Empreender nunca foi um caminho linear para mim. Minha história começou antes mesmo de abrir o primeiro negócio, quando ainda cursava Medicina na Santa Casa de São Paulo. Faltando seis meses para a formatura, enfrentei dificuldades financeiras que quase me fizeram interromper o curso. Com a ajuda do reitor, consegui um acordo para quitar as mensalidades restantes e concluir a faculdade. Um ano depois, em 1986, abri, ao lado de três sócios, um centro médico em São Bernardo do Campo (SP), com atendimento em cirurgia, clínica geral e ginecologia.
Nos primeiros anos, também precisei lidar com as dificuldades de fazer o negócio dar certo. O investimento começou a apresentar resultados apenas no segundo ano e, nesse período, dois dos sócios deixaram a sociedade. Foi quando percebi uma oportunidade dentro da própria clínica. Durante minha especialização em cirurgia plástica, comecei a incorporar tratamentos de estética e emagrecimento ao atendimento. A procura cresceu rapidamente e pacientes de diferentes regiões de São Paulo passaram a buscar o espaço.
Em 1994, comprei a participação do último sócio e decidi mudar o nome da empresa para Emagrecentro. A partir daí, comecei a estruturar o negócio para crescer por meio do franchising. No início, trabalhávamos apenas com médicos como franqueados, mas essa experiência também me ensinou uma lição importante sobre empreendedorismo: conhecimento técnico e capacidade de gestão são competências diferentes. Percebi que os médicos nem sempre tinham o perfil
necessário para administrar uma unidade e, em 2003, ampliamos o modelo para empreendedores com afinidade com o segmento de estética, enquanto os profissionais de saúde passaram a atuar no atendimento.
Foi dessa sucessão de decisões e ajustes que construímos o Emagrecentro, hoje uma rede com mais de 450 operações, incluindo unidades nos Estados Unidos e no Paraguai. Desde o início, nosso objetivo foi oferecer tratamentos de emagrecimento e estética corporal a preços acessíveis, com o Método 4 Fases, que possui direitos autorais e certificação internacional.
Agora, o próximo desafio é levar essa experiência para novos mercados. Estamos estruturando a expansão para outros países da Europa e da América do Sul, além da Índia, com a expectativa de chegar a 500 unidades nos próximos dez anos. Cada mercado exige uma estratégia própria, porque é preciso entender hábitos de consumo, legislação, características locais e as particularidades do sistema de franquias.
Para essa etapa, contamos com uma equipe interna com experiência internacional e profissionais fluentes em inglês e espanhol. Na Índia, por exemplo, teremos o suporte de um master franqueado em contato direto com a equipe no Brasil. Depois de quatro décadas à frente do negócio, continuo enxergando o empreendedorismo como um processo de identificar oportunidades, testar caminhos e ter disposição para mudar quando o mercado mostra uma direção diferente.



