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Varejo sentirá impacto negativo da alta dos juros em 2009

redacao 10/12/2009
redacao 10/12/2009

As empresas do varejo começarão a sentir parte dos efeitos negativos do aumento da taxa de juros, foco da atual política monetária brasileira, já no segundo semestre deste ano. Todavia, será apenas no ano que vem que o impacto virá à tona, notou o economista da ACSP (Associação Comercial de São Paulo), Marcel Solimeo.

Ele explicou que as ações em torno da política monetária sempre implicam uma defasagem, no que se refere aos resultados. "As conseqüências da escalada atual da taxa básica de juros (a Selic), promovida pelo Banco Central, começarão a ser mais fortemente sentidas somente lá para o fim do ano e em 2009".

Entenda as implicações do aumento dos juros

O aumento da taxa básica de juros tem como uma das principais conseqüências a redução dos prazos de pagamento. Em outras palavras, o crédito diminui. "A combinação entre alta de juros e redução dos prazos faz com que o valor das prestações aumente. Como conseqüência, o consumidor deixa de gastar".

Apesar do prognóstico pessimista, Solimeo lembrou que o crédito no Brasil ainda tem muito espaço para crescer. "O crédito no Brasil representa 36% do PIB (Produto Interno Bruto), enquanto na Coréia atinge a marca de 100%, aproximadamente, e, no Chile, de 82%".

Questionado sobre se a política monetária do governo atual não deve minar o crescimento do crédito e prejudicar a produção e as vendas das empresas, ele respondeu que não. "Na realidade, o crescimento deve continuar, mas sob uma velocidade reduzida".

Inadimplência
Neste cenário de menos crédito e prestações mais altas, a inadimplência deve aumentar, segundo o economista. Mas nada aponta para um aumento explosivo. "No entanto, com a alta de juros, a renegociação de débitos fica menos favorável", alertou ele.

O que o empresário deve fazer?
Na opinião do economista, para amenizar os impactos negativos da alta dos juros, o empresário deve ajustar sua política de compras para o estoque.

"Ele deve ter em mente que, se antes esperava-se um crescimento do País de 5% para este ano, esse crescimento deverá ser de 3,5% ou 4%. Se, antes, o varejo trabalhava com uma perspectiva de aumento das vendas de 10%, essa alta deverá, na realidade, ficar entre 7% e 8%".

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