João Carlos Martins da Rosa

por Raquel Rezende (raquel@empreendedor.com.br)

De jogador de futebol a empreende­dor, a trajetória profissional de João Carlos Martins da Rosa é marcada pela diversidade. Ex-zagueiro do Internacional de Porto Alegre na década de 1980, ele acumula experiências como manager esportivo, investidor no ramo de diversões e coordenador de uma empresa de pesquisa de mercado. Sempre atento às oportunidades, quando ainda atuava na área de pesquisa, ele teve a ideia que norteou o início do seu negócio mais inovador e promissor. “Notei que há uma carência muito grande no mercado no que diz respeito ao reaproveitamento de forma econômica e ecológica do asfalto retirado das ruas e estradas.” Com essa ideia na ca­beça, em 2012 ele deu início à operação da SolPav, especializada em soluções ecológicas para recuperação asfáltica.

Com sede em São José (SC), em pouco tempo a empresa extrapolou os limites do Estado e chegou a São Paulo, onde fechou parceria com a Sabesp, uma das maiores companhias de saneamento básico do Bra­sil. Muito além do tradicional “tapa-buracos”, os serviços oferecidos pela SolPav chamam atenção pela inovação. “Atualmente não exis­te uma reposição asfáltica eficiente, o que existem são empresas que fazem a obra e as prefeituras, por exemplo, que fazem manu­tenção. Essa manutenção é feita tapando bu­racos, o que depois de um tempo volta tudo novamente”, aponta João Carlos.

Inédita no Brasil, a solução utilizada pela empresa já é empregada com sucesso nos Estados Unidos e Alemanha há mais de 40 anos. Ao contrário do reparo convencional – que exige a remoção do asfalto antigo de um local e sua substituição por asfalto novo – a nova tecnologia de infravermelho ace­lera a reparação por aquecimento, fusão e compactação de asfalto fresado, otimizando a utilização de equipamentos, mão de obra e material. Assim, é possível oferecer recu­perações mais ágeis e eficientes em diversos tipos de vias e rodovias.

Intitulada “Eco Tratamento Asfáltico”, a solução da SolPav diferencia-se por permi­tir o reaproveitamento do asfalto que seria descartado em outras hipóteses. “Mais do que aproveitar, nós recuperamos essa pavi­mentação, independente do tempo que ela estava na via, deixando o asfalto com qualidade de novo e garantindo maior durabilidade, que chega a 12 meses”, diz o empresário. Se­gundo ele, a economia do processo varia en­tre 40% e 90%, se comparado aos métodos convencionais, sem contar os benefícios ao meio ambiente e à mobilidade urbana, uma vez que a tecnologia permite liberar as vias restauradas em instantes.

Adaptada à realidade brasileira, a máqui­na desenvolvida pela SolPav restaura o local em, no máximo, 10 minutos, evitando con­gestionamentos e liberando o fluxo do trân­sito em seguida, para tráfego normal. Além disso, não há poluição sonora ou danos ao meio ambiente durante o processo. Paten­teado pela empresa, o sistema sela trincas e buracos para evitar quaisquer desníveis no trecho. O calor de até 500ºC gerado pelo in­fravermelho penetra de forma rápida e pro­funda no asfalto, fazendo com que ele mude seu estado de sólido para maleável. “Após alcançar a consistência ideal, é adicionada a emulsão asfáltica necessária para que o local se recupere, através da perfeita fusão, sem fissuras, costuras ou defeitos entre o novo e o antigo pavimento”, explica João Carlos.

Outro destaque é o fácil manuseio do aparelho, que requer pouca mão de obra – até três pessoas – para a sua execução, ga­rantindo ainda mais economia às empresas que utilizam o serviço. “Além do reaproveita­mento em 100% do asfalto reciclado, pode­mos usar qualquer tipo de massa tal como o PMF e o Usinado a quente tornando nosso método bastante econômico e ecológico.”

A primeira cidade brasileira a fazer uso da tecnologia no País foi Lages, na Serra Catari­nense. “Fizemos uma intervenção em uma das ruas da cidade e o resultado foi muito sa­tisfatório. Conseguimos reaproveitar grande parte do asfalto que já estava na via, o temido passivo dos cofres públicos que gera custos administrativos, mesmo sendo um asfalto de quase 20 anos”, diz o empreendedor.

Embora detentora de uma tecnologia de ponta, a empresa também enfrentou muitos desafios até conquistar a estabilidade atual, que lhe garante crescimento de até 15% ao ano. O primeiro deles foi adaptar a solução às condições e clima do Brasil, processo que levou dois anos entre estudos e testes. De­pois, com a empresa já lançada, João Carlos viu-se às voltas com um dilema comum a praticamente todos os empresários brasilei­ros: lidar com as instabilidades no panorama da economia brasileira. Empreendedor de longa data, ele não se deixou abater. “São incertezas que sempre enfrentei em minha carreira desde o princípio.”

Com taxa de crescimento anual oscilan­do entre 12% a 15%, em 2013 a SolPav focou na prospecção de novos clientes, incluindo diversas prefeituras da Região Sul do Brasil, o que promete um ano agitado em 2014. “Hoje atendemos empresas públicas e priva­das. Temos ampla condição de atendimento em rodovias de todos os tipos; aeroportos e estacionamentos de shopping, supermer­cados e condomínios fechados”, comemora João Carlos.

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