Com avanço do Banking as a Service, negócios de diferentes setores buscam novas fontes de receita e experiências completas para os clientes
O avanço do Banking as a Service (BaaS) tem transformado a maneira como empresas de diferentes setores incorporam serviços financeiros em suas operações. Segundo a Fortune Business Insights, o mercado global de BaaS foi avaliado em US$ 22,68 bilhões em 2025 e deve alcançar US$ 108,03 bilhões até 2034, impulsionado pela adoção de soluções financeiras integradas por empresas que buscam ampliar seus serviços sem assumir a estrutura tradicional de um banco.
No Brasil, o movimento acompanha a evolução do ecossistema digital de pagamentos, com empresas incorporando recursos financeiros às suas jornadas de negócio para oferecer experiências mais completas aos clientes.
“Durante muito tempo, oferecer serviços financeiros exigia investimentos elevados, conhecimento regulatório específico e uma infraestrutura complexa. O BaaS mudou esse cenário ao permitir que empresas utilizem tecnologias já disponíveis para criar soluções financeiras integradas ao seu negócio principal, ampliando a relação com seus clientes e abrindo novas possibilidades de receita”, afirma Victor Papi, General Manager da Transfeera, empresa do grupo PayRetailers que atua como instituição de pagamentos (IP) para o mercado corporativo.
O Banking as a Service funciona por meio de plataformas que disponibilizam infraestrutura tecnológica e regulatória para que empresas não financeiras ofereçam produtos e serviços financeiros aos seus próprios públicos. Nesse contexto, a atuação de instituições reguladas e o cumprimento das normas estabelecidas pelo Banco Central são importantes para garantir segurança, transparência e conformidade às operações.
Na prática, companhias de diferentes segmentos podem incorporar recursos como Pix, contas de pagamento, cobranças e movimentações financeiras sem precisar construir internamente toda a estrutura necessária para operar nesse mercado.
A adoção do modelo também acompanha uma mudança no comportamento das empresas, que passaram a enxergar os serviços financeiros como uma extensão de suas próprias operações. Ao integrar pagamentos, recebimentos e outras soluções à jornada do cliente, esses negócios conseguem reduzir fricções, melhorar a experiência de uso e criar novos pontos de contato com seus públicos.
“O diferencial do BaaS está justamente na possibilidade de permitir que empresas foquem em sua atividade principal enquanto contam com parceiros especializados para disponibilizar a infraestrutura financeira. Isso reduz barreiras de entrada e permite que diferentes negócios ofereçam soluções mais personalizadas, sem precisar assumir a complexidade operacional e regulatória de uma instituição financeira”, explica Papi.
O crescimento desse mercado acompanha a expansão do conceito de embedded finance, no qual serviços financeiros passam a fazer parte da experiência de consumo de diferentes setores, como varejo, tecnologia, logística, marketplaces e plataformas digitais. Com isso, empresas que já possuem relacionamento com clientes encontram no BaaS uma oportunidade de ampliar suas ofertas, aumentar a eficiência de processos e fortalecer sua proposta de valor.
“Nos próximos anos, a tendência é que os serviços financeiros estejam cada vez mais integrados às experiências que as empresas já oferecem aos seus clientes. O papel do BaaS será tornar essa evolução mais acessível, segura e eficiente, permitindo que negócios de diferentes segmentos criem soluções financeiras alinhadas às necessidades de seus públicos”, finaliza o executivo.


