Maior laboratório de medicamentos genéricos revela sua receita de sucesso

Marlon Aseff 07/03/2017
Marlon Aseff 07/03/2017

 

O caminho que levou o empresário Carlos Sanchez, proprietário da EMS, maior fabricante de remédios genéricos do Brasil, ao topo do mercado, nem sempre foi um mar de rosas. Mas isso não impediu que o atual magnata dos medicamentos chegasse ainda jovem a ostentar o posto de um dos homens mais ricos do país, com uma fortuna estimada em R$ 7,5 bilhões. No início, foi seu Emiliano Sanchez, pai de Carlos, que teve o mérito de colocar o primeiro tijolo daquela que seria uma das maiores empresas do ramo farmacêutico mundial e peça essencial de uma poderosa holding, o Grupo NC.

Na modesta farmácia Santa Catarina, um pequeno negócio familiar sediado em Santo André (SP), reza a lenda que não havia hora para o atendimento aos necessitados. Seu Emiliano era um farmacêutico abnegado e querido pela população local. O prestígio entre a comunidade e um espírito empreendedor a toda prova levou o patriarca dos Sanchez a criar uma pequena indústria, destinada à fabricação de remédios de relativa simplicidade. Nascia ali, em 1964, a EMS, na vizinha cidade de São Bernardo do Campo. Pouco mais de 40 anos depois, sob a batuta de seu filho Carlos, a empresa atingiu uma impressionante marca que gira em torno dos R$ 6 bilhões anuais em vendas.

Pouco afeito a entrevistas ou a badalações sociais em excesso, Sanchez é conhecido pela agressividade no mercado e uma surpreendente tendência ao investimento em obras de arte. Pelo menos foi assim que muitos brasileiros passaram a conhecê-lo, quando em 2012 ofertou nada menos que 85 milhões de dólares pelo quadro O Grito, do norueguês Edvard Münch, durante um leilão na Sotheby’s, de Nova Iorque. Não levou o quadro, arrematado por quantia superior, mas voltou com um Picasso para Campinas.

Já a relação com o mercado, especialmente com os laboratórios estrangeiros, é bastante atribulada, desde que a EMS entrou em campo com um time quase imbatível de advogados, destinados a quebrar patentes e ganhar o direito de produção e comercialização de grandes sucessos de venda no planeta, como o similar ao Viagra, entre outros.

Desde a morte do pai, em 1988, Sanchez empreendeu uma escalada ascendente no mercado nacional. Quando herdou o negócio, a EMS estava envolta em um saldo negativo, com dívidas acumuladas e um futuro incerto. Sanchez teve o mérito de dar a guinada na hora certa, vendendo ativos e reerguendo a empresa até o limiar do ano 2000, quando a entrada no mercado de genéricos guindou a EMS a um crescimento nunca antes alcançado por uma fabricante nacional de medicamentos. De lá para cá, a empresa incorporou o laboratório Legrand Pharma, mudou-se para um grande complexo industrial em Hortolândia e montou a Germed Pharma como divisão de negócios. Em 2009, a Legrand e a Germed passaram a atuar como empresas independentes, sob a batuta de Sanchez.

Em 2012, o magnata dos remédios fechou um acordo histórico para o setor farmacêutico nacional, ao associar-se com as concorrentes Hypermarcas, Aché e União Química, na criação do Bionovis, considerado um dos maiores laboratórios do país e a grande multinacional brasileira da área farmacêutica.

Primeira empresa a produzir medicamentos biotecnológicos 100% nacionais, a Bionovis nasceu com o objetivo de promover a pesquisa, desenvolvimento, produção e comercialização de biofármacos, medicamentos obtidos a partir do emprego da tecnologia do DNA recombinante, que se utiliza de células para a produção de proteínas terapêuticas. Segundo os acionistas, a nova empresa tem por meta, através da união de ações que envolvam o setor público e privado, ampliar o acesso da população aos biofármacos de alta complexidade e medicamentos inovadores.

