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Setor de serviços é a aposta para negócios do futuro

redacao 10/12/2009
redacao 10/12/2009

O crescimento e a consolidação do setor de serviços é um fenômeno mundial que desponta como a mais nova alavanca da geração de riquezas, empregos, postos de trabalho e novas formas organizacionais na economia globalizada.

Essa é a conclusão imediata que se pode abstrair da obra Serviços em Cena, do professor James Teboul, titular do Instituto de Gestão Estratégica para Dirigentes Empresariais (Insead) da França, e com ela o cientista francês abriu a palestra que proferiu em Brasília no início da semana para conselheiros e dirigentes do Sebrae Nacional e das superintendências estaduais, acadêmicos e líderes empresariais, por iniciativa do senador Adelmir Santana, presidente do Conselho Deliberativo Nacional da entidade.

Para o cientista do Insead, os Serviços são o diferencial que agregam valores aos negócios em todos os níveis do setor produtivo, desde o extrativismo, passando pelo agronegócio, pela indústria, pelo comércio e até a própria prestação de serviços, inserindo-se neles de maneira direta ou transversal. E, ensina Teboul, que a inovação, a criatividade e a tecnologia são aliadas desse setor que, nas últimas décadas, está transformando empresas, mercados de trabalho e consumidores, além de estabelecer novas formas de interação entre eles.

Com a afirmação de que “é preciso se tornar criativo para agregar valores em serviços”, o conferencista lembrou que a rede mundial de computadores destaca-se como grande parceira dos serviços. Para ele, o futuro do setor está nas mãos dos jovens criados na cultura da internet.

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“Eles vão surpreender com novos tipos de empreendimentos, que ainda estão por serem criados. Devemos estimular as empresas desse setor não apenas a prestar serviços tradicionais, mas a criar novos formatos de negócios, novos clientes e novas demandas*, destacou. E fez um alerta sobre a questão. “Falamos em explosão dos serviços, mas não há ainda definição clara para o setor e esta é uma tarefa complexa em tempos de economia globalizada, pois é cada vez mais tênue a diferenciação entre os três setores clássicos: agricultura, indústria e comércio e serviços.

O setor terciário cresce em importância e interdependência para os demais setores e observa-se que está havendo um deslocamento das atividades para este setor. Nos Estados Unidos, por exemplo, diz-se que 77% da população economicamente ativa trabalham em serviços.” Segundo ele, tarefas e profissionais que antes ficavam nas áreas de apoio e de frente das empresas, no novo formato do mercado, passam a ser terceirizados ou integram novas unidades de negócios ou novos empreendimentos de prestação de serviços, promovendo redesenhos nas organizações e novas formas de contratação e relacionamento profissional.

Para James Teboul, a intangibilidade é outra característica do setor. “Serviço geralmente não se transforma em matéria e ao contrário do setor industrial, por exemplo, o estoque significa clientela satisfeita e fiel*, sentencia ele. E enfatiza neste ponto ressaltando a importância do atendimento, considerando que os serviços são a área de frente de todo o setor produtivo e que a customização e interação com a clientela – que considera tendências atuais no mercado mundial de consumo – também são vantagens do setor de serviços.

O professor finalizou sua palestra afirmando que a produção em escala do setor industrial caminha em sentido oposto ao perfil de negócios das empresas prestadoras de serviços e por isso o espaço é próprio para a vocação e perfil das micro e pequenas empresas. E estas, segundo ele tem o viés da inovação e da criatividade e donas de um grande futuro no mundo dos negócios. E aconselhou, é preciso criatividade para alcançar o sucesso no setor e, principalmente, priorizar dentro dessa nova perspectiva, as relações interpessoais, que passam a ser fundamentais uma vez que a gestão passa a valorizar o relacionamento empresa, funcionários e clientes e que esses últimos podem ajudar muito num processo de co-criatividade, co-aprendizado e co-ensino, na construção de um negócio de serviços.

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Serviços no Brasil

O senador Adelmir Santana, presidente do Conselho Deliberativo Nacional do Sebrae, fez juma avaliação da palestra do professor James Teboul, considerando-a de grande importância para o Sebrae, uma vez que o novo fenômeno do setor produtivo em que se transforma o setor Serviço no cenário mundial tem correlação estreita com a expansão da atividade no Brasil, além do que, esse tipo de negócio é da estrita vocação das micro e pequenas empresas.

“O Sebrae já detectou e está sensível a esse fenômeno, já temos estudos em andamento os quais nos indicam preliminarmente que o crescimento da participação de serviços no PIB é uma tendência irreversível, observada em muitos países, como por exemplo, os Estados Unidos, citados pelo professor onde de cerca de 77% da população ativa está empregada no setor. Mas o que considero mais importante do que tudo é que no Brasil, os últimos dados obtidos relativos aos início dos anos 2000, até 2007, indicam que a maior expansão no número de micro e pequenas empresas foi verificada no setor de serviços (28%) – principalmente nos segmentos de informática, transportes terrestres e atividades recreativas, mas é importante salientar que os serviços hoje, são importantes para todos os outros setores da produção, desde o agronegócio, passando pela indústria e chegando ao comércio, agregando valores a todos eles.”

Daí a importância desse grupo de empreendimentos tanto na geração de emprego, como na redução das desigualdades sociais. Hoje, sabemos que no universo dos 2,5 milhões de empresas do ramo de comércio, há 961.784 estabelecimentos que são empregadores, mantendo 4.598 milhões de empregados, enquanto no universo das 1,9 milhões de empresas do ramo de serviços, há 845.629 estabelecimentos que empregam mão-de-obra, ocupando 4.502 milhões de pessoas. O setor Serviço representa na atualidade mais de 40% das MPE, gerando aproximadamente 9% do PIB e 13% da massa salarial brasileira, ocupando como empregados, proprietários ou trabalhadores individuais, quase 9 milhões de pessoas.

A vista desta realidade, e pela necessidade de induzir-se um desenvolvimento regional equilibrado no Brasil, pode-se sugerir a articulação de políticas regionais, industriais comerciais e tecnológicas que possibilitem ampliar a sinergia entre os setores de serviços, da indústria, do comércio e do agronegócio brasileiro. E, o Sebrae tem tudo a ver com isto, pela possibilidade de atuação no desenvolvimento de projetos voltados aos segmentos de serviços pessoais e aos serviços prestados às empresas dos setores de indústria, de comércio e de agronegócio, em razão de sua capilaridade territorial atuando de forma desconcentrada tanto nas capitais quanto no interior.

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