Eles largaram a CLT e hoje comandam escolas de idiomas que faturam mais de R$50 mil por mês

A estabilidade da carteira assinada já não é mais o principal objetivo de muitos jovens brasileiros. Segundo dados do Global Entrepreneurship Monitor (GEM), mais de 50% dos brasileiros entre 18 e 34 anos desejam ter o próprio negócio, índice que coloca o país entre os mais empreendedores do mundo.

No mesmo sentido, um levantamento do Sebrae aponta que 6 em cada 10 jovens consideram empreender uma opção de carreira mais atraente do que o emprego formal, impulsionados pela busca por autonomia, flexibilidade e maior potencial de renda. Dentro desse universo, o setor de educação tem se destacado. Dados da Associação Brasileira de Franchising mostram que o segmento de franquias educacionais registrou crescimento de cerca de 9,8% no número de operações em 2025, além de movimentar quase R$ 16 bilhões no ano, evidenciando a expansão e a alta demanda por serviços educacionais no país.

É nesse cenário que surgem histórias como a de Victoria Claro, 28 anos, e Jaína Kaeski Pelli, 32 anos, que trocaram carreiras tradicionais pelo empreendedorismo no setor de educação e hoje colhem os resultados dessa decisão. Formada em enfermagem, Victoria construiu sua carreira na área da saúde, marcada por rotinas intensas e jornadas exigentes.

Apesar da identificação com a profissão, começou a questionar o estilo de vida que levava. “Chegou um momento em que percebi que precisava de uma vida mais alinhada aos meus valores e objetivos pessoais. A rotina hospitalar é muito intensa e, embora eu gostasse do que fazia, sentia falta de autonomia e flexibilidade”, conta Victoria.
A virada veio ao resgatar uma experiência do passado: antes de se formar, Victoria havia trabalhado por anos em uma escola de idiomas. A conexão com a educação, somada à influência familiar no setor, foi determinante para a mudança de rota. “Entendi que, de certa forma, continuo cuidando de pessoas. Na escola, incentivamos, acompanhamos e ajudamos nossos alunos a conquistarem novos horizontes. Isso me deu coragem para mudar de caminho”, afirma a empreendedora.
O início, no entanto, foi desafiador. A unidade foi inaugurada uma semana antes da pandemia. “Foi um cenário de incertezas. Tivemos que nos reinventar rapidamente, adaptar processos e manter a confiança das famílias”, finaliza.

Cinco anos depois, a escola se consolidou como a maior da região dos Campos Gerais, em Ponta Grossa, hoje profissionaliza mais de 500 alunos, resultado de uma gestão estruturada e do trabalho em família.

Para a advogada Camila Nicolau, especialista em franchising do escritório Tardioli Lima, esse movimento de transição da CLT para o empreendedorismo tem ganhado força, especialmente entre profissionais mais jovens “Existe uma mudança clara de mentalidade. As novas gerações valorizam mais autonomia, flexibilidade e propósito. O modelo tradicional de carreira já não atende a todas essas expectativas”, afirma.

Segundo ela, o franchising surge como uma alternativa estratégica nesse cenário. “O sistema de franquias reduz significativamente as incertezas de quem está começando. O empreendedor passa a contar com uma marca já validada, suporte contínuo, processos estruturados e um modelo de negócio testado. Isso traz mais segurança na transição de carreira.”

Já a trajetória de Jaína e seu marido, Vinícius, também reflete essa busca por crescimento e independência. Ela, professora desde a adolescência e formada em Letras; ele, com carreira consolidada no setor bancário. “O que nos moveu foi perceber que a CLT tinha um teto. Queríamos crescer mais, construir algo nosso”, explica Jaína.

A oportunidade de abrir uma franquia surgiu de dentro da própria escola onde ela atuava. Com conhecimento do modelo e confiança na marca, o casal decidiu empreender. “Não foi um salto no escuro. Eu já conhecia o negócio por dentro e acreditava muito no projeto. Além disso, eu e o Vinícius nos complementamos: eu na parte pedagógica e ele na gestão e no financeiro.”

Mesmo em uma cidade onde a marca ainda não era consolidada, o crescimento veio rápido: em apenas seis meses, a unidade atingiu o ponto de equilíbrio. Logo depois, enfrentaram o desafio da pandemia. “Foi um momento de união. Nosso foco foi manter a qualidade e garantir que nenhum aluno desistisse. Ter uma franqueadora estruturada fez toda a diferença.” Hoje, o casal atribui o sucesso à presença ativa na operação e ao foco constante na excelência. “Qualidade é uma escolha diária”, resume.
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