Nara Iachan (foto em destaque), CMO e cofundadora da Loyalme, revisita sua liderança após a maternidade, com uma gestão mais estratégica e humana
Em um cenário em que produtividade e alta performance ainda são frequentemente associadas à velocidade e ao acúmulo de tarefas, mudanças na forma de viver e trabalhar têm levado os líderes a revisar suas prioridades. A busca por decisões mais estratégicas, rotinas mais sustentáveis e relações mais humanas vem ganhando espaço, especialmente a partir de transformações pessoais que impactam diretamente a forma de liderar.
Foi nesse contexto que a maternidade se tornou um ponto de reflexão na trajetória de Nara Iachan, CMO e cofundadora da Loyalme, startup especializada em soluções de fidelização para grandes empresas. Ao se tornar mãe em março de 2025, a executiva passou a revisar não apenas sua rotina, mas também sua forma de liderar, tomar decisões e desenvolver produtos. Nesse sentido, a executiva elencou os 4 principais aprendizados da maternidade que estão transformando a sua forma de liderar:
1. Tempo é sobre ritmo, não urgência
A primeira mudança apareceu na prática: na agenda, nas pausas forçadas e na impossibilidade de dar conta de tudo ao mesmo tempo. A rotina deixou de comportar excessos, e isso exigiu escolhas mais claras. Com menos tempo disponível, ficou evidente que nem tudo precisava ser feito, e muito menos ao mesmo tempo. Priorizar deixou de ser organização e passou a ser estratégia. Esse ajuste trouxe uma nova forma de operar com menos reatividade e mais intenção. Decisões mais rápidas, menos ruído e um foco maior no que realmente move o negócio.
2. Liderar é nutrir, não controlar
A transformação mais profunda se deu na forma de liderar. Modelos baseados em controle, antecipação e centralização deram lugar a uma liderança que opera a partir de contexto, confiança e desenvolvimento. Mais do que uma mudança de estilo, trata-se de uma mudança de lógica: sair da liderança como mecanismo de pressão para a liderança como ambiente de crescimento. O resultado é um time mais autônomo, mais responsável e menos dependente de validação constante.
“O empreendedorismo me ensinou sobre timing, mas a maternidade me ensinou sobre ritmo. Nem tudo que é urgente é importante, e nem tudo que é importante precisa ser feito correndo. Assim como um bebê não cresce porque você força, mas porque você nutre, uma equipe também precisa de espaço para errar, contexto para decidir e segurança para se desenvolver”, afirma Nara.
3. Crescer é saber o que sustentar e o que recusar
A maternidade também impôs um filtro mais rigoroso sobre o que merece continuidade. Em um cenário marcado por excesso de demandas, oportunidades e estímulos, crescer passou a exigir consistência e coerência. A capacidade de dizer “não” ganhou papel estratégico, não como limitação, mas como direcionamento. Projetos, reuniões e até expectativas passaram a ser avaliados a partir do seu real impacto no negócio e na sustentabilidade da operação.
4. Inovação nasce da escuta e do vínculo
A experiência também deslocou o olhar sobre inovação. Em vez de partir exclusivamente de possibilidades tecnológicas ou ganhos de eficiência, o processo passou a começar na observação, profunda e contínua, do comportamento humano.
“Foi na convivência com meu filho que entendi que inovar é observar. É preciso antecipar necessidades e criar soluções que realmente facilitem a vida das pessoas. Essa escuta ativa amplia a capacidade de antecipação e refina o desenvolvimento de produtos, tornando-os mais aderentes à realidade do cliente. Mais do que inovação incremental, trata-se de construir relevância através de soluções que não apenas funcionam, mas que fazem sentido na vida das pessoas”, finaliza a executiva.



