Por Marcelo Kotaki, CIO do Grupo Multilixo*
Em mercados complexos e altamente regulados, a segurança das decisões está diretamente ligada à qualidade da informação disponível. Setores como o de gestão ambiental e infraestrutura operam sob variabilidade constante de volume, riscos, demanda logística e muitas exigências regulatórias, cada decisão impacta custo, conformidade e continuidade de serviço. Nesse contexto, dados deixam de ser suporte analítico e passam a estruturar o processo decisório.
O desafio é que muitas organizações ainda operam no “escuro”:
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Informações distribuídas em sistemas que não se falam.
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Registros manuais sujeitos a erros.
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Dados que chegam tarde demais para mudar o jogo.
Esse modelo cria leituras parciais da realidade operacional e aumenta a exposição ao erro. Decisões estratégicas e táticas acabam sendo tomadas com base em aproximações, o que pode gerar desvios de custo, inconsistências regulatórias e perda de previsibilidade e confiança.
A evolução tecnológica permitiu alterar esse cenário, mas não apenas pela adoção de ferramentas – a tecnologia sozinha não resolve – o ponto central está na arquitetura de informação. Quando tecnologia operacional, sistemas de campo, plataformas logísticas, controles ambientais e ambientes corporativos compartilham dados de forma estruturada, passa a existir uma base única de leitura da operação. Isso reduz divergências entre áreas, melhora a qualidade dos indicadores e sustenta decisões recorrentes com menor margem de incerteza.
No setor de resíduos, essa integração se traduz em rastreabilidade de fluxos, monitoramento de ativos, leitura de produtividade operacional e controle de conformidade ambiental com maior granularidade. O valor não está apenas no volume de dados gerado, mas na capacidade de conectá-los de forma coerente.
Dados isolados informam, enquanto dados integrados orientam.
Esse avanço exige governança. Sem critérios claros de captura, validação e padronização, a informação perde confiabilidade. O papel da tecnologia, nesse cenário, não é apenas disponibilizar sistemas, mas garantir integridade, rastreabilidade e consistência ao longo do ciclo de vida do dado. É isso que permite que indicadores sejam comparáveis, auditáveis e úteis para decisões executivas.
À medida que setores críticos passam a operar sob maior pressão por eficiência, transparência e conformidade, a maturidade no uso de dados deixa de ser diferencial e passa a ser requisito. Em ambientes complexos, decidir com base em informação confiável não elimina risco, mas reduz incerteza. E, para organizações que operam em escala, essa diferença impacta diretamente a sustentabilidade do negócio no longo prazo.
*Marcelo Kotaki é CIO do Grupo Multilixo, ecossistema de soluções em gestão de resíduos e economia circular, líder no Estado de São Paulo. Na companhia, conduz a estratégia tecnológica, promovendo a evolução da arquitetura, a integração de sistemas corporativos críticos e o fortalecimento de uma cultura data-driven em operações complexas.
Formado em Ciência da Computação, construiu carreira como executivo de tecnologia à frente de projetos de alta complexidade, entre eles a liderança da maior integração tecnológica do varejo da América do Sul, durante a fusão entre BIG e Carrefour. Ao longo da carreira, passou por empresas como Arcos Dorados (McDonald’s), Petz e TOTVS e, em 2025, foi reconhecido pelo programa TOP 50 Executivos de Destaque, da 7th Experience.



