Alta de fraudes no Pix passou a fazer parte da operação das empresas e exigir mais controle, diz especialista

Regulação mais rígida e aumento das notificações levam negócios a integrar tecnologia e compliance sem perder eficiência

Com o avanço do Pix e sua consolidação como principal meio de pagamento no Brasil, a discussão sobre segurança ganhou um novo patamar dentro das empresas. Dados do Banco Central do Brasil mostram que as notificações de fraude no sistema superaram a média de 390 mil por mês em 2024, acompanhando o crescimento do uso da ferramenta. Nesse cenário, a fraude deixa de ser tratada como um evento pontual e passa a ser encarada como uma operação contínua, que exige monitoramento constante, tecnologia e adaptação rápida às novas regras do regulador.

“A fraude no Pix deixou de ser uma exceção e passou a fazer parte da rotina operacional das empresas. Isso não significa que o sistema é inseguro, mas sim que o volume e a velocidade das transações exigem uma abordagem mais estruturada de prevenção”, afirma Victor Papi, General Manager da Transfeera, empresa da PayRetailers que atua como instituição de pagamentos (IP) para o mercado corporativo “Hoje, as empresas mais maduras já tratam esse tema com times dedicados, uso intensivo de dados e revisão constante de regras”.

Nesse contexto, as atualizações regulatórias do Banco Central reforçam a necessidade de processos mais robustos. Medidas recentes ampliam a rastreabilidade das transações, fortalecem mecanismos de devolução em casos de fraude e aumentam a responsabilidade das instituições na prevenção. Para empresas que operam com alto volume de pagamentos, especialmente no modelo B2B, isso significa integrar tecnologia, compliance e gestão de risco de forma mais estratégica, sem comprometer a eficiência operacional.

“A regulação do Pix tem evoluído na direção certa, ao equilibrar inovação com segurança. As novas regras trazem mais clareza sobre responsabilidades e ajudam a padronizar práticas que antes variavam muito entre instituições”, explica Papi. “Para as empresas, isso se traduz em mais previsibilidade e em um ambiente mais seguro para escalar operações”.

Na prática, o combate à fraude passa por uma combinação de fatores. Monitoramento em tempo real, análise de comportamento transacional, validação de dados e automação de processos são alguns dos pilares que vêm sendo adotados por empresas que buscam reduzir riscos sem perder agilidade.

“O desafio não é apenas evitar a fraude, mas fazer isso sem criar fricção na operação. Empresas que dependem de pagamentos em larga escala não podem abrir mão de eficiência”, conclui Papi. “Por isso, a tendência é que a segurança esteja cada vez mais integrada à jornada de pagamento, de forma inteligente e quase invisível, sustentada por tecnologia e por uma leitura contínua do comportamento das transações”, finaliza o especialista.

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