Empreender é acreditar no futuro

Empreendedor serial, escritor, palestrante que aconselha os empreendedores a sonharem de olhos bem abertos e deixar um legado social. Para ele, sucesso sem felicidade é apenas ganância.

Acari Amorim 16/10/2019
Acari Amorim 16/10/2019

Ricardo Bellino, 54 anos, foi para os Estados Unidos quando tinha apenas 21 anos, sem falar
nada do inglês. Começou como entregador de mercadorias na DHL Em pouco tempo conseguiu
trazer para o Brasil a mega agência de modelos Elite Models, fundada por John Casablancas de
quem se tornou sócio. Foi a Elite que revelou a super modelo brasileira Gisele Bündchen.
Lançou a famosa campanha das camisetas do câncer de mama que engajou milhões de
pessoas. Em 2002, conseguiu apenas três minutos para falar com o então mega empresário
Donald Trump. Nesse curto período, ele convenceu o hoje presidente dos Estados Unidos a ser
seu sócio em projetos imobiliários no Brasil.

Hoje, junto com o sócio Janguie Diniz, comanda o Instituto Êxito para apoiar e fortalecer o
empreendedorismo no Brasil. O Instituto realiza o Summit Empreendedorismo, entre os dias 8
a 10 de novembro, em São Paulo. Também coordena um programa de Aceleração de Pessoas
que envolve o Brasil, Portugal e a Itália com o objetivo de mudar a mentalidade de gestão
pessoal e empresarial. É ainda criador da Escola da Vida. Agora pretende criar uma instituição
de gestão, negócios e finanças disruptiva, que será um unicórnio, uma empresa com valor de
mercado superior a US$ 1 bilhão.
Bellino é autor dos livros “O poder das ideias”, “Sopa de Letras”, “3 Minutos para o Sucesso”
(do seu encontro com Trump) e por último o recém-lançado, “Ninguém é f#dido por acaso”.
Nesta entrevista, Ricardo Bellino sustenta que o empreendedor tem que ser uma espécie de
sacerdote da esperança, ter fé e acreditar na potencialidade da sua empresa e do país.
Seu último livro tem o título “Ninguém é f#dido por acaso”.

O que você acha que faz um empreendedor ser f#dido?

Ser “fodido” ou não ser “fudido”, eis a questão?!

Como bem diz o meu amigo e mentor Janguie Diniz, o sucesso não acontece por acaso. Na
escola da vida que cursamos juntos, aprendemos que o fracasso também não acontece por
acaso, não é mesmo?
Quase poderia defender a tese de que para atingir o fracasso uma pessoa gasta a mesma (ou
uma maior) quantidade de energia (neste caso negativa) do que se assumisse uma atitude
mental positiva de quem procura o sucesso.

Que tipo de sucesso?

Não estou falando aqui de um sucesso efêmero, que busca o enriquecimento rápido, mas
aquele sucesso que se manifesta nas pessoas que buscam prioritariamente a sua realização e
que antes mesmo de encontrar os milhões na conta bancária, encontraram no entusiasmo a
motivação para superar todos os obstáculos que a vida e o mundo dos negócios certamente
apresentaram em seus caminhos na real busca da felicidade.
Aprendemos, a um custo alto, que o sucesso sem felicidade é apenas ganância e nos
transforma em pessoas avarentas; agora, quando priorizamos a nossa felicidade e a daqueles
que nos apoiam, especialmente em nossos momentos de dificuldade e superação de desafios,
encontramos a verdadeira prosperidade. O Dinheiro e a riqueza acumulados são
consequências e resultado de uma jornada pavimentada pela ética e compromisso de não
apenas deixar uma herança material para os nossos herdeiros diretos, mas um legado que irá
inspirar milhares de pessoas pela Herança de uma biografia que nos tornará imortais pela
missão de fazer alguém acreditar que pode, sim, contrariar o seu destino e se permitir
acreditar em um sonho grande, para ser vivido de olhos bem abertos.
O verdadeiro sucesso se manifesta a partir das escolhas que fazemos e do preço que
estivermos dispostos a pagar para trocar uma pequena letra, que pode fazer uma grande
diferença em você ser um fodido ou um fudido na vida.

Você teve a chance de falar por três minutos com Donald Trump. Nessa rápida conversa, você o convenceu a investir no Brasil. O que você acha hoje que foi mais decisivo na época para ele aceitar a sua proposta?