Mas a história não parou por aí. Em 2013, foi criada a Brace Pharma, empresa da EMS sediada em Maryland, nos Estados Unidos, focada em desenvolvimento de medicamentos inovadores e, no ano seguinte, surge a CPM, a Concessionária Paulista de Medicamentos. Em 2014, é inaugurada na zona franca de Manaus, a Novamed, uma das cinco maiores e mais modernas fábricas de medicamentos sólidos do planeta.

Com a diversificação de empresas do ramo farmacêutico em franca expansão, surge a holding Grupo NC, como um grande guarda-chuva a abrigar todas as empresas onde Carlos Sanchez tem sociedade majoritária. Reunindo um poder de fogo invejável e mais de 9 mil colaboradores, distribuídos entre 10 empresas, o Grupo NC já figura entre os maiores conglomerados do país.

A trajetória do dono da EMS, no entanto, não ficou atrelada ao ramo dos medicamentos. Em 2008, uma pista já indicava que Sanchez estava disposto a trilhar novos caminhos e ampliar seus investimentos. A criação da ACS Incorporadora, destinada a atuar nos segmentos de incorporação imobiliária, construção e urbanismo mostrava que sua conhecida agressividade empresarial estava disposta a ganhar campos ainda não explorados. Isso se confirmou com a surpreendente compra, em março deste ano, das operações de rádio, televisão e jornal do grupo gaúcho de comunicação RBS, em Santa Catarina.

O negócio, que girou em torno dos R$ 700 milhões conforme fontes não oficiais, tinha na sociedade o empresário Lírio Parisotto, que saiu logo depois, deixando todo o controle para o Grupo NC. E, ao que tudo indica, o apetite por ampliação e diversificação dos negócios da NC ainda está longe de ser saciado. Recentemente a holding anunciou a entrada no mercado de energias alternativas, com a aquisição de ativos de energia eólica, da Odebretch Energias Alternativas. A participação contempla o Complexo Eólico Corredor do Senades, localizado na cidade gaúcha de Rio Grande.

O Complexo, que já está em operação, tem capacidade de gerar energia suficiente para abastecer uma população de 650 mil habitantes. Com a aquisição, o complexo passa a atuar sob a marca de negócios NC Energias Renováveis. Para Carlos Sanchez, a aquisição veio ao encontro da proposta de diversificação eleita pelo grupo. “Acreditamos firmemente que a energia limpa terá papel cada vez maior na matriz energética brasileira, proporcionando mais qualidade de vida e crescimento sustentável ao Brasil e à sociedade”, afirmou.

Ao que parece, não existem segmentos proibidos para a expansão que o grupo liderado por Carlos Sanchez pretende, nos próximos anos. De comunicação à energia limpa, de empreendimentos imobiliários ao mercado bilionário dos medicamentos genéricos, tudo indica que um gigante está surgindo no horizonte empresarial brasileiro.

Os números líderes da EMS

Ano

2000 – Primeira empresa a produzir medicamentos genéricos no Brasil

2005 – Primeira empresa do ramo farmacêutico a exportar para a Europa

2010 – Primeira empresa a colocar no mercado importantes medicamentos que tiveram as patentes expiradas nos países de origem

2011 – Primeira empresa a lançar no mercado nacional as moléculas valsartana e rosuvastatina

2013 – Primeira empresa brasileira a investir em inovação nos Estados Unidos, com a criação da Brace Pharma

2014 – Entrada no mercado oncológico

2016 – Ampliação de investimentos em inovação radical, inovação incremental, medicamentos biológicos e genéricos de alta complexidade

NÚMEROS DA GIGANTE

1 bilhão de medicamentos produzidos ao ano

5 mil colaboradores em todo o país

40 países clientes

10 anos liderando o segmento de genéricos

80 patentes concedidas em todo o mundo

 

 

 

 

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