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Chão de gelatina

Por Joel Fernandes 16/08/2012
Por Joel Fernandes 16/08/2012

Eis uma notícia boa: os juros caíram. Eis aí uma oportunidade para os empresários do País renegociarem suas dívidas com os bancos e aliviar a pressão sobre o caixa da empresa. Eis também a necessidade de tomar decisões. O dinheiro que há de sobrar com a queda dos juros será usado para pagar os fornecedores? Para investir em publicidade? Em tecnologia? Para reforçar o capital de giro? Ou não há de sobrar nada?

Jovens psicólogos
Um casal de jovens psicólogos me procurou para ajudá-los a tomar uma decisão. Queriam investir num projeto de levar os serviços de psicologia para as escolas do município em que trabalhavam, pois achavam que havia um vazio de necessidades que eles poderiam atender, uma vez que este tema não era tratado nas escolas nem circulava abertamente pela cidade. Estavam muito entusiasmados com a ideia e queriam abrir uma empresa para tocar este empreendimento.

Como trabalhavam numa clínica, perguntei a eles se havia filas de clientes para serem atendidos no local onde trabalhavam. Responderam que não. E nos concorrentes? Também não. Perguntei então qual era a população do município e me informaram que tinha 60 mil habitantes. Após alguns filtros que aplicamos para a definição do público-alvo especulamos que eles teriam uma renda menor do que atualmente ganhavam. Mas eles insistiram argumentando que o público das escolas estava completamente inexplorado e, portanto, seria uma oportunidade de vida para eles.

Chão de gelatina
A essa altura de nossa conversa pedi a eles que decifrassem a seguinte charada: dois fabricantes de sapatos pediram a seus vendedores que fossem a uma comunidade avaliar a oportunidade de abrir uma loja de sapatos. Um dos vendedores voltou e entusiasmado disse que tinha encontrado uma mina de ouro, pois naquela comunidade ninguém usava sapatos. O vendedor do outro fabricante ao voltar informou para sua diretoria que não havia nenhuma oportunidade, pois lá ninguém usava sapatos. Qual dos dois vendedores avaliou corretamente a situação?

O jovem casal respondeu como a maioria das pessoas tende a responder: a avaliação correta é a do vendedor que enxergou uma oportunidade de negócios. No entanto, esta resposta só estaria correta se a empresa na qual ele trabalhava tivesse uma robusta reserva financeira para suportar os custos da operação da loja e investimentos maciços em campanhas de publicidade durante um tempo longo, o suficiente para mudar os hábitos das pessoas em usar sapatos – e correndo o risco disso não acontecer. Caso contrário, na ausência de capital compatível com o empreendimento eles estariam pisando em chão de gelatina. Afundariam.

Chão firme
Não é incomum empreendedores despreparados e totalmente sufocados pelo dia a dia da operação não perceberem que estão quase sempre pisando em chão de gelatina – capital de giro insuficiente, praça fraca, produto ou serviço sem inovação (réplica de tantos outros), mão de obra desqualificada…

Eis, agora, com a queda dos juros, um bom momento de agir como um empresário com espírito investidor e identificar e transformar o chão de gelatina em chão firme. Essa é uma boa hora para parar de correr e de se capacitar nos fundamentos corretos de uma boa gestão empresarial. É mais fácil ser um empresário feliz com sobra de caixa; no entanto, para se tornar um empresário rico e feliz esta sobra tem de ser duradoura.

www.metododopresidente.com.br

Autor

  • Joel Fernandes

    Autor, entre outros, do livro "Eu quero ser empresário... Rico!" e do site wwww.metododopresidente.com.br

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