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Claudio Nasajon

Paixão por TI fez empresário construir uma das 200 maiores empresas da área no país

Por Raquel Rezende 11/03/2014
Por Raquel Rezende 11/03/2014

A inspiração para criar o próprio negócio chegou cedo na vida de Claudio Nasajon. Com apenas 17 anos, em uma visita a uma feira de computação, ele descobriu o que queria fazer na vida. A partir daí, Nasajon batalhou para conquistar um lugar no mercado de TI que começava a se desenvolver no início dos anos 80. E com o pouco dinheiro que tinha, Nasajon deixou a estabilidade do funcionalismo público e fundou a Nasajon Sistemas, que fornece software de gestão para pequenas e médias empresas. Atualmente, a Nasajon Sistemas é uma das 200 maiores empresas de TI do País.

Nasajon conta que se apaixonou pelo conceito de programar computadores e poder ver o resultado do trabalho realizado muito mais rapidamente do que nos projetos da faculdade de engenharia, curso que ele fazia. O primeiro passo para ele entrar na área foi dado quando conseguiu uma bolsa para aprender programação. Logo depois, Nasajon começou a atuar como estagiário. E quando se sentiu mais experiente, ofereceu seus serviços como programador freelancer e, a partir disso, foi planejando a criação da Nasajon Sistemas. Ele afirma que o empreendedorismo está no seu sangue e se tivesse cem oportunidades para repetir a sua trajetória, faria tudo novamente. “Quando penso que eu poderia ser um empregado público, como fizeram muitos dos meus colegas, simplesmente não me reconheço”, afirma.

Na época que ele começou a empresa tudo foi muito difícil. “Não existiam programas de capacitação empreendedora, aceleradoras de negócios ou capital de risco. Investidor-anjo ou fundos de investimento em startups não faziam parte nem da ficção científica. Tive que pedir dinheiro no banco a juros não muito diferentes do que são hoje. Vendi carro, fiz biscates e virei muitas noites para atender aos clientes”, relata. Segundo ele, quando olha para trás e pensa naqueles dias do início do negócio, sente-se um sobrevivente. Nasajon lamenta que, ainda atualmente, as estatísticas de sobrevivência dos negócios não evoluíram muito. Mas, na visão dele, pelo menos há muito mais oportunidade e mais apoio para quem quer empreender, aumentando as chances de ser bem-sucedido.

Para Nasajon, comandar uma empresa é sempre difícil. “O mar nunca é calmo. Sempre tem concorrentes, mudanças de legislação, de ambiente, de cultura. Não dá para você ficar parado, mesmo se quiser. O mercado sempre cuida para você nunca ficar na zona de conforto. Mas eu diria que os primeiros anos são sempre os mais difíceis. É preciso passar da “arrebentação” para que as ondas não te levem de volta à praia”, analisa. Nasajon explica que a empresa quando atinge o equilíbrio operacional, as receitas recorrentes superam as despesas fixas e cada nova venda é para crescer, melhorar produto, aumentar a empresa. “Mas até chegar essa fase, cada dia tem que caçar um elefante para poder sobreviver e aí é difícil pensar em crescimento”, destaca. Ele avalia que as empresas têm o mesmo problema hoje, só que uma startup, por exemplo, pode vender uma parte do capital para um investidor e garantir a sobrevivência de uma forma mais tranquila até atingir o equilíbrio.

Apesar dessa possibilidade que dá apoio ao negócio no início, Nasajon observa que a chance é oferecida para muitas empresas também. “Assim, tem mais gente correndo atrás do mesmo tesouro”, constata. Ele recorda que quando começou, há 31 anos, não existia tanta facilidade. Mas quem conseguia sobreviver era visto com respeito e referência no mercado. “Muita gente começava e fechava um ou dois anos depois. Hoje, se você tiver um bom projeto na mão, pode conseguir aporte de capital com certa facilidade. Isso não quer dizer que vá fazer sucesso, mas pelo menos consegue remar tranquilo até passar as ondinhas”, compara. Em seus anos de experiência, Nasajon conclui que sempre será difícil abrir e gerir um negócio. “Se quiser moleza, arrume um emprego”, afirma.

