Tentado a entrar na bolsa? Para Santander, indicadores recomendam maior espera

redacao 10/12/2009
redacao 10/12/2009

Em um ano de deflagrada crise do subprime, a volatilidade nas praças financeiras aparenta fôlego como nunca. E na contramão dos esperançosos que apostavam em um descolamento do Ibovespa frente às tensões externas, o mercado brasileiro de ações por muitas vezes vem amargando derrocadas superiores às registradas lá fora.

Derrocadas estas que, por mais que assustem os mais novatos na renda variável, vêm tentando os investidores um pouco mais ousados. Afinal, embora o momento seja de extrema fragilidade no ambiente macroeconômico internacional e doméstico, o Brasil dispõe de perspectivas favoráveis de crescimento, assim como muitas de suas companhias.

Ademais, não é segredo que as oportunidades mais vultosas de lucros surgem justamente no chamado "bear market" – termo comumente cunhado para aqueles mercados imersos em tendência de baixa – uma vez que no furor das turbulências, muitos ativos são excessivamente penalizados. A chave é, portanto, detectar o momento exato de entrar no mercado; saber identificar o "fundo do poço". Simples, porém uma árdua tarefa.

O caminho para uma dura empreitada

E é em rumo a tal empreitada que se lançam os analistas do Santander. Na visão do banco, a montagem de novas posições no mercado de ações no atual momento é particularmente desafiadora, uma vez que decisões precipitadas podem incorrer em perdas dado o risco de continuidade da tendência de baixa. Por outro lado, esperar muito pode fazer com que o investidor perca oportunidades valiosas, não vistas há muito tempo.

Desta forma, qualquer investimento deve ser pensado e repensado com atenção e cautela. Auto-incumbidos de averiguar quais as condições do mercado brasileiro – isto é, se o atual momento é propício a novos investimentos nos papéis nacionais – os analistas do Santander adotam três principais vertentes de indicadores: macroeconômicos, de apetite de risco e outros, como sinais técnicos e múltiplos.

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Grosso modo, o prognóstico traçado pela equipe do banco não é positivo. Dos quinze indicadores examinados, apenas dois trouxeram indícios positivos aos investidores, ao passo que todo o restante recomenda, de forma geral, maior espera e cautela.

Macroeconomia não inspira otimismo…
"Tendo em vista que a economia brasileira se encontra no começo de um ciclo negativo que deve se estender pelo ano de 2009, o que é desfavorável ao mercado de ações, fizemos uso de diversos indicadores relacionados à macroeconomia doméstica", afirma o Santander. De fato, dos quinze indicadores utilizados, oito são atrelados a tal esfera. Apenas um se mostrou positivo.

A inflação se destaca como um dos principais focos de tensão ao País. Na visão do banco, a inflação mensurada pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) só deve atingir seu pico por volta de outubro deste ano. Ademais, a decisão do Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) de intensificar o aperto monetário não deve ser vista como sinal de um afrouxo subseqüente por vir, pelo contrário: a taxa Selic deve agora se manter em uma trajetória de elevações de 75 pontos-base para o banco.

Paralelamente, a atividade econômica também não dá motivos para um otimismo entre os investidores. Os índices de confiança do consumidor e de atividades industrial e comercial devem seguir em movimento declinante nos próximos meses, após já terem atingido seus ápices nesse ano e no ano passado.

A única pista positiva detectada pelos analistas do Santander se deu no mercado de juros. De acordo com o banco, o rendimento das curvas parece ter conquistado seu pico em julho deste ano. Desde então, segundo números compilados pela equipe, a taxa de cinco anos acumula uma queda de 160 pontos-base, negociada em torno dos 13,7% ao ano. Mas um único indicador entre oito inspira pouco otimismo entre os analistas.

…tampouco aversão ao risco e indicadores técnicos
Ainda mais quando cautela também parece ser o tom predominante entre os indicadores de grau de aversão ao risco. Fazendo uso de índices que se dedicam a mensurar a volatilidade nas principais bolsas de Wall Street e em mercados secundários europeus de dívidas privadas, a conclusão do Santander quanto ao risco inerente ao mercado brasileiro é consensual: o momento ainda não é o mais propício para novas aplicações.

Tal constatação é reforçada por outros indicadores, entre eles, a análise do desempenho do S&P 500, índice de forte influência sobre a performance do Ibovespa. Na leitura do Santander, o benchmark norte-americano ainda deve trilhar novas quedas especialmente no encalço da crise no setor financeiro. Ademais, cabe lembrar que o mercado compartilha de projeções de desaceleração chinesa dado o término dos Jogos Olímpicos, o que se comportaria como mais um fator de tensões ao já conturbado cenário econômico global.

Indícios e projeções negativos. A exceção fica por conta de números e gráficos compilados pelo Santander que apontam um Ibovespa sobrevendido. "Nosso indicador tem se comportado bem como sinais de compra/venda desde o início do bull market em 2003", argumenta o banco.

Mas pouco expressivo em um contexto de indicadores predominantemente negativos. É inegável que o atual momento tenha oportunidades atrativas. Mas para o Santander, o ideal ainda é esperar um pouco mais.

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