Levantamento aponta tendência de alta no combustível e especialista alerta para impactos na estrutura fiscal das transportadoras
O preço do diesel S10 registrou uma escalada de 28,80% em apenas um mês no Brasil, gerando uma pressão imediata sobre os custos logísticos nacionais. Levantamento da TruckPag, empresa de tecnologia de pagamentos com soluções completas para frotas pesadas, aponta que o valor médio do combustível saltou de R$ 5,74 para R$ 7,39 entre o final de fevereiro e o final de março.
A análise, baseada em transações reais de abastecimento em mais de 4.600 postos, revela que o movimento de elevação é contínuo e disseminado, com estados como a Bahia já registrando altas de 39,15% no período e transações que já encostam no patamar de R$ 7,60 por litro.”
“A alta do diesel tem impacto direto e imediato no caixa das transportadoras, principalmente porque o combustível representa uma das maiores despesas da operação. O desafio é que esse aumento nem sempre é repassado na mesma velocidade para o frete, o que acaba comprimindo margens. Com o monitoramento em tempo real que fazemos na TruckPag, conseguimos dar mais previsibilidade para o gestor agir, mas o cenário ainda exige muita atenção”, afirma Kassio Seefeld, CEO e fundador da TruckPag.
Os dados da empresa são baseados em transações reais de abastecimento realizadas em todo o Brasil, o que permite acompanhar a evolução dos preços ao longo da semana e antecipar tendências que só seriam divulgadas posteriormente por indicadores oficiais. Esse tipo de variação frequente, além de impactar diretamente a operação logística, também começa a trazer reflexos na esfera tributária, especialmente em contratos de transporte e na previsibilidade de custos fiscais.
Do ponto de vista tributário, a escalada do preço do diesel também acende um alerta importante para o setor de transporte rodoviário. De acordo com Rafael Pandolfo, advogado tributarista, a alta do combustível impacta diretamente a composição de custos tributários
“Um impacto crítico para as transportadoras reside no ICMS sobre a prestação de serviço de transporte. Embora o ICMS dos combustíveis seja monofásico e invariável em relação ao preço do diesel, a majoração do preço do frete como consequência do aumento do combustível eleva a base de cálculo do imposto sobre o serviço. Na prática, há um incremento da carga tributária sem que haja acréscimo da margem de lucro”, explica.
De acordo com o advogado tributarista, outro ponto de atenção está na dificuldade de repasse imediato dos custos dos combustíveis ao valor do frete, o que pode reduzir margens.
“No lucro real, a alta do diesel reduz o lucro tributável e, em tese, diminui o IRPJ e a CSLL devidos. Mas esse alívio é apenas aparente, porque decorre simplesmente de um aperto da margem de lucro. Paga-se menos imposto porque se ganha menos. No lucro presumido, o problema pode se acentuar. Como o IRPJ e a CSLL são calculados sobre percentuais fixos da receita bruta, a tributação não acompanha a queda da lucratividade. Ou seja, se a margem encolhe, a base presumida continua a mesma. Assim, a empresa que não conseguir repassar o custo acaba pagando proporcionalmente mais imposto justamente quando está ganhando menos.”


