Ele já vendeu uma empresa por R$ 26 milhões, e decidiu que era hora de começar de novo

Empreender, para mim, sempre esteve muito mais relacionado a identificar problemas e buscar soluções do que a seguir um caminho planejado. Aos 17 anos, durante um intercâmbio na Noruega, encontrei uma forma pouco convencional de
complementar minha renda, bati à porta de um clube local e me ofereci para dar aulas de tênis. Foi uma experiência simples, mas que me ensinou algo que carreguei para os negócios: muitas oportunidades começam quando estamos
dispostos a enxergar possibilidades onde elas ainda não estão claras.

Sou natural de Florianópolis (SC) e me formei em Administração pela UFSC. Comecei a empreender ainda jovem, primeiro com uma empresa de licitações eletrônicas. Foi justamente enfrentando problemas no meu próprio negócio que
encontrei a próxima oportunidade. A dificuldade com logística me levou a olhar para um problema maior do mercado e, ao lado dos meus sócios, criei a Axado, uma startup de tecnologia para gestão de fretes no e-commerce. A empresa cresceu, passou a atender grandes varejistas e marketplaces e, em 2016, foi adquirida por uma das maiores plataformas de comércio eletrônico da América Latina por R$ 26 milhões. Na época, a Axado já estava integrada a mais de 2,5 mil lojas virtuais e 580 transportadoras.

O que fazer depois de vender uma empresa?

Depois da venda da Axado, eu passei por um período de transição. Em vez de assumir uma posição executiva, preferi me aproximar de outros empreendedores e conhecer diferentes modelos de negócio. Foi nesse processo que comecei a identificar problemas recorrentes em empresas que poderiam dar origem a novas oportunidades. Eu percebi que o que realmente me motivava era continuar construindo. Conhecer outros empreendedores e acompanhar de perto os desafios de diferentes negócios me ajudou a enxergar novas oportunidades e entender onde eu poderia contribuir novamente como empreendedor.

Foi assim que cheguei ao franchising. Ao acompanhar o crescimento das redes, percebi um desafio que se repetia: quanto maior uma empresa ficava, mais difícil era manter comunicação, processos, treinamentos e indicadores alinhados entre todas as operações. Em 2018, decidi transformar esse problema em um novo negócio e criei a Yungas.

Hoje, a empresa reúne em uma única plataforma comunicação, treinamentos, auditorias, checklists, indicadores, compras, suporte e recursos de inteligência artificial. Também ampliamos a atuação para além das franquias, atendendo
empresas com operações próprias, revendas e outros modelos de negócios distribuídos. Atualmente, conectamos mais de 32 mil operações e atendemos mais de 200 redes, no Brasil e no exterior.

Empreender também é saber recomeçar
Minha trajetória me mostrou que empreender não significa acertar de primeira ou seguir uma linha reta. O primeiro negócio me levou ao segundo, o segundo ao exit e, depois, o exit me levou novamente ao ponto de partida: identificar um problema e construir uma solução.

Para mim, empreender sempre esteve muito ligado à capacidade de recomeçar. Cada negócio trouxe um aprendizado diferente, mas também me mostrou novos problemas e novas oportunidades. Depois de vender a Axado, começar a Yungas foi uma escolha consciente de voltar para esse processo de construir, testar e aprender novamente.

Hoje, vejo que o desafio também muda conforme o negócio cresce. No começo, estamos muito concentrados em encontrar uma oportunidade, conquistar os primeiros clientes e fazer a empresa funcionar. Depois, quando a operação ganha. escala, surgem outras questões, como manter a eficiência? Como preservar a cultura? Como continuar próximo do cliente? Como tomar decisões com mais informação sem tornar a empresa mais complexa?

É nesse momento que tecnologia e dados deixam de ser apenas ferramentas e passam a fazer parte da própria estratégia do negócio. Na Yungas, a inteligência artificial representa uma nova etapa desse processo, ajudando a transformar o grande volume de informações gerado pelas operações em análises, insights e apoio à tomada de decisão.

O próprio mercado também mudou. O franchising, segmento em que a Yungas começou sua trajetória, encerrou 2025 movimentando R$ 301,7 bilhões e chegou a R$ 76,3 bilhões no segundo trimestre de 2026, alta de 9,3% sobre o mesmo período do ano anterior. O crescimento das redes aumenta também a complexidade de administrar operações distribuídas.

É justamente essa experiência que levo de uma jornada para outra, empreender é perceber que cada etapa traz um novo problema para resolver. Às vezes, isso significa começar uma empresa. Em outras, vender o negócio que você construiu. E, em alguns momentos, ter coragem para começar tudo de novo.

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