Diversidade na liderança e equidade salarial ainda desafiam mulheres

Para executivas Itali Collini, Diretora da Potencia Ventures no Brasil, e Fabiana Ramos, CEO da PinePR, ainda há muitos caminhos para atingir igualdade de gênero no ambiente corporativo

Eventualmente, a mídia e a sociedade têm diversas discussões sobre os espaços ocupados por mulheres. Em sua maioria, reflete-se um panorama promissor, com dados e informações que remetem a sensação de que o público feminino esteja chegando mais próximo da equidade e alcançando lugares de decisão do mercado.

Porém, de acordo com o Índice Global de Disparidade de Gênero 2025, divulgado pelo Fórum Econômico Mundial, que monitora o tema desde 2006, no ritmo atual de avanços e retrocessos, a igualdade levará mais 123 anos, ou cinco gerações, para alcançar a paridade total. O Brasil ocupa o 72º lugar no ranking.

Para Itali Collini (foto em destaque), Diretora da Potencia Ventures, grupo de investimentos voltado para negócios de impacto social, no Brasil, a diversidade não é uma pauta identitária, mas sim estratégia de alocação eficiente de capital e geração de valor. Lado a lado com fundadoras de startups e investidores do mercado de inovação, a especialista reforça que a diferença de investimento em empresas lideradas por mulheres, que receberam apenas entre 1,7% e 2,7% do capital de risco anual nos últimos 15 anos, não é falta de dados, e sim de mudança.

“Temos que continuar provando que essa diferença não é sobre ambição ou competência feminina, mas concentração histórica de poder, redes e capital, e também sobre quem sempre esteve na sala onde as decisões são tomadas. Meritocracia, na prática, não existe em um jogo onde o acesso às oportunidades já nasce desigual. Essa desigualdade é refletida com a ausência de mulheres nas mesas de decisão, o que impacta diretamente os produtos que usamos, os serviços que consumimos e as soluções que deixam de existir”, explica Itali.

Ainda para ela, este não devem ser apenas momentos de conscientização, mas sim oportunidade de falar de accountability, responsabilização e mudança.

Neste sentido, a equidade salarial também é um desafio que ainda precisa ser discutido – e longe da realidade, mesmo com avanços nas discussões. De acordo com a 8ª edição do estudo Women in the Boardroom, da Deloitte, apenas 6% dos CEOs no mundo são mulheres. Para Fabiana Ramos, CEO da Pine, agência de comunicação especializada em PR e conteúdo estratégico para marcas inovadoras, a disparidade entre homens e mulheres no ambiente corporativo continua sendo uma evidência difícil de ignorar.

“É difícil pensar que os salários iguais entre homens e mulheres ainda não são uma realidade consolidada e que apenas cerca de 6% delas ocupam cargos de CEO nas empresas. Estar hoje nessa posição me faz perceber ainda mais o quanto esses espaços continuam sendo majoritariamente masculinos. Isso acontece mesmo com diversos estudos mostrando que lideranças femininas podem trazer ainda  mais resultados, ampliam a diversidade de perspectivas e contribuem para decisões mais estratégicas nos negócios. O que falta hoje não são evidências, mas mudanças reais nas estruturas que ainda limitam o acesso das mulheres aos espaços de poder”, finaliza a CEO da Pine.

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