Empresas fracionaram o estoque, reduzindo o ticket médio em 22,5% para equilibrar compras de volume e itens de maior valor agregado
O tradicional movimento de abastecimento para o Dia dos Pais passou por uma transformação estrutural. Um levantamento inédito realizado pela Qive, plataforma líder em contas a pagar, revela uma mudança de estratégia no reabastecimento em 2026: o setor está comprando em maior frequência, mas reduzindo o valor de cada operação.
Entre janeiro e julho de 2026, o volume de Notas Fiscais Eletrônicas (NFe) emitidas nas categorias B2B analisadas cresceu 46,1% em relação ao mesmo período de 2025, saltando de 96 milhões para 140,3 milhões de documentos. O valor movimentado subiu 13,2%, alcançando R$44,7 bilhões. No entanto, o ticket médio por compra recuou 22,5%, caindo de R$411,55 para R$318,86.
“O aumento do número de transações, combinado à queda do ticket médio, mostra que as empresas estão comprando mais vezes, mas em valores menores por operação. Esse movimento exige mais precisão no planejamento, porque indica uma gestão de caixa mais cautelosa e decisões de compra cada vez mais fracionadas”, explica Vitor Araújo, Head de AI Lab da Qive.
A polarização do reabastecimento: escala versus margem
Essa queda no ticket médio esconde uma estratégia polarizada no reabastecimento. Para balancear o fluxo de caixa, o varejo dividiu as apostas em duas frentes: itens de alto giro/preço de entrada e itens de alto valor agregado/margem.
No segmento de vestuário e acessórios, ao realizar o comparativo do período de janeiro a julho de 2026 em relação ao mesmo período do ano passado, pode-se verificar que as camisas masculinas ganharam escala, com um salto de 42,3% no volume de compras, o que compensou a queda de 24,4% no ticket médio. Na contramão, os relógios de pulso cresceram 20% em volume e cresceram 46% em valor movimentado, impulsionados por um ticket médio 21,7% maior.
Já alguns itens tradicionais sofreram queda, o que confirma uma tendência de perda de espaço no planejamento do mercado. As meias registraram uma queda de 4,6% no volume, e o segmento de cuecas e pijamas recuou 2,2%.
O novo motor de 2026: higiene e cuidados pessoais masculinos
O destaque da pesquisa fica para o setor de cuidados pessoais masculinos, onde o mercado buscou equilibrar volume e rentabilidade.
A categoria de perfumes e águas-de-colônia registrou um aumento de 88,2% no volume de compras empresariais, porém sofreu uma queda de 46,2% em seu ticket médio, com um montante praticamente estável de 1,4%.
Já as navalhas firmaram-se como o grande destaque de valor da categoria, registrando uma alta de 36,1% no ticket médio nas compras efetuadas junto aos fornecedores e distribuidores. O movimento indica que o comércio apostou em produtos de nicho e acabamento superior para atrair o consumidor final no Dia dos Pais.
“Diante de um fluxo de caixa mais apertado, a recomposição de estoque deixou de ser linear: itens de alto giro ganham frequência de compra em lotes menores, enquanto produtos de valor agregado entram para defender a margem. O fornecedor que não lê esse comportamento de demanda na ponta perde precisão no planejamento de produção e distribui mal seus produtos”, explica Vitor.
Ou seja, o sucesso nas grandes datas comemorativas não depende mais de intuição ou tradição, mas da leitura ágil do comportamento de reabastecimento com a soma de histórico e leitura de tendência. Quem continuar apostando apenas no “mais do mesmo” corre o risco de ficar com os estoques encalhados nas prateleiras, enquanto a nova era da estética e do autocuidado masculino dita as regras do lucro e movimenta a economia.
“O gargalo do reabastecimento B2B é a falta de visibilidade sobre o ciclo de compras. Toda empresa já tem na sua base de notas fiscais o histórico em tempo real de volume, preço e frequência dos pedidos. Quando você conecta esses dados à inteligência preditiva, a decisão de reabastecer deixa de ser reativa e passa a ser estratégica, evitando tanto o encalhe de estoque quanto a ruptura na prateleira”, finaliza o executivo.
*metodologia: É importante ressaltar que o estudo não identifica os setores específicos dos emissores ou destinatários, nem afirma categoricamente que as mercadorias foram destinadas exclusivamente para o Dia dos Pais, tratando-se de uma análise de correlação temporal do reabastecimento do mercado.



