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Um dos maiores grupos 100% digitais planeja faturamento de R$ 100 mi

redacao 12/09/2013
redacao 12/09/2013

por Alexsandro Vanin

 

Avesso ao uso de gravata, o empresário Luiz Alberto Ferla anda otimista pela sede de sua holding, instalada em um centro empresarial com vista para o mar às margens da rodovia SC-401, novo point comercial na Ilha de Santa Catarina. O ambiente praticamente sem divisórias ajuda no clima de descontração, e ao perceber os flashes – cada vez mais comuns desde que foi eleito líder empresarial 2012 – funcionários mais próximos brincam com o chefe, chamando-o de Steve Jobs. Diferenças à parte, eles guardam semelhanças como a simplicidade, o dom para a liderança e a visão de negócios apurada. Durante o mestrado na Universidades Federal de Santa Catarina (UFSC), um dos principais polos tecnológicos do país, Ferla presenciou – na primeira metade da década de 1990 – a discreta abertura da internet, ainda restrita basicamente a instituições de ensino e pesquisa. “Naquela época não era nada, mas fomos capazes de vislumbrar seu grande potencial de crescimento. Hoje a rede está presente na vida de quase todo mundo”. Quase três bilhões de pessoas de todo o planeta estão conectados à internet, mais de 100 milhões apenas no Brasil, pelos mais variados interesses. “É um mundo de oportunidades, produtos e serviços que se obtém por meio deste mundo digital.”

Ferla é CEO e proprietário, ao lado de Guilherme Ferla Jr., do DOT Digital Group, conglomerado de oito empresas que são referência nos seus mercados de atuação e devem somar cerca de R$ 70 milhões de faturamento neste ano. O primeiro dos empreendimentos foi fundado há 17 anos, mas a marca-mãe acaba de ser lançada neste mês, criada por meio de uma ação inédita no Brasil: uma competição digital, no Battle of Concepts. “É praticamente um caminho natural, tratando-se de um grupo de empresas digitais, utilizar a internet para este processo”, diz Ferla. Uma das vantagens é que o sistema permite a participação de estudantes e profissionais do Brasil, principalmente, e do exterior na disputa. Após três meses de competição aberta, foram selecionados 42 bons projetos, reduzidos a 8 excelentes ideias até chegar à proposta vencedora. “Um projeto excepcional que, a nosso ver, tem tudo a ver com o negócio.”

O ponto comum entre as unidades do grupo é a utilização da internet como plataforma. Depois de Ferla constatar o potencial da rede, surgiu a ideia de montar uma empresa de ensino a distância, o IEA e-Learning, fundada em 1995. “Conhecimento é essencial para os negócios e, por isso mesmo, é um bom negócio”. Pioneiro no segmento, hoje o IEA é líder em e-learning no Brasil, com mais de 2 milhões de pessoas capacitadas e índice de aprovação e satisfação de mais de 95%. Atua de forma estratégica com seus clientes, planejando e operando soluções completas, personalizadas de acordo com as necessidades de cada um.

Com o tempo, muitos clientes passaram a solicitar que o IEA fornecesse notícias e informações para complementar e atualizar os temas estudados, de conteúdo mais estático. Logo isso passou a ser solicitado como serviço independente e, em 2001, foi criada a Knowtec para atuar com inteligência de mercado, concepção e implementação de sistemas de inteligência competitiva e gestão do conhecimento. Hoje é uma das três principais empresas brasileiras na área de inteligência competitiva – no segmento de sistemas de inteligência setorial, é líder. Segundo Ferla, antigamente o problema era acesso à informação, mas hoje com a internet há uma abundância de informações, então o problema é como receber e selecionar as informações que você precisa. “Não adianta ter conhecimento, se não dispuser das informações certas na hora certa.”

O terceiro empreendimento da holding também surgiu de pedidos de clientes. Em 2008, foi criada a Talk para desenvolver estratégias de comunicação digital completas e personalizadas. Com experiência no mercado corporativo, instituições públicas e privadas do Brasil, a empresa realiza planejamento, análise, monitoramento, gestão de redes sociais, presença digital, SEO, conteúdo, constrói portais e cria aplicativos móveis. No Brasil, é um dos principais players no segmento de estratégias de comunicação digital institucional.

A Democracia Digital Brasil (DDBR) surgiu há três anos para cuidar do nicho específico de comunicação digital política, antes atendido pela Talk. Segundo Ferla, a partir de 2008 todos os candidatos passaram a solicitar estratégias no modelo da campanha vitoriosa de Barack Obama à presidência dos Estados Unidos. A DDBR desenvolve toda a área digital, do planejamento às estratégias, ações e ferramentas, como sites, SMS, e-mail marketing, telemídia e redes sociais. Já nasceu líder no segmento no Brasil, desenvolvendo campanhas de candidatos a prefeito a presidente.

