Especialista ​explica por que os modelos tradicionais de consultoria de tecnologia não funcionam mais na nova economia

Segundo Gustavo Bassan, VP de Engenharia da BossaBox, o cenário atual exige revisão estrutural da forma como tecnologia é operada e terceirizada

A adoção de inteligência artificial acelerou um movimento que já vinha acontecendo: tecnologia deixou de ser área de suporte e passou a ser elemento central da estratégia de negócio. De acordo com o relatório The State of AI, da McKinsey, o uso de IA passou de cerca de 50% em 2022 para 88% em 2025 em pelo menos uma função de negócio. Mais do que um dado de adoção, isso sinaliza uma mudança de contexto: empresas operam hoje em um ambiente de aprendizado contínuo, revisão frequente de prioridades e decisões cada vez mais dinâmicas.

Para Gustavo Bassan, VP de Engenharia da BossaBox, 2026 será o ano em que essa mudança deixará de ser discurso e passará a ser cobrança por resultado. “Se a liderança de Engenharia e Produto quer realmente enxergar ganhos expressivos com o uso de inteligência artificial no desenvolvimento de software, precisa reconhecer que o modelo operacional mudou. A IA acelera decisões, encurta ciclos e amplia capacidade. Mas, se você opera sobre uma estrutura pensada para execução linear e backlog fechado, os ganhos ficam limitados. O problema não está na tecnologia — está no modelo que tenta absorvê-la.”

Segundo o especialista, continuar operando sob uma lógica anterior significa tentar extrair eficiência de um sistema que não foi desenhado para aprendizado contínuo. E isso vale não apenas para a organização interna, mas também para a forma como a empresa escolhe seus parceiros.

“Nos últimos meses, o que mais vimos foram empresas acelerando a adoção de ferramentas de AI sem mexer em mais nada. Compram a soluções, treinam o time e esperam o ganho aparecer. Mas a mudança mais profunda não é tecnológica, é de mentalidade. Durante décadas, o código era a linguagem que usávamos para nos comunicar com as máquinas. Hoje a AI escreve o código, e nós escrevemos a intenção. Isso inverte tudo: processo, papel das pessoas, o que você documenta e quando. Quem não entende isso vai usar AI pra fazer a mesma coisa mais rápido  e vai perder o ganho real”, afirma o especialista.

Esse novo cenário não altera apenas o dia a dia de Produto e Engenharia. Ele muda a forma como consultorias e parceiros externos precisam atuar.

Historicamente, o modelo tradicional de consultoria de tecnologia foi estruturado para entregar escopo: contratos definidos previamente, cobrança por hora, squads isolados e foco no cumprimento de backlog. Esse formato funcionava quando o problema era estável e a previsibilidade era o principal valor.

Hoje, porém, as empresas precisam revisar hipóteses ao longo do caminho, ajustar prioridades com frequência e integrar tecnologia à estratégia de negócio de maneira contínua. Nesse contexto, rigidez contratual e separação entre decisão estratégica e execução técnica começam a gerar fricção.

“Quando o parceiro atua apenas como executor de escopo, qualquer mudança vira desvio contratual. Mas no ambiente atual, mudar faz parte da construção da solução. Se não há integração real com o negócio e corresponsabilidade por resultado, a entrega pode acontecer — mas o impacto fica aquém do potencial.”

Isso transforma também o papel da terceirização. Não se trata mais apenas de reduzir custo ou ampliar capacidade técnica. Trata-se de escolher um modelo que permita capturar valor de forma contínua.

“Operar em 2026 exige parceiros que atuem lado a lado com os times, participem da construção das soluções e acompanhem a evolução estratégica. Tecnologia hoje influencia diretamente o modelo de negócio. Se o modelo de contratação continua preso à lógica transacional, os ganhos estruturais ficam limitados.”

É nesse contexto que novos formatos de consultoria vêm ganhando espaço. Estruturas mais flexíveis, times multidisciplinares sob demanda, foco em resultados de negócio e atuação prática desde a estratégia até a implementação contínua passam a ser diferenciais competitivos.

“Na BossaBox, a gente nasceu com a premissa: não operar como apenas como um fornecedor de horas, mas como parceiro integrado ao negócio. Combinamos agilidade, times especializados e foco direto em impacto mensurável. Nosso objetivo nunca foi apenas entregar tecnologia, mas ajudar a estruturar uma operação capaz de gerar resultado de forma consistente”, conclui Bassan.

Em um mercado onde o ritmo muda constantemente e a tecnologia redefine prioridades, o modelo de trabalho deixa de ser detalhe operacional e passa a ser fator estratégico. E é justamente nesse ponto que os formatos tradicionais começam a perder efetividade.

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