,16%), República Dominicana (16,75%), China (16,43%), Argentina (14,43%) e Chile (13,43%). Já os oito países menos empreendedores são Japão (4,34%), Suécia (4,15%), Romênia (4,02%), França (3,17%), Bélgica (3,15%), Porto Rico (3,06%), Rússia (2,67%) e Áustria (2,44%).

Já na categoria de empresas estabelecidas, o Brasil ficou em 6º lugar (9,94%). A Tailândia (21,35%) e o Peru (15,25%) também lideram esta categoria, seguido da Grécia (13,31%), Colômbia (11,56%) e Argentina (9,96%). Entre os países com menos empresas estabelecidas estão Porto Rico (2,40%), Israel (2,36%), França (1,74%), Rússia (1,68%) e Bélgica (1,40%). A pesquisa permitiu concluir que Brasil, China e Peru, com taxas de empreendedorismo superiores a 10, têm garantido lugar entre as economias mais dinâmicas do mundo quanto ao empreendedorismo.

Empreendedores por oportunidade, e não necessidade

O GEM também diferencia empreendedores em função de sua motivação para ter um negócio próprio, separando-os entre empreendedorismo por oportunidade e por necessidade. No Brasil, o empreendedorismo por oportunidade vem crescendo desde 2003, atingindo 57% população de empreendedores iniciais, percentual que equivale a cerca de 8 milhões de iniciativas.

Conseqüentemente houve, no mesmo período, redução no número de empreendedores por necessidade, representando 43% (aproximadamente 7 milhões de iniciativas) do total de empreendedores iniciais. Proporcionalmente, para cada indivíduo que empreende por oportunidade, existe outro que o faz por necessidade.

Segundo o diretor-técnico do Sebrae Nacional, Luiz Carlos Barboza, o aumento no nível de empreendedorismo tem a ver com a saúde da economia brasileira, além do elevado espírito empreendedor dos brasileiros. *Depois de algumas décadas, o Brasil está experimentando um período de crescimento continuado*.

Ele acredita que os pequenos negócios, notadamente os nascentes, são mais susceptíveis às variações da economia. São os primeiros a sentir os efeitos de queda de consumo ou dificuldades de crédito, portanto. No entanto, quando a economia vai bem, os negócios sobrevivem mais, estimulando outras pessoas a empreenderem.

Brasileiros tendem a empreender mais de uma vez

O estudo constatou ainda que, no Brasil, o simples fato de o empresário ter optado por investir em outro negócio não significa que o seu empreendimento anterior tenha falido. Motivo: em 31% dos casos desse tipo, a empresa continuou em operação após a saída do empreendedor.

Nos demais casos, o negócio é efetivamente encerrado. Esse percentual se aproxima da realidade mundial, em que um terço dos negócios continuou ativo, mesmo que com outra forma de atuação ou proprietário diferente.

Para o diretor-presidente do Instituto Brasileiro da Qualidade e Produtividade (IBQP), Carlos Artur Krüger Passos, além dessa alta proporção de sobrevivência do empresário e do negócio, após a ‘separação’, outro fator que chama atenção nessa questão da descontinuidade é o *conseqüente aumento do número de empreendedores no País, já que a pessoa que assumiu a direção do negócio também pode ser considerada um novo empreendedor*.

Os empresários foram questionados sobre a principal razão que os teria levado a deixar de exercer a atividade empreendedora, independente de o negócio ter continuado ou não. Dois terços dos empreendedores indicaram, como principais razões, situações relacionadas a problemas econômicos do empreendimento, como baixa lucratividade e dificuldade do empreendedor em obter recursos financeiros para desenvolvimento do negócio.

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