A melhor resposta a essa pergunta está no próprio depoimento de Donald Trump, ao relatar o
nosso encontro: “Mencionei no meu livro Think Like a Billionaire que Ricardo Bellino tinha
exatamente três minutos para me fazer a sua apresentação de negócios. Eu estava
extremamente ocupado naquele dia e não estava particularmente disposto a uma
apresentação de um novo projeto, então pensei que ele poderia desistir e ir embora, o que
liberaria um pouco do meu dia. Ele não apenas não recusou, como também fez uma
apresentação tão boa nesses três minutos que nos tornamos parceiros de negócios. É
surpreendente o que as pessoas podem fazer com um deadline. Menciono isso porque às
vezes temos que nos dar prazos. Pratique fazer sua apresentação em menos de cinco minutos.
Pratique fazendo sua apresentação em menos de três minutos. Você descobrirá que pode ser
um editor eficaz cortando tudo o que não é absolutamente necessário. Seu público ou seus
superiores serão gratos por sua capacidade de destilar a essência para eles”.

Depois de investir em agência de modelo, mercado imobiliário e fundos financeiros, você se considera um empreendedor serial? O que move você a buscar novos negócios?

Sou um apaixonado por novos desafios, especialmente aqueles considerados impossíveis ou
mesmo uma verdadeira loucura pela grande maioria. Como já dizia Walt Disney, “eu adoro o
impossível, pois lá eu tenho muito menos concorrentes”. Quem conhece a minha história, ou
tiver curiosidade de pesquisar, vai entender perfeitamente do que eu estou falando.

Numa nova investida, agora você pretende criar um “unicórnio”, uma empresa para alcançar um valor de mercado de US$ 1 bilhão, na área de educação. Qual será o formato e
abrangência dessa empresa?

Para entrar para o time de edtechs mais valiosas do mundo, estou me associando a pesos
pesados do empreendedorismo como Janguie Diniz e Ernesto Haberkorn. Haberkorn é um dos
grandes empresários brasileiros na área de tecnologia. Fundou, em 1983, a Microsiga que mais
tarde daria origem a Totvs, uma das maiores empresas de software do mundo. O sangue novo
da turma vem de Lucas Moraes, da Edulabzz, startup de tecnologia para educação que
desenvolve jogos e aplicativos educativos e cria aulas em realidade virtual e aumentada. Me
inspirei nas experiências e lições do meu amigo e mentor Janguiê Diniz, o fundador do grupo
Ser Educacional.
Estamos desenvolvendo uma plataforma de ensino, “para pessoas dos 17 anos aos 70”, que vai
revolucionar a experiência de ensino como conhecemos hoje. A proposta é oferecer conteúdo
educacional de forma imersiva, com tecnologia de ponta e foco no aprendizado prático, a
partir da visão, experiência e aprendizados de vida dos quatro empreendedores.

Você pretende criar uma nova metodologia de ensino “disruptiva”. Como será essa
metodologia?

A metodologia está baseada na gamificação e nas metodologias ativas.
A gamificação, bem como as metodologias ativas de aprendizagem e o coaching educacional,
vem como alternativas para promover o aprendizado por meio de práticas ludopedagógicas e
interativas com resultados comprovadamente eficazes.
A experiência com os games vai além do fator entretenimento e passa por outros pontos,
como a necessidade de competição, de feedbacks instantâneos, a possibilidade de evolução
rápida, e a busca por recompensas e prêmios tangíveis, que são características inerentes dos
seres humanos.
Além disso, a criação de comunidades e o senso de urgência trabalhado nos jogos também são
ações que incentivam o participante a continuar jogando, até que os seus objetivos sejam
atingidos.

Os jogos desenvolvem também competências socioemocionias?

Esse é outro fator importante. Os jogos podem desenvolver competências socioemocionais,
pois além de ser uma maneira de engajar as pessoas, eles oferecem incentivos para que os
participantes se sintam empolgados a realizar uma ação ou progredir com uma tarefa.
Com isso, algumas competências socioemocionais podem ser percebidas, como:
Interatividade; Criatividade; Pensamento próprio; Persistência; Senso de urgência; Competição
saudável; Disciplina; dentre outras.
A escola em método tradicional fará cada vez menos sentido, pois vivemos em um conflito
entre duas realidades que torna a escola um ambiente chato: do lado de fora a tecnologia e a
interatividade – aprendizagem horizontal e do lado de dentro o processo de aprendizagem de
modo vertical.

