Passei a infância vendo meu pai empreender, quebrar, recomeçar e insistir. Anos depois, construí uma carreira corporativa em busca da estabilidade que não tive em casa. Foi preciso a iniciativa da minha esposa e uma franquia da Ecoville, maior rede de franquias de produtos de limpeza do país, para eu perceber que talvez não estivesse fugindo do empreendedorismo, mas apenas procurando o meu jeito de empreender.
Minha relação com os negócios começou cedo. Aos 12 anos, trabalhei como panfleteiro e, aos 13, acompanhei minha mãe abrir uma loja de calçados, que não
deu certo. Meu pai também deixou o emprego para abrir uma empresa de construção civil, onde fui seu ajudante de pedreiro. Depois vieram outros negócios,
como uma serralheria, uma padaria e uma serraria, que chegou a ter 15 funcionários antes de ser destruída por um incêndio. As dificuldades financeiras
fizeram com que a família vendesse a casa e, em determinado período, até morasse de favor. Ver tudo isso teve um efeito curioso sobre mim: em vez de me estimular a empreender, fez com que eu buscasse segurança. Aos 18 anos, entrei para o Exército e, depois, construí uma carreira de mais de uma década na área
corporativa, passando por gestão, processos, planejamento e estratégia. Estudei engenharia mecânica e me especializei em gestão, até chegar à posição de
assessor da diretoria.
Uma lembrança do meu pai, porém, mudou a forma como passei a enxergar essa história. Em 2011, após sua morte, encontrei uma agenda na qual ele havia planejado negócios para cada um dos três filhos. Aquilo me marcou. Apesar dos fracassos, ele nunca havia perdido a vontade de construir algo. Percebi que o
empreendedorismo fazia parte dele e, de alguma forma, de mim também. Em 2014, quando minha esposa, grávida da nossa primeira filha, decidiu deixar o
emprego para empreender, inicialmente relutei em abrir mão da estabilidade profissional. Convencido por ela, encontramos na Ecoville uma oportunidade de negócio alinhada a um mercado ainda pouco explorado em Itapema (SC), onde não havia uma empresa profissional do setor de limpeza, e também ao nosso sonho de morar na praia. Deixamos Joinville (SC) e nos tornamos franqueados da marca.
Levei para a operação minha experiência em gestão, planejamento, indicadores e controle financeiro, e a unidade se tornou a principal franquia da rede por quatro anos consecutivos. Os resultados chamaram a atenção dos fundadores da Ecoville, que identificaram em minha gestão um modelo que poderia contribuir para o crescimento de toda a rede. Então, em 2022, fui convidado a assumir a posição de CEO da empresa, levando para a franqueadora a experiência adquirida na operação da unidade e mantendo, ao mesmo tempo, minha atuação como franqueado.
Hoje, a Ecoville tem mais de 300 operações no Brasil, mais de 2 mil SKUs e projeta crescer 30% em 2026. Para mim, porém, o principal resultado dessa trajetória está no aprendizado. Cresci vendo meu pai enfrentar fracassos, passei anos buscando estabilidade e só dei uma chance ao empreendedorismo quando minha esposa me mostrou uma possibilidade diferente.
Agora entendo que talvez eu nunca tenha realmente fugido do empreendedorismo. Eu só precisava encontrar o lugar em que experiência, gestão, família e vontade de construir algo novo fizessem sentido juntos.