E para quem não quer ficar na zona de conforto de um emprego, Nasajon aconselha a começar logo a se movimentar. “Não guarde segredo da ideia, todos têm ideias o tempo todo, o que importa não é a ideia e sim a execução”, alerta. Ele comenta que é pouco provável que num planeta com quase 8 bilhões de seres pensantes, uma pessoa só tenha uma fantástica ideia. E mesmo se tiver, se for o único ser humano vivo a pensar nessa inovadora e fantástica ideia, se conseguir de fato manter o segredo a sete chaves esperando o momento oportuno para reali zar o sonho, a pessoa terá que ter a certeza de que no momento em que vender a primeira unidade do que for, todo mundo vai saber e o seu segredo acabará. “Aí, em três meses já haverá concorrentes que oferecerão algo semelhante, melhor e mais barato. Ideia não vale nada! Se quiser empreender, empreenda. Imperfeito mesmo. Fazendo na mão, sem esperar o motor perfeito, sem ter o design ideal, sem nada do que imagina. Simplesmente faça”, incentiva. Nasajon enfatiza que o aspirante a empreendedor deve estar sempre atento, buscando clientes potenciais, fornecedores e parceiros. “Sinta o que eles pensam e vá modificando a oferta para atendê-los. Em algum momento, você terá sentido o mercado e estará pronto para mostrar a ideia para um investidor conseguir capital e aí fazer um protótipo para vender de verdade. Não espere, faça. A vida recompensa a ação”, destaca.

A ação para consolidar a marca foi intensa para a Nasajon Sistemas ao longo dos últimos 30 anos. Com foco em atender micro e pequenas empresas, que são a maioria no País, Nasajon releva que não é fácil atender esse nicho empresarial. “Quem trabalha com MPEs está sempre entre a cruz e a espada”, diz. Segundo ele, as MPEs são mais acessíveis, é possível falar com o dono da empresa ou alguém muito perto dele. O ciclo de venda é mais curto, mais ágil. Por outro lado, analisa Nasajon, por definição, MPE é micro e pequena, que é outra forma de dizer que não tem muitos recursos. “Então, briga por centavos. Cada real precisa ser justificado, discutido, negociado. Isso desgasta os dois lados. Você precisa sempre brigar pelo preço, o que não é uma estratégia de marketing muito interessante sob qualquer aspecto que se estude”, pondera. Nasajon acrescenta também que é necessário estar constantemente de olho nos custos, o que não é fácil quando se estabelece padrões altos de atendimento e qualidade do produto.

E para atender essa dupla demanda, a Nasajon Sistemas planeja atuar no cloud computing (computação nas nuvens). “Vamos todos para a nuvem. Aí, nesse espaço tão peculiar onde todos se misturam, a ideia é permitir que as MPEs e as grandes empresas possam usufruir de algo básico, mas que é difícil de conseguir: a confiança e a excelência no atendimento”, afirma. A ideia, explica Nasajon, é investir no lançamento de sistemas na nuvem e criar canais localizados nos diversos municípios para ajudar a instalar e dar suporte técnico com a excelência e o atendimento que fizeram a Nasajon se consolidar ao longo dos anos. Na visão do empresário, quem começa uma nova empresa, uma startup, por definição, tem recursos limitados, então não consegue abraçar o mundo, fazer de tudo, e precisa selecionar bons parceiros. “A Nasajon tem investido em relacionamentos de confiança desde a sua fundação e hoje somos reconhecidos com prêmios como Melhores Empresas para se Trabalhar, mantendo bom relacionamento interno e Melhor Solução de Negócios da Associação das Empresas Brasileiras de Tecnologia da Informação (Assespro)”, justifica.

A Nasajon Sistemas também faz parte da TIAngels, uma organização que investe e apoia startups de tecnologia (www.tiangels.com.br), oferecendo vários programas de capacitação profissional, sobretudo, no setor contábil. Além disso, o programa fornece software gratuito para universidades e capacitação de professores com o intuito de favorecer o empreendedorismo e o desenvolvimento de quem quer criar e desenvolver uma empresa. Nasajon conta que, recentemente, a organização trouxe para o Rio de Janeiro o programa do Founder Institute (www.fi.co), maior programa de aceleração de empresas “idea stage” (estágio de ideia) do mundo. O FI já formou mais de 800 empresas de 40 cidades de cinco continentes. “Estou participando de esforços para estabelecer no Rio de Janeiro o primeiro capítulo do FI no Brasil e a Nasajon participará ativamente com oferta de software para os formados”, conta Claudio.

O empresário de TI também tem um blog (www.claudionasajon.com.br) em que divulga uma ‘Lista de Ferramentas para Empreendedores’ com o propósito de facilitar a vida de quem lança um novo negócio. “Veja na aba Empreendedores e Ferramentas. Mas acompanhe com frequência, porque a lista é viva, cresce um pouco a cada dia.”