De lavanderias a mercados autônomos: empresa catarinense mira 30 unidades em quatro meses

Resolver uma compra, lavar roupas ou acessar um serviço sem grandes deslocamentos ganhou peso na rotina das cidades. Verticalização, apartamentos menores e uma vida cada vez mais pressionada pelo tempo vêm abrindo espaço para negócios baseados em proximidade, conveniência e autoatendimento.

É nesse mercado que a catarinense Aquamagic tenta agora transformar a experiência acumulada com lavanderias self-service em um ecossistema mais amplo de negócios de conveniência. Criada em Itajaí em 2020, em plena pandemia, a empresa lança a Neomarket, rede de minimercados autônomos que começa a expansão pelo Sul com uma meta de curto prazo: comercializar pelo menos 30 unidades até dezembro de 2026.  O prazo dá dimensão à aposta. Com investimento inicial a partir de R$ 49 mil, 30 unidades representam potencial de pelo menos R$ 1,47 milhão em novos investimentos em cerca de quatro meses.

A nova marca nasce apoiada em uma estrutura que a Aquamagic levou seis anos para desenvolver, com expansão de franquias, implantação de unidades, tecnologia, treinamento e acompanhamento remoto de operações. A proposta é aplicar essa inteligência a um segundo setor, mantendo uma lógica semelhante: operação enxuta, gestão à distância e menor dependência de mão de obra permanente no ponto.

Embora condomínios residenciais e empresariais estejam entre os principais focos, a estratégia prevê também unidades compactas e operações instaladas dentro de outros estabelecimentos, como escritórios, lojas, barbearias e lavanderias. A primeira Neomarket, inclusive, nasce anexa à primeira Aquamagic, em Itajaí. A combinação já despertou o interesse de alguns franqueados da rede de lavanderias, que avaliam instalar o mercadinho tanto junto às próprias unidades quanto em condomínios de suas regiões. “Não tem lugar melhor para a Neomarket nascer do que dentro da primeira Aquamagic”, afirma Diego Ventura, fundador das duas redes.

A nova aposta parte de uma empresa que já ganhou escala. A Aquamagic fechou 2025 com R$ 19,8 milhões em faturamento e projeta chegar a R$ 25 milhões em 2026, valor que considera apenas a rede de lavanderias. Atualmente, segundo Ventura, são 170 unidades em operação e mais de 200 comercializadas.

A trajetória começou com duas unidades próprias em Itajaí. Pouco depois da inauguração da primeira lavanderia, em outubro de 2020, um diretor de uma rede de supermercados que se instalava na cidade convidou os empreendedores a abrir uma segunda operação dentro de uma das lojas. Em menos de dois meses, o novo ponto estava pronto. “Montamos a segunda unidade faturando zero ainda, mas acreditávamos muito no modelo de negócio”, lembra Ventura.

A reprodução de layout, equipamentos, sistema e operação mostrou aos fundadores que o negócio poderia ser replicado. Em 2021, a empresa começou a estruturar o formato de franquia e iniciou a expansão no ano seguinte. A primeira unidade fora de Itajaí foi aberta em Santa Maria, no Rio Grande do Sul. Depois vieram Fortaleza, cidades do interior do Piauí e outras regiões do país.

O crescimento obrigou a companhia a desenvolver uma estrutura capaz de acompanhar operações distribuídas geograficamente. Instalação, programação dos equipamentos, treinamento, suporte e boa parte da gestão passaram a funcionar de forma remota.

A automação, porém, não significa ausência de gestão. “Rodar sozinho quer dizer que não é o franqueado que está lá lavando a roupa de ninguém. São as máquinas fazendo isso. O papel do franqueado é gerir essa operação, que é uma empresa como qualquer outra”, diz Ventura.

É essa combinação entre tecnologia e gestão que os fundadores querem levar agora para os minimercados autônomos. A escolha do novo segmento também acompanha uma mudança no comportamento urbano. Quanto maior a verticalização e menor o espaço dentro das residências, maior tende a ser a procura por soluções capazes de resolver necessidades cotidianas perto de casa.

“Quanto mais as pessoas morarem em apartamentos pequenos, mais faz sentido para o modelo de lavanderia funcionar. O modelo de mercadinho autônomo segue a mesma lógica”, afirma Ventura.

Na lavanderia, essa dinâmica aparece quando uma tarefa que depende de equipamento e espaço é transferida para fora de casa. No mercado autônomo, na possibilidade de comprar um item de reposição dentro do próprio condomínio ou no mesmo local onde o consumidor já está, sem transformar uma necessidade simples em um novo deslocamento.

Para os fundadores, a entrada nos mercados autônomos é uma extensão da experiência construída desde 2020. A aposta é que a mesma inteligência usada para transformar duas lavanderias próprias em uma rede nacional, tecnologia, gestão remota, padronização e acompanhamento de operações, possa sustentar agora a expansão de um segundo negócio de conveniência.

A diferença é que a Neomarket começa de um ponto muito diferente daquele em que nasceu a Aquamagic. Seis anos atrás, Diego Ventura e Carleise Gambini ainda estavam descobrindo se uma lavanderia self-service poderia ser replicada. Agora, entram em um novo mercado com uma estrutura já construída e uma meta definida: comercializar pelo menos 30 unidades até dezembro de 2026

Facebook
Twitter
LinkedIn