O ambiente de aprendizagem é pouco motivador, pois a maioria dos professores passaram por
essa escola de ambiente conteudista e hoje as pessoas não tem mais esse perfil.

O que faz você apostar no empreendedorismo no Brasil e participar do Instituto Êxito de
Empreendedorismo?

Num país marcado pelo sincretismo religioso, onde convivem pacificamente judeus, católicos,
protestantes, umbandistas, espíritas e muçulmanos, o empreendedorismo é quase uma
religião. Os empreendedores dedicam sua vida a criar empresas e fazê-las prosperar.
Empreender é uma atividade análoga à religião, sim. Esses empresários, de diferentes setores,
fazem um voto de trabalho, reafirmado diariamente com paixão e fé. Paixão, porque
empreender implica entregar-se de corpo e alma, com disciplina, devoção e fervor. É também
um exercício genuíno de fé, porque o empreendedor é aquele que acredita em seus ideais e
mais ainda no país e no futuro.
Esses empreendedores são sacerdotes da esperança, uma inspiração para jovens e
profissionais, tanto de economias emergentes como de países desenvolvidos.

Com o crescimento da tecnologia, da automação e da inteligência artificial tende a aumentar o desemprego. Isso vai estimular o surgimento de novos empreendedores?

Caminhamos para um mundo onde não haverá emprego para todos. A população global terá
maior longevidade. E o que fazer com profissionais aposentados pelo mercado formal,
experientes, saudáveis e com energia para produzir? A atividade empreendedora representa o
futuro do trabalho. Cada paí precisa agora criar o ambiente favorável ao empreendedorismo e
nos negócios.
Segundo o IBGE, o crescimento do PIB brasileiro no ano passado ficou muito abaixo do
desempenho de muitos outros países emergentes. O crescimento baixo da economia brasileira
reflete as dificuldades que as empresas têm para prosperar num solo árido para a atividade
empreendedora. O Instituto Êxito de Empreendedorismo, e outras iniciativas privadas ajudam
a fomentar o espírito empreendedor, mas é preciso que o governo também faça a sua parte
para que essas sementes sejam abençoadas e germinem num solo propício, para a felicidade e
o bem de todos.

O brasileiro cria muito mais empresas por necessidade (a partir da perda de emprego, por
exemplo) do que perceber uma boa oportunidade de negócio. Na sua avaliação por que isso acontece?

Estamos ancorados em uma cultura, aonde o “Brazilian Dream” por muitas décadas foi a
conquista da estabilidade de um bom emprego e a tão sonhada aposentaria para desfrutar
paraísos tropicais utópicos, tomando caipirinha debaixo de um coqueiro, em uma praia
deserta… Quando essa realidade vira um pesadelo causado pelas crises econômicas e o
desemprego, vem o desespero e a necessidade de sair da zona de conforto por total falta de
opção. Li recentemente um dado que me alarmou, mais de 54% dos empreendedores querem
deixar os seus negócios por um bom emprego (fonte PFGN). Algo está muito errado no país da
ordem e progresso!

Você criou um programa para “acelerar pessoas”. O que você pretende passar para as pessoas?

Meu programa de acelerar pessoas uni estratégias globais de liderança, gestão e finanças com
processos disruptivos de mudança de mindset, ou seja, transforma o conjunto de atitudes
mentais que influencia diretamente o comportamento e o pensamento de cada pessoa. Esse
será o objetivo do Programa “Aceleração de Pessoas” que começa em Portugal e termina na
Itália, numa imersão de sete dias. A primeira turma, que será composta por um grupo
exclusivo de 50 participantes, fará parte do programa inaugural entre os dias 21 a 27 de
outubro.
A coordenação do programa está a cargo da parceria que celebrei com a Nova SBE (School of
Business and Economics), uma das mais prestigiosas escola de economia, gestão e finanças do
mundo.
Serão três dias de workshop no campus da Nova SBE, em Carcavelos (Portugal) e mais quatro
dias na Comune di Bellino (Itália), sede da School of Life Academy.

Em que segmento ou segmentos empresariais você investiria pensando no futuro do Brasil?

Certamente nos segmentos de Edtech e Fintecs.