El Niño no radar: 5 cuidados com a refrigeração que todo supermercadista precisa ter antes do calor

Com o fenômeno confirmado para o segundo semestre e pico previsto no verão, especialista da Elgin lista o que fazer desde já para proteger produtos, operação e conta de energia

O El Niño já foi confirmado pelo INMET para o segundo semestre de 2026, com previsão de ondas de calor mais frequentes no Centro-Oeste e no Sudeste. Para o varejo alimentar, o alerta é direto: o calor intenso pressiona justamente o sistema que sustenta a operação de um supermercado, a refrigeração. Quando a temperatura ambiente sobe, os equipamentos trabalham mais para manter a temperatura interna, o que eleva o consumo, acelera o desgaste e aumenta o risco de falhas.

Priscila Baioco (foto em destaque), Diretora Comercial da Refrigeração da Elgin, lista cinco cuidados que o supermercadista deve adotar antes do pico de calor.

1. Faça a revisão preventiva agora, antes do verão
A hora de agir é antes do pico de calor previsto para a primavera e o verão. Antecipar manutenção, checar a vedação de câmaras e expositores e garantir que os sistemas estejam dimensionados para operar em temperatura ambiente mais alta reduz perdas e evita paradas na pior hora. Sistemas mal ajustados ou obsoletos chegam a elevar o consumo de energia em até 20%, segundo o Procel, e o esforço excessivo aumenta o risco de falhas críticas, como a queima do compressor, o coração do sistema.

2. Proteja os produtos mais sensíveis à temperatura
Frescos e refrigerados são os que mais sofrem com perdas. Segundo a 25ª Pesquisa de Eficiência Operacional da ABRAS, o índice de ineficiência chega a 4,73% em FLV (Frutas, Legumes e Verduras) e a 2,74% no açougue, categorias muito sensíveis à variação de temperatura. Num ano de El Niño, essa vulnerabilidade se acentua, e uma falha de refrigeração deixa de ser um problema de manutenção para virar um problema de abastecimento e de segurança alimentar.

3. Cuide das unidades condensadoras e dos expositores
No dia a dia da loja, medidas simples têm efeito direto: manter as unidades condensadoras limpas, ventiladas e protegidas do calor direto preserva o rendimento justamente quando a demanda é maior. Trocar balcões abertos por expositores com portas de vidro reduz de forma expressiva a carga térmica e o consumo, porque o frio deixa de escapar para o corredor. A escolha de equipamentos pensados para a realidade supermercadista também faz diferença, caso dos evaporadores de baixo perfil com motores eletrônicos, mais eficientes e desenvolvidos para esse tipo de operação.

4. Fique de olho na conta de energia
Em supermercados de médio porte, os equipamentos de refrigeração podem representar até 50% da conta de energia, percentual que chega a 60% somando o ar-condicionado, segundo o Procel e a Abrava. Esse custo sobe no calor, porque os equipamentos ficam mais tempo ligados. A boa notícia é que grande parte do consumo é gerenciável: só a substituição de refrigeradores comerciais antigos por modelos mais eficientes pode reduzir em mais de 40% o consumo da operação, de acordo com o Procel.

Tecnologias voltadas à eficiência reforçam esse ganho, como o degelo inteligente nos evaporadores de médio perfil, que evita o acúmulo de gelo e o esforço desnecessário do sistema, e as unidades condensadoras com compressor do tipo scroll, projetadas para reduzir o consumo de energia.

5. Trate a operação logística com o mesmo rigor
Nos centros de distribuição, a lógica é a mesma em escala maior: isolamento térmico das câmaras, vedação de portas e monitoramento remoto da temperatura, que permite identificar uma variação antes que ela comprometa a carga. Num CD, uma oscilação não detectada a tempo pode significar a perda de um lote inteiro. “Num cenário de El Niño, com mais demanda por energia e pressão sobre o sistema elétrico, investir em eficiência é também uma forma de reduzir a exposição da operação a oscilações e a aumentos de tarifa”, conclui Priscila.

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