Já a quinta empresa do grupo nasceu em 2011 para aproveitar outra oportunidade gerada pela internet e que apresenta tendências de crescimento exponencial: o comércio eletrônico. Em parceria com uma multinacional americana, foi desenvolvida uma solução completa de e-commerce, de ponta a ponta. “Temos uma solução robusta e completa para médias a grandes empresas, da estratégia a todo o sistema de venda, controle e logística”, afirma Ferla.

Em muitos de seus trabalhos, as empresas do DOT Digital Group utilizam jogos educacionais de publicitários. Para fortalecer essa área, no fim de 2012 foi adquirida a TechFront. Pioneiro no segmento, com sete anos de existência e 34 títulos comerciais lançados, no Brasil é o maior estúdio de gamification – estratégia de transferência de informações e de interação entre pessoas e empresas, de maneira lúdica, com base no oferecimento de incentivos que estimulem o engajamento com as marcas. “Além disso, o mercado de games é outro que cresce muito no Brasil e em todo o mundo.”

Sempre atento às evoluções de mercado, Ferla não deixou a expansão das redes sociais passar despercebida. No primeiro semestre de 2013, foi comprada uma participação na SocialBase, startup líder em redes sociais corporativas no Brasil. “As redes sociais são um fenômeno no mundo inteiro, mais de 60 milhões de brasileiros estão nelas”. A SocialBase é uma rede social corporativa segura e privada que tem como objetivo melhorar a comunicação das empresas. Exclusiva para funcionários, clientes e fornecedores, a ferramenta é de fácil utilização porque tem as funcionalidades baseadas nas redes sociais abertas, porém adaptada para a colaboração corporativa.

Também neste ano, foi adquirida participação na SuitePlus, uma das principais fornecedoras de soluções cloud do Brasil para a área de gestão, ligada à americana NetSuite. A SuitePlus tem a solução tecnológica para a administração de toda a empresa – processos de ERP, CRM, e-commerce e business intelligence – em uma única plataforma, com uma única fonte de dados. Possui interface amigável, 100% web, dando maior produtividade aos usuários.

Ponto de mira

A meta do DOT Digital Group é ser líder nacional em todos os segmentos de atuação e chegar a R$ 100 milhões de faturamento em 2014, um aumento de praticamente 40% sobre o que está previsto para 2013. “De forma geral, a DOT Digital Group é o maior do país com todas essas expertises. Este é o nosso desafio, nossa motivação”, diz Ferla. A cifra colocaria o grupo em um seleto rol. Segundo informações da assessoria de comunicação da Associação Catarinense de Empresas de Tecnologia (Acate), não há um levantamento de quantas empresas de Florianópolis ultrapassaram a marca, mas a estimativa é de que sejam bem poucas, caso da Dígitro, Softplan e Reivax. “Temos uma característica distinta de outros polos regionais, que combinam grandes companhias multinacionais como Dell, SAP, Microsoft, Google e T-Systems”, explica o jornalista Rodrigo Lóssio. A capital catarinense conta com 600 empresas de tecnologia, responsáveis por 6 mil empregos diretos e pela geração de R$ 12 milhões em impostos municipais. Ao todo, faturam R$ 1 bilhão.

Na pauta das estratégias destacam-se a formação de parcerias com empresas internacionais e novas aquisições no Brasil. Segundo Ferla, mais uma está em negociação e deve ser anunciada ainda neste ano. Por questões de sigilo da transação, ele só pode adiantar que se trata de uma empresa de comunicação digital do Centro-Oeste. “Nestas aquisições, mantemos os quadros e somamos nossa expertise nas áreas de comunicação, tecnologia e comercial, agregando clientes e ajudando a conquistar novos”, explica. Também estão sendo aplicados recursos em tecnologias, pessoal altamen te qualificado, comunicação e marketing – fins comerciais, para ser mais visível no mercado – e na abertura de novos escritórios, no Rio de Janeiro, Belo Horizonte além dos já existentes em São Paulo e Brasília.

As parcerias têm como objetivo intensificar os negócios na América Latina e nos Estados Unidos, onde procura parceiros na Flórida, Nova York e Califórnia. O grupo já tem três parcerias internacionais estratégicas, uma com uma empresa americana que atua na área de atendimento virtual, outra na área de vídeos, e uma com um grupo europeu de internet em Real Time. “No meio digital, seu mercado é o mundo. Vamos ter uma atuação mais global no futuro.”

Grandes desafios que colocarão à prova toda a capacidade empreendedora, a habilidade para liderar e motivar de Ferla, eleito no ano passado Líder Empresarial pelo Fórum de Líderes do Brasil, resultado da indicação direta efetuada por importantes empresários da Região Sul, que já integram os 1.387 membros da organização, escolhidos em todo o país. Cerca de 300 funcionários dividem-se entre as oito empresas e escritórios em São Paulo, Brasília, Belo Horizonte, Rio de Janeiro e, principalmente, Florianópolis. “Isso é tecnologia, mundo digital, mas acima de tudo são pessoas que desenvolvem isso.”

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