Começamos com dois rolos de tecido, um ano depois, nosso negócio mira R$ 10 milhões

Nossa história com a Baunny começou muito antes de a empresa existir. Raissa e eu somos amigas desde os 8 anos de idade e, ao longo desse tempo, construímos trajetórias profissionais diferentes, mas que acabaram se complementando quando decidimos abrir um negócio juntas. Em 2025, unimos nossas experiências para criar uma marca voltada inicialmente ao mercado de moda fitness e wellness. O que não imaginávamos era que, poucos meses depois, a própria demanda de outras marcas nos levaria a mudar o rumo do negócio. Hoje, já produzimos para mais de 300 marcas no Brasil e no exterior e projetamos faturar R$ 10 milhões em 2026.

Começamos de forma muito enxuta. Investimos R$ 20 mil para colocar a Baunny no mercado, aplicados gradualmente entre março e agosto de 2025. Desse total, R$ 5 mil foram destinados à compra dos nossos dois primeiros rolos de tecido, de cores diferentes. Mesmo com pouco capital, desde o início decidimos que não abriríamos mão do posicionamento premium. Escolhemos trabalhar com tecidos de maior qualidade, proteção UV e zero transparência, além de investir em modelagens e na apresentação dos produtos.

Como os recursos eram limitados, fomos reinvestindo na empresa conforme conseguíamos gerar receita. No começo, nós duas fazíamos praticamente tudo, da embalagem à personalização dos pedidos. Em um curto período, a Raissa também vendeu feijoada por delivery aos finais de semana para levantar recursos, enquanto eu intensificava as vendas da minha antiga marca de cosméticos. Foi uma fase em que precisávamos encontrar diferentes formas de colocar dinheiro no negócio e, ao mesmo tempo, manter a operação funcionando.

Antes de lançarmos a Baunny, também fomos procuradas por um possível sócio interessado em participar do projeto. Estruturamos uma proposta, apresentamos o plano de negócio e nossas projeções de crescimento, mas a negociação não avançou. Naquele momento, por ser uma empresa ainda em fase inicial, ele entendia que não havia garantias suficientes sobre os resultados projetados. Decidimos, então, seguir com nossos próprios recursos e manter o controle da operação. Para nós, foi também uma decisão de acreditar no projeto e construir o negócio no nosso ritmo. Desde então, reinvestimos os resultados gerados na estrutura e na expansão da empresa.

Do varejo ao modelo White Label
Quando criamos o negócio, nossa ideia era começar pelo varejo de moda fitness. O atacado também estava nos planos, mas pensávamos em lançá-lo posteriormente com a própria marca Baunny, ampliando a distribuição por meio de representantes comerciais e parceiros em diferentes regiões.

Depois do lançamento, porém, começamos a perceber uma demanda que não estava exatamente no nosso planejamento inicial. Algumas marcas se interessavam pelas nossas peças e modelagens, mas perguntavam se poderiam comprá-las sem o nosso logo, usando suas próprias etiquetas e identidade visual.

No começo, eram pedidos pontuais. Quando percebemos que essa procura estava se repetindo, entendemos que havia uma oportunidade maior no mercado B2B. Foi quando decidimos redirecionar a operação e transformar a estrutura que havíamos criado para atender também outras marcas.

Assim nasceu o nosso modelo White Label. Passamos a desenvolver e produzir peças para empresas que querem criar suas próprias coleções sem precisar estruturar uma operação fabril. Hoje, oferecemos um catálogo de modelos já desenvolvidos e validados, que podem receber elementos da identidade de cada marca, enquanto cuidamos do desenvolvimento e da fabricação das peças.

Atualmente, nossa operação está instalada em Curitiba (PR) e conta com cerca de 15 colaboradores. Já produzimos para mais de 300 marcas no Brasil e no exterior, com clientes em mercados como Estados Unidos, especialmente Miami, Uruguai e Dubai, entre outros. Em 2025, nos primeiros quatro meses de operação, alcançamos um faturamento de aproximadamente R$ 400 mil. Já em 2026, chegamos a R$ 6 milhões, crescimento de 1.400% em relação ao faturamento registrado no ano anterior. Para o fechamento deste ano, projetamos alcançar R$ 10 milhões.

Hoje, nosso trabalho está concentrado em ajudar outras marcas a entrarem ou crescerem no mercado fitness sem precisar investir na estrutura de uma fábrica própria. Reunimos desenvolvimento de produtos, seleção de modelagens e fabricação das peças, enquanto cada empresa fica responsável pela sua estratégia comercial e pelo posicionamento da própria marca.

Também estamos olhando para os próximos passos do mercado e para a ampliação do nosso portfólio. A aproximação entre moda fitness e vestuário cotidiano, impulsionada pela tendência athleisure, abre espaço para novas categorias. Por isso, estamos preparando a coleção Summer, inicialmente voltada ao atacado de biquínis no modelo cortininha, com previsão de chegada ao mercado ainda neste ano.

Quando penso na nossa trajetória, vejo que empreender também foi aprender a não ficar presa ao plano original. Criamos a Baunny pensando em atender o consumidor final, mas tivemos a capacidade de ouvir o mercado, identificar uma demanda que se repetia e mudar a direção do negócio ainda no início da nossa história. Foi essa decisão que nos levou ao B2B e transformou uma operação que começou com R$ 20 mil e dois rolos de tecido em uma empresa que hoje atende centenas de marcas e projeta faturar R$ 10 milhões.

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